Publicidade
SÃO PAULO – As mulheres continuam sendo menos inadimplentes do que os homens, mas a diferença entre os sexos têm diminuído. Essa é uma das conclusões de estudo realizado pela Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).
Com base em diversas pesquisas sobre o assunto, o estudo concluiu que, em 2005, 43% dos inadimplentes eram mulheres e o restante (47%), homens. Já este ano, elas passaram a representar 45% e eles, 55%.
De acordo com o economista chefe da Acrefi, Istvan Karoly Kasznar, as mulheres são melhores pagadoras, mas isso não significa que os homens não cumprem com seus compromissos financeiros. Afinal, o brasileiro é honesto. “Mas, à medida que as mulheres estão ingressando no mercado de trabalho, com empregos novos, elevou-se sua taxa de inadimplência”, explicou ele, tendo em vista que elas passam a ter mais contar a pagar.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Conforme ele disse, esta realidade mostra a importância de se levar a educação financeira àqueles que entram no mercado de trabalho.
Perfil do inadimplente
Os dados da pesquisa ainda mostraram que os jovens são os mais inadimplentes: em 2005, 66% deles tinham entre 21 e 40 anos e, em 2008, esta mesma população correspondia a 55% das pessoas com dívidas em atraso. “Pessoas mais jovens têm mais predisposição a se tornarem inadimplentes”, afirmou o presidente da Acrefi, Adalberto Savioli.
Em relação às causas da inadimplência, em 2005 eram as seguintes: 50% o desemprego e 13% ser fiador, avalista ou emprestar o nome. Em 2008, mais motivos entraram na lista, sendo que o desemprego continuou na liderança, com 56% das respostas. Em seguida, vieram descontrole dos gastos e ser fiador, avalista ou emprestar o nome (13%), renda diminuída (6%) e doença (5%).
Continua depois da publicidade
O perfil ainda mostrou que 48% dos inadimplentes em 2005 ganhavam entre R$ 501 e R$ 1 mil. Já em 2008, 56% ganhavam acima de R$ 761 até R$ 2 mil.
Comportamento
De acordo com o presidente da Acrefi, a pesquisa mostra que metade das pessoas com algum endividamento continua tendo linha de crédito disponível, seja por meio de cartão de crédito ou de cheque especial. Além disso, pelo menos 68% dos brasileiros com débitos em atraso têm disposição para pagá-los.
Um comportamento típico do brasileiro inadimplente, que no passado não era identificado, é a troca das dívidas mais caras pelas mais baratas, com a finalidade de aliviar o orçamento. “As pessoas hoje em dia sabem que juros mais caros dificultam o pagamento”, afirmou Savioli. Além disso, elas se desfazem de determinados bens, como o carro, para quitar as dívidas.
Continua depois da publicidade
Sobre os superendividados, o economista chefe da Acrefi afirmou que eles correspondem a 7% da amostra. “Ele é um indivíduo que não tem capacidade de pagar o que deve e está negociando. O fluxo de rendimentos não se iguala mais ao fluxo de dívidas”, explicou Kasznar. Ele ainda disse que esta população no Brasil é baixa, se comparada com os EUA, onde ela chega a 38%.