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SÃO PAULO – Uma das razões pela qual os juros ao consumidor permanecem excessivamente altos é o alto nível de inadimplência registrado no país. Diante desta situação, está cada vez mais difícil obter um financiamento, de forma que os bons pagadores acabam tendo que arcar com juros elevados para compensar as perdas que as financeiras e bancos têm com os inadimplentes.
Produto deve beneficiar o “bom pagador”
Apesar da situação ser conhecida da maioria das instituições financeiras, ainda são raros os casos em que o bom histórico de crédito do consumidor permite o acesso a juros mais baixos. Esta situação deve mudar com o início de uma nova parceria entre a
Acrefi (Associação Nacional de instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos) e a Serasa.
Através da parceria será criado um cadastro de clientes, que são considerados bons pagadores. Com isto ganha o bom pagador, isto é, aquele consumidor que sempre paga em dia e tem um controle eficiente do seu orçamento, porém encontra dificuldades na hora do financiamento.
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Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
O produto será conhecido por Acrefi Positivo e deve ser lançado na primeira quinzena de maio. O intuito do projeto é reduzir os atuais níveis de inadimplência e oferecer aos bons pagadores taxas de juros menores em relação aos demais clientes.
Cliente deve autorizar divulgação de dados
As informações contidas no programa serão fornecidas pelos bancos e financeiras, que se interessarem em participar do projeto. Serão fornecidas informações a respeito, principalmente, da pontualidade nos pagamentos e do nível de endividamento dos clientes. Esses dados serão repassados ao Serasa, que será o responsável pela parte operacional do projeto. Para os bancos e financeiras terem acesso a estas informações, será necessário que o cliente autorize a divulgação dos dados.
Para o diretor do Acrefi, Leonardo Benvenuto, o número de pessoas que pagam em dia deve ser 20 vezes maior que o número de inadimplentes. Ele também acredita que, das 64 instituições filiadas a Acrefi, em um primeiro momento cerca de 50% das empresas irão aderir ao projeto. No longo prazo, esse percentual deve crescer.
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Analisando o perfil do cliente
Atualmente o sistema utilizado pelas empresas de crediário é baseado num modelo matemático, mais conhecido como score. Esse sistema avalia o risco de crédito baseado em padrões sócio-culturais, portanto, acaba avaliando os clientes de forma superficial, já que ele é classificado dentro de um padrão geral.
Em contrapartida, com o Acrefi Positivo, as financeiras poderão avaliar características mais específicas dos clientes. O projeto também beneficiará os bons pagadores, já que clientes com menor risco de inadimplência podem acabar barganhando melhores condições de pagamento.
Já existem instituições financeiras que oferecem produtos diferenciados de acordo com o perfil do cliente, mas esse tipo de oferta ainda está muito restrito. A expectativa é de que essa prática se consolide no mercado culminando na redução nas taxas de juros dos crediários. De acordo com a Crefisa, a estimativa é que as taxas médias passem de 6% no crediário pessoal, para valores entre 2% e 3%, com o início das operações de crediário.
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Quanto maior o prazo, maior a inadimplência
A inadimplência nas operações de crediário pessoal continua elevada. Segundo a Acrefi, a inadimplência nas operações de crédito pessoal acima de 90 dias passou de 4,96% em março do ano passado para 8,61% em março desse ano, já as prestações com atraso de 31 a 90 dias passaram de 3,23% para 3,75% no mesmo período.
Entretanto, os crediários com atraso de 15 e 30 dias, a inadimplência caiu de 2,97% para 2,73% em março. No ano passado, a carteira de operações de crédito pessoal era de R$ 18,045 milhões, em março de 2002 esse valor passou para R$ 23,973 milhões.
Um dado interessante sobre a inadimplência se refere ao tempo de atraso, em geral quanto maior o prazo de financiamento, maior é a inadimplência. Esse tipo de comportamento já foi verificado em diversas pesquisas sobre inadimplência e reflete a ausência de planejamento dos consumidores. A maioria dos consumidores continua gastando mais do que deve, ou criando dívidas sem se preocupar em como irá pagar.