IPC-3i: Como é calculado e qual é o objetivo deste índice?

O IPC-3i mostra o perfil de consumo médio das famílias formadas por, no mínimo, 50% de idosos

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SÃO PAULO – O aumento da expectativa de vida dos brasileiros proporciona o crescimento do número de idosos. Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2007 havia 13,8 milhões de pessoas acima dos 65 anos de idade.

A maioria desses idosos são aposentados e seu benefício ajuda a complementar a renda da família. Porém, viver com essa renda é uma tarefa árdua e complicada.

Os idosos costumam ter hábitos de consumo diferentes de quando eram pessoas economicamente ativas. Nesta fase, os gastos com medicamentos, lazer e alimentação se tornam mais altos. Em contrapartida, as despesas com habitação e transportes tendem a diminuir.

Com o objetivo de avaliar os hábitos de consumo das famílias brasileiras compostas majoritariamente por idosos, acima dos 60 anos de idade, foi criado o IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade).

O que é o IPC-3i?
O IPC-3i é um índice de inflação trimestral produzido pela FGV, a partir das informações levantadas na última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada no biênio 2002/2003.

A meta desse índice é construir o perfil de consumo médio das famílias formadas por, no mínimo, metade dos membros idosos, com renda entre um e 33 salários mínimos, ou seja, atualmente de R$ 415,00 até R$ 13.695,00.

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Essa pesquisa é realizada nas 12 principais capitais do País: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e São Paulo.

Os preços dos produtos são classificados em sete grupos: alimentação, habitação, vestuário, saúde e cuidados pessoais, educação/leitura/recreação, transportes, e despesas diversas.

A estrutura do levantamento mostra os resultados das famílias com idosos que ganham até 8 salários mínimos e famílias com idosos que recebem acima de 8 salários mínimos.

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Além disso, a estrutura da pesquisa separa as famílias que possuem idosos e as famílias compostas apenas por idosos.

O primeiro IPC-3i foi divulgado em 2003. Porém, houve uma série histórica de 14 anos, onde foram avaliados os preços dos produtos para os idosos desde 1994.

Os dados do estudo
De acordo com o economista e um dos coordenadores do IPC-3i da FGV (Fundação Getulio Vargas), André Furtado Braz, apesar do índice não servir como indexador, ele fornece visibilidade, e o objetivo é mostrar como o processo inflacionário pode afetar diretamente as famílias compostas por idosos.

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“O IPC-3i revela que os gastos com a educação é pequeno, apesar de haver mais tempo livre para se dedicar aos estudos. Por outro lado, as despesas com alimentação são maiores, sobretudo, com laticínios que ajudam a prevenir a osteoporose. As despesas com transportes públicos, como o uso de ônibus urbano, também é menor, com o passe livre. Entretanto, o consumo de água e luz aumentam, uma vez que os idosos passam mais tempo em suas residências, logo, os reajustes desses serviços trazem um impacto maior no orçamento dos idosos”, afirma o economista.

Na última pesquisa divulgada, referente ao segundo trimestre de 2008, a inflação para os idosos atingiu a maior taxa trimestral dos últimos cinco anos, 2,65%. Os alimentos e os gastos com a saúde foram os grandes vilões desse índice.