Índices futuros americanos têm leve recuperação após derrocada da véspera; PPI nos EUA, varejo no Brasil e mais destaques do mercado hoje

Por outro lado, bolsas asiáticas seguiram repercussão dos dados de preços ao consumidor acima do esperado nos EUA, com o Nikkei em queda de 2,78%

Equipe InfoMoney

(Getty Images)
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O mercado financeiro global abriu a quarta-feira (14) ainda se ajustando aos impactos da confirmada resiliência da inflação ao consumidor nos Estados Unidos. O maior impacto ficou com as bolsas asiáticas, que seguiram o tom de toda terça-feira no setor financeiro. Os futuros dos Estados Unidos, no entanto, operam em ligeira alta, enquanto o mercado europeu oscila para baixo na abertura.

Na manhã de ontem, o Departamento do Trabalho dos Estados divulgou uma variação de preços de 0,1% em agosto. Parece pouco, mas a expectativa do mercado era de uma inflação de 0,1%. Pior que isso foi a informação que o núcleo da inflação (que exclui energia e alimentos) saltou de 0,3% em julho para 0,6% no mês seguinte, dando claro sinal de que a alta de preços está mais disseminada.

O impacto foi imediato e permaneceu durante todo o dia: as Bolsas caíram, o dólar subiu ante uma cesta de moedas e os rendimentos dos títulos do tesouro americano (Treasuries) avançaram, já precificando uma recessão à frente.

A avaliação quase unânime dos analistas é que na reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) de 20 e 21 de setembro os integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vão optar por uma nova alta da taxa de juros em 75 pontos-base. E a aposta de um aperto ainda mais dramático, de 100 pontos-base, também entrou no radar.

Não que houvesse dúvidas sobre o compromisso dos integrantes do Fed realizar o necessário para trazer a inflação para baixo. Os comunicados oficiais e as entrevistas das duas últimas semanas já traziam esse compromisso explícito.

Mas ainda havia espaço para discordâncias. Na segunda-feira (12) o vencedor do Nobel de Economia e ex-ecomomista-chefe do Banco Mundial Joseph E. Stiglitz assinou um artigo no Project Syndicate com o colega Dean Baker sugerindo que o Fed deveria “esperar e ver”. Eles alertavam para o risco de recessão. Agora, essas vozes consideras mais brandas (“dovish”) estão se calando. Ontem mesmo, o presidente Joe Biden declarou que “levará mais tempo e dedicação para reduzir a inflação”.

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Em destaque, hoje serão divulgados os dados de preços ao produtor nos EUA, enquanto o Brasil terá os dados de vendas no varejo. Confira no que ficar de olho:

1. Bolsas mundiais

Estados Unidos

A sessão de hoje para os principais índices futuros dos EUA é de ajustes após o mau humor da terça-feira, com os investidores precificando uma alta de 0,75 ponto percentual nos juros na semana que vem. E começaram a surgir projeções de alta de 1 ponto percentual.

Os índices das Bolsas estão em ligeira alta, num claro ajuste após o pior dia para o mercado no ano. Ontem, todas as 30 ações do índice Dow Jones e todos os setores do S&P 500 terminaram a sessão em baixa. A Nasdaq caiu 5,6% e terminou seu pior dia desde fevereiro, puxada por ações de grandes nomes da tecnologia como Netflix (-7,8%) e Meta (-9,4%).

Veja o desempenho dos mercados futuros:

Ásia

Na Ásia, as Bolsas receberam com mais força o impacto da queda de ontem nos Estados Unidos e na Europa, e da consequente valorização do dólar em relação a diversas moedas com a visão de uma alta mais acelerada dos juros pelo Fed para conter a inflação. A força do dólar americano pressionou o iene japonês, sensível a juros, para perto de uma baixa de 24 anos em 149,96 ienes. O banco central japonês (BoJ) realizou um teste de taxas de câmbio, o que foi lido como uma preparação para intervenção monetária.

