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SÃO PAULO – A CVM (Comissão de Valores mobiliários) anunciou nesta segunda-feira (21) que pretende garantir mais transparência em relação aos valores pagos pelos cotistas dos fundos de investimentos, além de facilitar a comparação dos diferentes fundos disponíveis no mercado pelos seus investidores. A informação foi dada pela nova diretora da CVM, Luciana Dias, durante a cerimônia de posse.
Para isso, no próximo mês, a entidade irá colocar em audiência pública a revisão da portaria 409, para instruir os gestores dos fundos a divulgarem uma lâmina em seus sites com informações sobre todas as despesas pagas pelo fundo, como, por exemplo, gastos com corretagem, custódia ou agências de classificação de riscos (rating).
“Embora exista essa informação no site da CVM, ela não é “amigável” para o investidor. Então, a gente pretende colocar não só o que o fundo rende, mas também o quanto ele gasta para render aquilo”, afirmou Luciana.
Comparações
Segundo a diretora, a lâmina vai conter alguns exemplos comparativos, com informações e dados de uma aplicação fictícia de R$ 1 mil. “Se você tivesse aplicado R$ 1 mil em 1º de janeiro e não tivesse feito nenhuma movimentação, o fundo terá de dizer qual valor você resgataria no dia 1º de janeiro do ano seguinte, qual o valor das despesas e dos impostos”, diz Luciana.
O objetivo é que os investidores possam analisar os gastos do fundo e fazer a comparação com a rentabilidade, que também deverá estar disponível nesta lâmina. Com isso, segundo a CVM, será mais fácil escolher o fundo mais adequado para o perfil do investidor.
De acordo com a entidade, as propostas podem ficar em audiência pública por até três meses (o prazo mínimo é de um mês) e, depois, passarão pela aprovação do Colegiado da CVM. Entretanto, segundo Luciana, as alterações na instrução não devem entrar em vigor antes de 1º de janeiro de 2012.
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Prazo para resgate
Outro ponto que será proposto pela reforma da instrução é a mudança dos prazos de resgates dos fundos, que, atualmente, é de um dia após a solicitação pelo cliente (D+1).
Para a CVM, é preciso ampliar o prazo de resgate de alguns fundos, que vão ter menos liquidez, depois que os juros começarem a cair, como é esperado para o médio e longo prazos. Isso porque, com os juros mais baixos, os gestores deixarão de investir em títulos públicos ou outros instrumentos muito líquidos e o fundo de investimento não poderá garantir tanta liquidez para os seus cotistas.
“Em economias mais maduras, você tem o resgate em até seis meses, você diz hoje que quer resgatar e dali a seis meses ou um ano você resgata aquele valor”, diz. Com isso, segundo Luciana, o gestor do fundo tem tempo de se desfazer dos ativos necessários para efetuar este resgate, sem prejudicar a rentabilidade do fundo.