Mercado de escritórios de SP tem pior ocupação em 13 anos no 1º tri de 2021

Taxa de vacância do setor teve aumento de dois pontos percentuais em relação a dezembro, para 21,2% ao fim de março, aponta SiiLa

Mariana Zonta d'Ávila

(Getty Images)
(Getty Images)

Publicidade

SÃO PAULO – Com mais empresas sendo obrigadas a adiar a retomada do trabalho aos espaços corporativos, diante das medidas de isolamento social impostas pelo agravamento da pandemia  o mercado de escritórios segue apresentando aumento nas devoluções de imóveis e, consequentemente, na taxa de vacância.

De acordo com dados da consultoria SiiLA, a indústria de escritórios de alto padrão (A+ e A) na cidade de São Paulo registrou uma absorção líquida negativa de 31 mil metros quadrados no primeiro trimestre deste ano.

A absorção líquida corresponde ao volume de metros quadrados que são ocupados a mais (ou a menos, quando é negativa) em relação ao trimestre anterior, e atua como um indicador de crescimento ou retração do mercado em metragem quadrada ocupada.

Continua depois da publicidade

O resultado registrado entre janeiro e março deste ano representa o quarto trimestre consecutivo de queda nas ocupações e é o pior da série histórica da SiiLA, iniciada em 2008.

No primeiro trimestre de 2020, antes da exposição aos impactos da Covid-19, o mercado de escritórios de São Paulo havia registrado absorção líquida positiva de 19.651 metros quadrados. O quadro mudou a partir do período encerrado em junho, quando os dados foram negativos em 12.565 metros quadrados.

Leia também:
Os fundos imobiliários com os maiores aumentos e reduções de dividendos na pandemia

Nos três primeiros meses de 2021, mais de 100 mil metros quadrados no mercado de alto padrão de escritórios na capital foram devolvidos. Destaque para o movimento de companhias do setor financeiro, com nomes como Itaú, XP, Caixa Econômica Federal e a empresa de meios de pagamento Edenred, dona da Ticket.

O Itaú lidera a lista de devoluções, com 31.709 metros quadrados, em dois prédios no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Na sequência, aparecem Embraer, com 4.213 metros quadrados devolvidos, e XP Investimentos, com 3.304 metros quadrados, nas avenidas Juscelino Kubitschek e Faria Lima, também na capital paulista.

Desde o início da pandemia, a absorção líquida no mercado de escritórios de alto padrão é negativa em 97.546 metros quadrados, com 202,8 mil metros quadrados absorvidos e devoluções que somam 300,3 mil metros quadrados.

Continua depois da publicidade

Diante deste cenário, a taxa de vacância do setor teve aumento de dois pontos percentuais em relação a dezembro, para 21,21% ao fim de março. Antes da crise, no início de 2020, a taxa estava em 14,84%.

“A perspectiva é de que as saídas continuarão acontecendo nos próximos meses, em linha com a tendência de adoção de teletrabalho e do sistema híbrido”, escreve Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, em comunicado.

Para ele, esse movimento só não é mais intenso agora porque muitos locatários precisam aguardar o fim dos contratos para não arcar com multas pesadas.

Continua depois da publicidade

Novas locações

Entre as novas locações, a Enel lidera com 14.174 metros quadrados alugados na avenida Chucri Zaidan, seguida pelo grupo farmacêutico Roche, com 11.710 metros quadrados, na Chácara Santo Antônio, e pela Novonor (antiga Odebrecht), com locação de 5,9 mil metros quadrados na Chucri Zaidan.

Estoque

Apesar da devoluções de imóveis, entre janeiro e março deste ano, foram entregues 45.678 metros quadrados, o maior volume de metragem de novos edifícios desde o terceiro trimestre de 2020, segundo a SiiLA.

Com isso, o estoque de escritórios de alto padrão em São Paulo corresponde a 3.255.744 metros quadrados e, até o fim do ano, é esperado um crescimento de 230 mil metros quadrados na cidade.