Cartão de crédito: será que vale a pena consolidar suas dívidas?

Consolidação só compensa se permitir redução dos gastos financeiros; caso contrário, pode piorar ainda mais a sua situação

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SÃO PAULO – Mais práticos e seguros, os cartões têm garantido espaço na vida das pessoas. Diante de tanta comodidade e da maior facilidade para obtê-los, são cada vez mais comuns os casos de pessoas que acumulam vários cartões.

Sem saber administrá-los corretamente, estas pessoas acabam perdendo o controle dos seus gastos e, não raro, acumulam dívidas. Nessas horas, vem a pergunta: será que vale a pena consolidar as dívidas dos vários cartões?

Não existe uma resposta única, já que a consolidação pode sim ser vantajosa em alguns casos. Porém, em outros pode acabar piorando ainda mais a situação.

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Qual o seu objetivo ao consolidar?

Antes de consolidar a sua dívida, analise com calma seus objetivos. Sua intenção é reduzir os juros? Reduzir o valor da prestação? Aumentar o prazo de pagamento?

Se sua intenção é apenas reduzir o valor da prestação, através do alongamento da dívida, é melhor pensar duas vezes. Nos dois casos, você vai acabar gastando ainda mais com juros, de forma que, ao invés de resolver, vai aumentar o seu problema! Por outro lado, se a sua intenção é rolar uma dívida mais cara a juros mais baixos, a transferência de saldo do cartão de crédito não é a opção correta, pois não ataca a raiz do problema – que é o fato de o seu saldo devedor crescer mais rápido do que sua capacidade de pagamento.

Você deve encarar a transferência, ou consolidação, de saldo como uma segunda chance que não pode ser perdida. Durante o período de carência a nova administradora está disposta a oferecer juros atrativos para ajudá-lo a resolver suas dificuldades financeiras. Ou seja, ela só deve ser considerada se permitir uma redução dos gastos totais com juros e, conseqüentemente, possibilitar a quitação da dívida.

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Não perca a sua 2ª chance

Não existe espaço para novos erros. Se você mantiver os velhos hábitos, e continuar gastando mais do que consegue pagar no cartão e, portanto, elevando todos os meses o saldo devedor, muito provavelmente a instituição pode optar pela adoção de uma taxa ainda mais alta depois do prazo de carência.

Lembre-se que o seu histórico de crédito como um todo está sendo analisado. Mesmo que você não atrase o pagamento do novo cartão, basta que não pague em dia uma outra conta, que os termos do seu cartão podem ser revistos. Daí a importância de você se informar, com antecedência, sobre que situações podem levar a uma revisão das taxas cobradas no seu novo cartão.

Qual cartão escolher?

Caso tenha decidido consolidar suas dívidas em um único cartão, avalie com cuidado todos os cartões que possui. Pesquise os termos e avalie as condições oferecidas pelos vários bancos emissores.

Sua preferência deve ser pelo cartão que oferece a menor taxa de juro. Porém, verifique antes as condições em que esta taxa é oferecida. Leia o contrato com atenção e esclareça todas as suas dúvidas. Alguns bancos oferecem juros mais baixos apenas por um determinado período de tempo, ou sobre parte do saldo devedor.

Nesse caso, pode valer a pena optar por um cartão que oferece uma taxa um pouco maior, mas por um período maior de tempo e sobre todo o saldo devedor. Faça as contas com calma e opte pelo que implicar em menores gastos com juros. Não incorra em mais gastos neste cartão, até que tenha pagado integralmente a sua dívida.

Cuidados na hora da transferência

O fato de você estar transferindo o saldo devedor de um cartão para o outro não significa que deva abandonar, por completo, o pagamento das antigas faturas. Enquanto o saldo não for transferido, e isso pode levar algumas semanas, você continua sujeito aos encargos do antigo cartão.

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Assim, é recomendável que se esforce, ao menos para pagar o valor mínimo exigido na fatura. Mantenha os pagamentos em dia desta parcela, afinal você não precisa gastar mais do que já deve com multa e juros por atraso, não é? Além disso, se você não mantiver esses pagamentos, a instituição pode achar que a sua situação piorou, o que pode levar a uma revisão dos termos inicialmente oferecidos.

Mesmo que tenha sido notificado da transferência pelo banco emissor do cartão no qual a dívida será consolidada, certifique-se de que isso efetivamente aconteceu. Entre em contato com a central de atendimento dos bancos emissores dos cartões de onde irá transferir saldo e confirme a transferência. Anote o nome das pessoas com quem falou. Peça um extrato final, que confirme a transferência.

Feito isso, cancele o antigo cartão! Não se sujeite à tentação de deixá-lo no fundo da sua gaveta, pois você pode acabar usando-o novamente. Isso sem falar que mantê-lo, provavelmente, significa pagamento de anuidade, e você não tem dinheiro para desperdiçar.