Quer se dar bem na renda fixa? Conheça produtos para ganhar 13% ao ano

Neste momento de recessão e juros elevados, qualquer investidor deveria manter entre 50% e 90% do patrimônio em aplicações de baixo risco indexadas ao CDI

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(SÃO PAULO) – Na semana passada, distribuí nesse blog a planilha que mostra quais são as aplicações financeiras de baixo risco mais rentáveis do Brasil, considerando as sete possibilidades mais comuns: caderneta de poupança, fundos DI, Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA e letras de câmbio. Milhares de pessoas baixaram a planilha, mas, mesmo tendo em mãos essa ferramenta de comparação de rentabilidade, muita gente entrou em contato comigo querendo saber, dentre essas opções, quais eram meus produtos financeiros favoritos. Esse post vai responder a essas perguntas.

Acredito que, neste momento de recessão econômica e de Selic a 12,75% ao ano, todos os brasileiros, mesmo aqueles com perfil mais agressivo, deveriam investir ao menos 50% do patrimônio em aplicações de renda fixa de baixíssimo risco de crédito, sem volatilidade e indexadas ao CDI. Para os investidores conversadores, recomendo elevar esse percentual para 90% ou mais do patrimônio. A explicação é que essas aplicações podem garantir um retorno líquido próximo a 1% ao mês (ou 12,68% ao ano), geram ganho de poder de compra mesmo no atual cenário de inflação elevada, oferecem baixíssima volatilidade, são praticamente livres de risco de calote e uma parte delas também permite o resgate do dinheiro a qualquer momento.

Mas qual é a melhor opção? Vou dividir a resposta em duas partes. Primeiramente acredito que uma pessoa nunca deva deixar menos do que o equivalente a três a seis salários mensais em uma reserva de emergência para ser usada em caso de imprevistos. Ninguém sabe o futuro – e é sempre bom estar preparado para o pior. Para essa parcela do dinheiro, o investidor vai precisar de liquidez diária porque nunca sabe quando algo ruim vai acontecer. Em minha corretora, as duas melhores opções que costumam aparecer na prateleira de produtos com essas características são uma LCA do banco ABC Brasil que rende 83% do CDI e uma letra de câmbio da financeira Agiplan que paga 107% do CDI. Procure algo parecido.

Para investimentos de até seis meses, em que a alíquota do IR da letra de câmbio será de 22,5% sobre os ganhos, a rentabilidade será a mesma para os dois papéis. Nesse caso eu ainda prefiro a LCA do ABC Brasil porque considero essa instituição um banco mais sólido. Caso o dinheiro deva permanecer investido por mais tempo, então a letra de câmbio da Agiplan passa a ser a opção mais interessante. E caso a pessoa tenha mais de R$ 250.000 para investir com necessidade de liquidez diária, minha indicação é que distribua o dinheiro entre papéis das duas instituições igualmente, de forma que permaneça coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito, que ressarce o investidor integralmente até o limite de R$ 250.000 mesmo que a instituição financeira emissora da LCA ou da LC venha a quebrar.

Em relação ao risco de crédito, muitos leitores costumam questionar se não seria melhor evitar papéis de bancos pequenos e médios, já que mais de cinco instituições como essas já quebraram nesta década. Muita gente me diz que prefere deixar o dinheiro no Banco do Brasil ou no Itaú mesmo sabendo que os juros recebidos são menores. Eu penso o contrário. Como esses papéis geralmente pagam um prêmio bastante interessante sobre a poupança, os fundos DI e o Tesouro Direto, eu considero que esse é o melhor risco do mundo para se correr, já que, se tudo der errado, ele receberá seu dinheiro de volta corrigido até o dia da intervenção no banco quebrado a não ser que o próprio FGC venha a quebrar – algo cuja probabilidade de acontecer é tão baixa quanto a da falência do Itaú ou do Bradesco. Então me parece que os CDB, LCI, LCA e letras de câmbio possuem uma relação entre risco e retorno bastante interessante, já que turbinam os investimento de um carteira praticamente sem haver quase nenhum incremento no risco. Os únicos cuidados que recomendo aos investidores são: 1) nunca ultrapasse o limite de cobertura do FGC e tenha sempre esse seguro na carteira; e 2) compre CDB, LCI, LCA e LC em corretoras que oferecem o selo Cetip Certifica, que garante que o dinheiro do investidor foi mesmo aplicado no investimento que ele escolheu e que acaba com o risco de que o FGC não faça o ressarcimento até R$ 250.000 por CPF.

Já para a parcela do dinheiro do investidor que não precisa de liquidez diária, as letras de câmbio com rendimento superior a 130% do CDI costumam ser o que há de mais rentável em minha corretora entre os investimentos pós-fixados com cobertura do FGC. O problema é que esses produtos nem sempre estão disponíveis. Atualmente as melhores opções têm sido um CDB do banco Indusval que paga 120% do CDI, as LCA do banco Fibra que pagam 101% do CDI e as LCA do banco Original que pagam 100% do CDI – todas essas alternativas possuem carência de resgate para dois anos. Procure produtos com características semelhantes que será possível ter um ganho líquido de cerca de 13% ao ano dada a expectativa de alta da Selic nos próximos meses.

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Mesmo que o risco de quebra das financeiras seja maior que o dos bancos, ainda prefiro as letras de câmbio neste momento, principalmente após o ministro Joaquim Levy (Fazenda) ter sinalizado que pode acabar com a isenção de IR das LCI e LCA. Vale lembrar que, por lei, as alíquotas do IR não poderiam ser alteradas já em 2015 e que, mesmo que a Receita Federal passe a taxar as LCI e LCA em 2016, a cobrança não poderia ser retroativa porque isso seria inconstitucional. Então caso o investidor não tenha acesso a letras de câmbio na corretora de sua preferência, uma solução seria comprar LCI e LCA de até um ano para que o investidor pouco sofra mesmo no caso extremo em que a Receita passe a cobrar IR sobre depósitos já realizados – e não apenas para novas captações dos bancos.

E qual é minha opinião sobre poupança, fundo DI e Tesouro Diretor (LFT)? Acho que esses três produtos ou não oferecem uma rentabilidade competitiva (poupança) ou são pouco atrativos perto das outras opções (fundos DI e LFT). Em minha opinião, não faz sentido comprar fundo DI ou LFT se uma LCA ou LCI rende a mesma coisa e ainda garante isenção de IR para pessoas físicas (ao menos até o final do ano). No longo prazo, a diferença de 1% ou 2% a mais ao ano será absurdamente grande – você pode perder uma casa ou um carro só por não escolher o melhor produto. Em um post mais adiante, vou tratar de investimentos de renda fixa com risco de oscilação de taxa de juros (títulos prefixados ou indexados à inflação), que acredito que devem concentrar entre 10% e 30% do portfólio de qualquer investidor. Por ora deixe seu e-mail abaixo e receba todas as atualizações desse blog:

PS: Se você gosta de algum produto financeiro e quer recomendá-lo a outros leitores, envie sua sugestão para joao.sandrini@infomoney.com.br que faço o teste e publico minhas impressões nesses blog.

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