Comprando carro novo: como não tornar seu sonho em um pesadelo

Seu sonho deve caber no seu bolso, portanto não comprometa mais que 30% do seu orçamento com a compra do seu carro novo

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SÃO PAULO – Uma das maiores paixões do brasileiro certamente é o automóvel. Mesmo quando o orçamento familiar não permite, a compra de um carro está entre as prioridades de boa parte dos brasileiros, que estão dispostos a qualquer sacrifício para realizar este sonho.

Carro não é investimento

Muitas pessoas erroneamente comparam a compra de um carro com a de um imóvel, como se ambos pudessem ser considerados uma forma de investimento. Contudo, ao contrário do imóvel, cujo preço pode valorizar dependendo de onde estiver situado, ou das melhorias que você fizer, no caso do automóvel a desvalorização começa na hora em que você tira o carro da concessionária.

Além disso, na compra de um imóvel existe sempre a opção de alugar, o que possibilita uma renda mensal que pode variar entre 0,7% e 1,5% do valor do imóvel dependendo do seu estado e localização. Desta forma, pode-se comparar a renda com aluguel ao pagamento de juros e/ou dividendos no caso das aplicações financeiras. Com base nisso, os gastos com a compra de um carro não podem ser vistos como um investimento, mas sim como despesas de consumo.

Quando não se deve comprar um carro

Se você não tem dinheiro para comprar o carro dos seus sonhos à vista, existem três opções: não comprar, comprar através de consórcio ou comprar financiado. Com as taxas de juros na faixa atual de 2,5-3% ao mês, a compra financiada não é recomendada, especialmente se a prestação do carro acabar comprometendo mais do que 30% do seu orçamento.

Lembre-se que, além das prestações do carro, você terá de gastar com seguro, IPVA, combustível e manutenção. Portanto, planeje-se para que os gastos totais com o carro não excedam 30% de seu orçamento.

Financiamento ou consórcio?

Se você está pensando em comprar um carro, mas não tem dinheiro para fazê-lo à vista terá de recorrer a uma das seguintes alternativas: financiamento (através de um leasing) ou consórcio. Mas como escolher entre os dois?

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A maior vantagem do financiamento é que você adquire imediatamente o carro, pois a empresa financiadora lhe fornece o dinheiro para isso. Em contrapartida, você é obrigado a devolver o dinheiro em parcelas, pagando juros. Na verdade, ao financiar o veículo, você não está pagando por ele, mas sim pelo dinheiro que lhe foi emprestado. Atualmente os juros cobrados no leasing de veículo variam, mas na média estão em cerca de 2,65% ao mês (dado do Banco Central de janeiro), por um prazo que pode chegar a 36 meses, mas em média é de 17 meses.

Já no consórcio, as empresas administradoras do consórcio, que funcionam como intermediárias neste sistema, cobram uma taxa de administração que varia entre 12% e 15% do valor do bem. A grande vantagem é que a taxa de administração pode ser amortizada durante a duração do consórcio. Portanto, se o consórcio tiver duração de 10 meses, na verdade você está pagando uma taxa de 1,2% a 1,5% ao mês, bem abaixo dos juros cobrados no financiamento de carros.

Algumas administradoras de consórcio também cobram uma taxa de fundo de reserva destinada a formar uma reserva em caso de saída de consorciado, o que encarece o negócio, mas diminui seu risco. Por último, pode ser cobrada uma taxa de adesão, que nada mais é do que uma antecipação da taxa de administração e, por isso mesmo, deve ser deduzida das taxas de administração cobradas mensalmente.

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Vale lembrar que no consórcio o único indexador aplicado é o valor do próprio bem, de forma que sua prestação pode aumentar ou cair em função disto. Já nos financiamentos, você está exposto à alta dos juros, que podem levar a um aumento substancial do custo das prestações.

Compra à vista sempre é a melhor alternativa

A melhor alternativa para compra de um carro é o pagamento à vista, pois é possível obter descontos bastante atrativos, especialmente depois de setembro quando entram os modelos do próximo ano.

Além disso, por estarmos em um período de desaceleração econômica, as montadoras não conseguiram vender todo o estoque desejado. Neste sentido, estão promovendo grandes liquidações para queimar seus estoques, nas quais é possível adquirir um zero km com vários acessórios, como ar condicionado, bancos de couro ou pintura metálica, gratuitamente.

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Lembre-se que, neste caso o preço de revenda do carro também será mais baixo. Mas se para você o que vale é o prazer de estar dirigindo um carro zero km, e não ter dores de cabeça com a manutenção – uma vez que as fabricantes oferecem garantia, esta pode ser uma ótima opção.

Sonho deve caber no seu bolso, senão vira pesadelo

Por último, é sempre possível adaptar seu sonho ao seu bolso, optando por um modelo mais simples ou até mesmo um seminovo, que pode custar até 25% a menos que o zero km e não necessariamente implica em altos custos de manutenção.

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Lembre-se que mais importante do que realizar um sonho é evitar que ele se transforme em um pesadelo. Antes de entrar em um financiamento ou consórcio analise com cuidado qual ao impacto das prestações no seu orçamento. Se mais do que 30% do seu orçamento forem comprometidos, talvez valha a pena refletir se não vale a pena adiar a compra até que você junte o suficiente para comprar à vista, ou pelo menos reduzir seu saldo devedor.