Perspectiva de alta da inflação muda cenário para renda fixa

Papéis da dívida pública atrelados à inflação, bem como os fundos mais conservadores, devem ganhar destaque neste ano

Publicidade

SÃO PAULO – A inflação tende a aumentar no Brasil e um sinal disso é a decisão tomada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), em sua última reunião realizada em janeiro, de manter a taxa básica de juro, a Selic, em 8,75% ao ano.

Mas a perspectiva de inflação não deve ditar somente as decisões da autoridade monetária. Os investidores também precisam ficar de olho, principalmente quem está na renda fixa, para que consigam ter ganhos reais.

Poupança
Para se ter uma ideia, a poupança acumulou de 2000 a 2009 rentabilidade de 126,75%, inferior à inflação acumulada neste período pelo IGP-M (127%) – o que significa que, considerando o poder de compra da moeda, quem apostou na modalidade perdeu dinheiro nestes anos.

“A poupança sempre perde para a inflação, isso é fato, mas no ano passado foi diferente”, afirmou a professora do Insper (ex-Ibmec SP), Ângela Menezes. Em 2009, o rendimento real – descontada a inflação – da poupança ficou em 8,79%. O problema é que, neste ano, com a alta da Selic, a poupança deve perder investidores para fundos mais conservadores.

Para quem está na poupança, além de ficar de olho na inflação, é preciso atentar aos resgates que são realizados. “Tem de analisar a data de aniversário, porque se você tira o dinheiro um dia antes você perde a rentabilidade de um mês inteiro”, explicou o professor e educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil.

Tesouro Nacional
Neste cenário de inflação em alta, ganham destaque os papéis da dívida pública, em especial as NTNs (Notas do Tesouro Nacional), com rentabilidade vinculada à variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acrescida de juros definidos no momento da compra.

Continua depois da publicidade

“São modalidades de renda fixa para ter pelo menos a reposição da inflação oficial”, disse Calil. Neste caso, ele indica que a pessoa deve planejar quanto vai precisar no futuro e resgatar somente no vencimento dos papéis.

Fundos conservadores
Em relação aos fundos mais conservadores, como os DI e de renda fixa, a perspectiva de aumento da Selic, por conta da inflação, deve fazer com que eles ganhem os investidores que migraram para a poupança no ano passado, quando o cenário era de queda da taxa básica de juro.

“Por que eles perderam da poupança no ano passado? Porque têm desconto de imposto de renda e a taxa de administração. Neste ano, vai inverter a situação e a tendência é que os investidores voltem para os fundos DI e de renda fixa”, afirmou Ângela.