Europa

As ações europeias também caíram na abertura nesta quarta, após a pior liquidação em Wall Street desde junho de 2020. O FTSE 100 tinha baixa, mesmo com os dados de inflação do Reino Unido para agosto sendo menos intensos do que o previsto, ficando abaixo de 10% em agosto na comparação anual.

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Commodities

No mercado de commodities, os preços do petróleo operam perto da estabilidade nesta manhã, também fruto da má recepção do CPI americano ontem. Na terça-feira, a Opep comunicou estar vendo “sinais errôneos” do mercado, uma vez que o cartel se opõe às previsões de que a desaceleração do crescimento econômico e o aperto da política monetária pesarão na demanda global de petróleo em 2023.

O barril de petróleo WTI estava cotado a US$ 87,52, com alta de 0,24%, enquanto o Brent subia 0,23, a US$ 93,38. O minério de ferro futuro caiu 0,69% na Bolsa de Dalian, para US$ 104,02.

Bitcoin

Os preços do Bitcoin caem 8,74%, a US$ 20.387

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2. Agenda

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) referente a agosto sai nesta quarta, com o mercado ainda desconfiado sobre a resiliência da inflação dos Estados Unidos. Em julho, o indicador recuou 0,5% na comparação com junho, o que levou o dado anualizado a cair de 11,3% para 9,8%. Para o dado que será anunciado hoje, o consenso Refinitiv projeta uma deflação de 0,1% na comparação mensal, o que levaria a alta anual para 8,8%.

No Brasil, o IBGE divulga às 9h (horário de Brasília) as vendas no varejo em julho. Caso o dado surpreenda positivamente como aconteceu com a pesquisa de serviços ontem, são esperadas novas revisões para as projeções do PIB em 2022. O consenso Refinitiv aponta para avanço de 0,30% na base mensal e queda de 3,5% na anual.

Brasil

9h: Vendas no varejo de julho pelo IBGE, com projeção Refinitiv de alta mensal de 0,30% e queda anual de 3,5%

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14h30: Fluxo cambial semanal

EUA

9h30: Preços ao produtor de agosto, com projeção Refinitiv de queda de 0,1% ante julho e alta de 8,8% na base anual

11h30: : Estoque de petróleo

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3. Noticiário econômico

Consignado do Auxílio Brasil

Divergências sobre a fixação de um teto de juros retardam a regulamentação da operação de empréstimo consignado aos beneficiários do programa Auxílio Brasil.

O assunto tem sido tema de reuniões diárias no Ministério da Cidadania. Entre os técnicos, a avaliação é de que o consignado voltado para uma população tão vulnerável precisa de uma limitação dos juros cobrados pelos bancos. A defesa dos técnicos é de que o limite dos juros seja fixado pelo menos igual ao do INSS, de 2,14%. O ministro da Cidadania, Ronaldo Vieira Bento, defende internamente a fixação de um teto de juros.

A criação de um consignado com garantia do Auxílio Brasil é uma medida polêmica, considerada pelos especialistas da área social uma estímulo ao endividamento de pessoas que já vivem em condições de alta vulnerabilidade e insegurança alimentar.

Representantes de entidades jurídicas, de defesa do consumidor e personalidades de diversos setores chegaram a assinar uma nota “Em Defesa da Integridade Econômica da População de Vulneráveis” pedindo o adiamento do consignado.

Cortes no Orçamento para Farmácia Popular vai de remédios até fralda geriátrica

O corte de 60% de recursos no Orçamento de 2023 para a gratuidade de medicamentos da Farmácia Popular vai restringir o acesso da população a 13 tipos diferentes de princípios ativos de remédios usados no tratamento da diabetes, hipertensão e asma, segundo alerta da ProGenéricos, associação que reúne os principais laboratórios que atuam na produção e comercialização no País.

