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SÃO PAULO – Em um País onde boa parte da população continua investindo na poupança, e ainda teme os fundos de investimento, aplicações na bolsa são tidas como assunto para especuladores. O medo deste tipo de investimento aumenta, sobretudo, em épocas como a atual, em que incertezas políticas fazem com que o mercado opere de maneira ainda mais volátil.
Porém, considerando a expectativa da maioria dos analistas de mercado, de que os juros devem cair em breve, muitos se perguntam se não seria o momento para direcionar uma parcela de suas aplicações ao mercado acionário. Mais do que conhecimento técnico específico, investir em ações requer uma boa orientação de especialistas, um horizonte de longo prazo e, é claro, sangue frio.
Nessas condições, o investimento em ações pode garantir uma excelente rentabilidade para seu patrimônio. Porém, muitas pessoas que investem nesse mercado ignoram essas condições e acabam perdendo dinheiro. São casos assim que desestimulam investimentos deste tipo.
Volatilidade preocupa investidores
O grande problema do mercado acionário é sem dúvida a volatilidade, que de um dia para outro pode aumentar o montante investido, ou simplesmente derrubar o valor de suas aplicações. Isso ocorre principalmente no Brasil, onde o mercado de renda variável ainda não é tão desenvolvido.
Em contrapartida, os investidores ainda pouco acostumados em investir em ações, anseiam em ver suas economias aumentando sem parar. Querem ficar ricos do dia para a noite, como se estivessem dentro de um cassino.
Quando o publicitário Guilherme Tibiriçá contou ao seu gerente do banco que desejava investir em ações, foi desestimulado pelo funcionário, que argumentou que não era o momento para esse tipo de investimento. Isso foi logo após o atentado terrorista em Londres, que desestabilizou temporariamente as bolsas no mundo inteiro. “Ele me disse que bolsa não era para mim, que os fundos DI rendiam mais e que eram uma maravilha”.
Quanto é necessário investir?
O segredo da aplicação em ações está intimamente ligado, além do prazo do investimento, à porcentagem de seu patrimônio que será aplicada. Para investidores mais conservadores, por exemplo, esse tipo de investimento não deve ultrapassar os 10%. Mesmo os mais agressivos não devem destinar mais de 30% de seu patrimônio. O restante deve ser direcionado para investimentos mais conservadores, cujo objetivo é proteger o seu patrimônio.
À medida que a hora da aposentadoria vai se aproximando, o investidor deve diminuir esses percentuais, concentrando-se em ativos de renda fixa. Durante esse período não vale a pena correr muitos riscos, já que você também dependerá desse dinheiro quando parar de trabalhar. Em outras palavras, você pode não ter tempo suficiente para esperar uma recuperação do mercado.
Quais os critérios para escolher os papéis?
Os analistas recomendam que mesmo os pequenos investidores devem saber onde estão pisando ao entrar no território das bolsas. Conhecer as empresas em que se está investindo é fundamental para garantir que seu dinheiro não vá por água baixo. Em primeiro lugar, deve-se escolher empresas sólidas, com um bom potencial de crescimento ao longo dos anos, não esquecendo de olhar para o setor que elas atuam.
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Alguns especialistas recomendam que, após montar sua carteira, é necessário deixar os jornais e a internet de lado e não ter o hábito de verificar a cotação das ações diariamente. Essa atitude trará maior tranqüilidade ao investidor, diminuindo as preocupações em épocas de queda das bolsas, e reduzindo a euforia quando o mercado estiver aquecido. A corretora de seguros Valéria Horácio Paes passou por um período de grande aflição após ter começado a cuidar de seus investimentos depois do falecimento de seu marido.
“Eu não cuidava desse departamento na minha casa. Só descobri que nós tínhamos ações depois que ele faleceu e aí então eu me interessei por isso”, explica Valéria. No começo não foi nada agradável lidar com as altas e baixas da bolsa, mas com o passar do tempo ela foi se desligando dos ativos e deixou-os guardados na gaveta.
Diversificação pode aumentar a rentabilidade
Investir em uma única ação não é a melhor estratégia, o melhor é criar uma carteira com várias ações, diversificando o montante aplicado e maximizando o potencial de valorização de seu dinheiro, sem correr grandes riscos.
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Se você não se sente confortável em montar e acompanhar uma carteira própria de ações, ou está começando agora, o melhor é investir através dos fundos de ações. Os fundos de ações aplicam os recursos captados, isto é, o dinheiro que você investiu em uma carteira diversificada de ações. Ao invés de gastar R$ 200 na compra de uma única ação você pode aplicar a mesma quantia em um fundo de ações, que investe em várias ações (formando uma carteira de investimentos) ao mesmo tempo.
Ao investir em várias ações, os fundos conseguem reduzir o risco do investimento, pois as perdas com uma podem ser compensadas com os ganhos em outras. Isto já não acontece se você comprar uma única ação com o mesmo dinheiro, pois você fica exposto ao desempenho deste papel.