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O mercado de juros vive uma sexta-feira (18) com forte volatilidade, reagindo ao noticiário político. Houve duas paralisações hoje nas negociações dos títulos do Tesouro Direto. Depois de iniciar o dia com a curva de juros futuros em queda, as taxas voltaram a subir com a informação de que Fernando Haddad deve retornar ao Brasil como favorito para ser ministro da Fazenda. A notícia é do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Segundo o jornalista, não teve um só integrante da comitiva de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na COP 27 que não saiu do Egito com a sensação de que Haddad será o nome a ser escolhido pelo presidente para comandar a pasta. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, no entanto, disse ao Broadcast do Estadão que “não tem nada definido” ainda sobre o tema.
Com a informação, o Ibovespa recuava 0,49%, aos 109.166 às 17h30. O dólar fechou em queda de 0,50%, cotado a R$ 5,37.
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Na atualização das 16h41, os juros oferecidos pelos títulos públicos operam com alta, em relação às taxas verificadas nesta quinta-feira (17). O Tesouro Prefixado 2025 entregava um retorno de 13,70% ao ano, acima dos 13,41% verificados na véspera. Os papéis atrelados à inflação tinham igual movimento. O Tesouro IPCA+2045 oferecia taxa real de 6,17% ao ano, mais alta do que os 6,10% registrados um dia antes.
“O mercado tem a expectativa de que um nome técnico seja anunciado para o Ministério da Fazenda. E Fernando Haddad é visto como um político. Porém, são boatos, por enquanto. Estamos na expectativa por definições”, diz Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos.
Segundo ele, há grande expectativa para a semana que vem, por conta da apresentação do projeto final da PEC da Transição, que vai para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Como existe uma restrição de calendário, já que o recesso começa no dia 17 de dezembro, o andamento da proposta deve ser apertado. “O Congresso tem pouco tempo para a apreciação da PEC”, ressalta.
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• Presidente do BC defende convergência entre disciplina fiscal e demandas sociais
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra na volta dos negócios no Tesouro Direto nesta sexta-feira (18):

Bolsa Família e Roberto Campos Neto
Na cena política, o governo eleito planeja ceder em alguns aspectos para tentar aprovar a PEC da Transição, mas não abre mão de que o aumento de gastos tenha validade de quatro anos, segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo. Há uma orientação para não negociar um prazo menor, sobretudo no Senado, afirma o periódico.
A intenção é aprovar a medida na Casa com uma boa votação para que ela chegue com força à Câmara. Alguns aliados de Lula dizem que, se fosse para aprovar uma medida por apenas um ano, não seria necessário o desgaste para aprovar uma PEC, que exige 308 votos na Câmara e 49 votos no Senado, conforme mostra a reportagem.
Já na cena econômica, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, defendeu hoje que deve haver uma convergência entre a disciplina fiscal e as demandas sociais, com as políticas fiscal e econômica precisando de coordenação para trazer resultados. Apesar de evitar fazer maiores comentários sobre a minuta da PEC da Transição enviada anteontem ao Congresso, ele disse há muita incerteza sobre o tamanho do gasto extra que será autorizado para o novo governo em 2023.
“Se acreditarmos que convergência não acontecerá por fiscal, vamos reagir”, afirmou o presidente do BC. Ele observou que a população pobre é a mais prejudicada quando as condições são adversas.
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“É importante ter disciplina fiscal e olhar para o social”, reforçou. “O Brasil tem o desafio de comunicar que tem disciplina fiscal”. Ele acrescentou ainda que a incerteza, além de restringir o espaço para gastos, exerce papel relevante na ação da autoridade monetária.
Embota tenha dito algumas vezes que não é seu ‘trabalho” tecer comentários sobre política fiscal, ele comentou que, além do número (proposto para o gasto extra), também é importante a comunicação sobre isso. Sobre a percepção ruim que os mercados tiveram após a apresentação da minuta, Campo Neto disse que é preciso entender que o mercado “não é um monstro ou uma entidade, mas uma máquina que aloca recursos”. Assim, é natural que tenha reações quando há forte incerteza.
Na apresentação que fez hoje, o presidente do BC apontou que um valor de R$ 175 bilhões de gastos extras pode levar o resultado primário de 2023 para um déficit de 1,5% do PIB, ante a previsão anterior de 0,8% doPIB. A dívida também pode subir entre 2022 e 2023 de 77,7% para 81,9%, ou até mais.
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