Seis desses medicamentos são para o controle da hipertensão: Atenolol, Captopril, Cloridrato de Propranolol, Hidroclorotiazida, Losartana Potássica e Maleato de Enalapril. Todos os produtos da Farmácia Popular são destinados ao tratamento de doenças mais prevalentes, que segundo o Ministério da Saúde são as que mais acometem a população. A lista do co-pagamento inclui fraldas geriátricas, medicamentos para osteoporose, rinite, Parkinson, glaucoma, dislipdemia e anticoncepção.

4. Noticiário político

Estratégia de Lula em busca de voto útil esbarra em antipetismo

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República recebeu novo ânimo com a divulgação da última pesquisa Ipec/Globo, colocando o candidato com pouco mais da metade dos votos válidos (51%), Essa possibilidade de o petista vencer a disputa presidencial no primeiro turno – e com isso evitar mais quatro semanas de disputa contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) – fez os estrategistas se movimentarem para o chamado voto útil, fenômeno que, para pesquisadores, foi observado na reta final de pleitos anteriores. Mas Lula deve enfrentar o desafio de convencer segmentos do eleitorado, como aqueles de camadas de renda média e alta, com menor adesão ao ex-presidente e nos quais o antipetismo é mais forte.

Ainda em destaque, o candidato a vice de Lula, Geraldo Alckmin, negou ontem que irá comandar a Economia em eventual vitória de sua chapa nas eleições. A fala veio após a imprensa divulgar que figuras dentro do próprio PT cogitavam essa possibilidade.

Bolsonaro tenta amenizar discurso para reduzir rejeição

Com fortes índice de rejeição por cerca de metade dos brasileiros, com variações a depender da pesquisa,, o presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciou um movimento para atrair de volta o eleitor que repele o PT, mas também se afastou do bolsonarismo por conta do radicalismo de seus apoiadores. Mas a iniciativa de falar para fora da “bolha” esbarra muitas vezes nos próprios discursos do presidente. Ontem, Bolsonaro fez um inédito mea culpa por ter minimizado as mortes pela pandemia e chegou a prometer entregar a faixa presidencial se for derrotado. O novo figurino foi vestido pela metade: ao mesmo tempo, ele reincidiu em piadas consideradas preconceituosas e voltou a deixar dúvidas sobre seu comportamento após a votação.

5. Radar corporativo

Caixa Seguridade (CXSE3)

A Caixa Seguridade (CXSE3) anunciou uma série de transações com sua sócia francesa, a CNP Assurances. A companhia vai vender participações em diferentes negócios do qual é sócia.

A transação inclui as fatias da Caixa Seguridade na Previsul (48,25%), CNP Consórcio (48,25%), Holding Saúde (48,25%), Odonto Empresas (48,25%) e CNP Cap (24,61%). A empresa deverá receber R$ 667,18 milhões da CNP Assurances.

“O fechamento da operação está sujeito ao cumprimento de diversas condições precedentes estipuladas no Contrato usuais a este tipo de transação, incluindo as aprovações regulatórias aplicáveis e a realização da reorganização societária”, diz o fato relevante da Caixa Seguridade.

IRB (IRBR3)

O IRB (IRBR3) informou que foi processado, em procedimento arbitral, em uma demanda de R$ 807.430,80 envolvendo o acionista Everton George dos Santos.

Santos alegou ter comprado ações de emissão da companhia entre 9 de junho de 2020 e 20 de abril de 2021, tendo sido, posteriormente, surpreendido pela divulgação, pelo próprio IRB, de informações acerca do resultado de apurações internas que teriam constatado irregularidades no pagamento de supostos bônus; novas versões de demonstrações financeiras, dos anos anteriores, constando irregularidades cometidas; e divulgação de informações consideradas inverídicas sobre a base acionária.

Petrobras (PETR3;PETR4)

Um pedido de liminar para barrar a distribuição de dividendos antecipadas da estatal foi negado pela Justiça. O pedido tinha sido feito pela Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) e pelo o senador Jean Paul Prates (PT-RN).

(com Estadão Conteúdo)