Inadimplência chega a 13,8% em dezembro

Planejamento financeiro e retenção de gastos podem lhe ajudar a não fazer parte desse índice

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SÃO PAULO – Em dezembro do ano passado, o índice de inadimplência no Brasil ficou em 13,8%, maior nível desde junho de 2000. Os dados foram divulgados pelo Departamento Econômico do Banco Central, e revelam que boa parte dessa inadimplência veio de uma queda no nível de renda da população. Mesmo com menos dinheiro no bolso para gastar, o brasileiro deve evitar ao máximo contrair dívidas, especialmente em função do patamar que se encontram os juros no país.

Falta de controle nos gastos pode explicar a inadimplência

A origem de muitas dívidas está em consumismos exagerados, de pessoas que não têm controle sobre seus gastos e acabam postergando o pagamento de muitas compras. Sem dinheiro para pagar à vista, elas não resistem às vitrines das lojas, entram e pagam a conta em varias prestações. E não é difícil faltar fundos para cobrir as parcelas, o que obriga a esses consumidores a recorrer ao cartão de crédito ou ao cheque especial, pagando juros estratosféricos.

De acordo com o Banco Central, a média dos juros cobrados pelos bancos ficou em 60,2% em dezembro de 2001, o que representa um aumento de 7,6 pontos percentuais, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os juros das operações com pessoas físicas apresentaram um aumento de 5,3 pontos no período.

Quem não consegue se planejar para parcelas as compras, deve sem dúvida pagar as despesas à vista. Isso pode ser mais fácil e mais barato. Se você não tiver dinheiro no momento, a recomendação é esperar. Nem tudo é tão urgente assim. O ideal é que se estabeleça prioridade nos gastos.

Enxugando as despesas

Dívidas com juros altos têm um efeito arrasador: elas crescem numa proporção absurda. Se você está numa situação parecida com essa, chegou a hora de tomar alguma atitude. Não adianta esperar, porque as dívidas só tendem a crescer. Corte totalmente os gastos desnecessários, inclusive o telefone celular e a televisão por assinatura. Pare de comprar roupas e recicle as que você tem dentro do armário. Tenha em mente que quanto maior for seu esforço, mais rápido você sairá desse buraco. O sacrifício valerá a pena.

Com forte apego sentimental, muitas pessoas mantêm aplicações financeiras ao mesmo tempo em que estão endividadas no cartão de crédito, por exemplo. Nesse caso é ilógico continuar com os investimentos que pagam uma rentabilidade 10 vezes menor que os juros do cartão. É preciso ser frio e utilizar os recursos das aplicações para quitar as dívidas. Em algumas ocasiões vender o carro pode resolver o problema de muitos endividados. Troque seu automóvel por um modelo mais barato com menos opcionais, ou espere algum tempo até comprar um outro.

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Renegociando suas dívidas

Se mesmo cortando todos os gastos possíveis e re-alocando as economias para pagar as dívidas você não conseguir sair do endividamento, talvez valha a pena renegociar seus débitos com a financeira. As instituições financeiras chegam a oferecer descontos para os inadimplentes que queiram limpar o nome, tanto nos juros quanto no valor principal da dívida. O interesse dessas empresas é diminuir seu prejuízo, e também permitir a esse devedor um dia voltar a comprar a prazo.