Brinquedos encarecerão 20% no Natal, com nova norma do Inmetro

Conforme o Icepex, o custo que as empresas têm com a análise dos itens triplicará - para nacionais e importados

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SÃO PAULO – Aparentemente, a nova norma do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) sobre certificação não afetará os preços dos brinquedos – nacionais e importados – para o Dia das Crianças, porque os lotes já foram despachados ao comércio, ainda com a fiscalização antiga. Por outro lado, a situação deve ficar crítica no Natal, com encarecimento na ordem de 20% para esses produtos.

O Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex) prevê que o custo que as empresas têm com a análise dos itens triplicará, resultando no repasse ao consumidor. “Isso é apenas uma projeção, pode ser que a alta seja maior ou menor. Mas o Dia das Crianças não deve ser afetado porque os lotes já foram comprados”, justificou o diretor-presidente do instituto, Sérgio Diogo.

Sumindo das prateleiras

Foi determinado no dia 27 de agosto que os brinquedos importados devem passar por certificação lote a lote, em vez de quatro a seis meses, por meio de amostras. Para as produções brasileiras, serão duas possibilidades: a certificação por lote ou pelo selo de qualidade, o ISO 2001 – cuja liberação demora cerca de quatro meses. O processo, portanto, ficará mais caro e, provalmente, mais demorado. “Hoje são oito dias para a liberação do produto. Esse total pode saltar para 20 dias”, adicionou Diogo.

Dessa forma, importados destinados à baixa renda, com preço de até R$ 10, devem desaparecer das prateleiras. “Pelo valor agregado, o custo da certificação e ensaios pode não compensar, podendo ficar, inclusive, mais caro que o próprio produto.” Em outras palavras: esses produtos deixarão de ser trazidos ao Brasil – ao menos que oficialmente.

“Deve aumentar o volume no camelô, trazido de forma clandestina”, disse o diretor-presidente do Icepex, detalhando que, dificilmente, brinquedos com essa característica contarão com o selo do Inmetro.

Aumento maior

A Associação Brasileira dos Importadores de Brinquedos (Abrimpex), que reúne 30 empresas, prevê um encarecimento ainda maior, na ordem de 30% a 40%. “Antes o custo da certificação em grandes empresas era pequeno, mas passará a ser grande com a nova forma”, explicou o presidente da entidade, Eduardo Benevides.

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Em entrevista concedida recentemente à InfoMoney, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) afirmou que as mudanças não vão atrapalhar o mercado e são importantes, por reduzirem o risco de acidentes, como ocorrido recentemente com brinquedos da Gulliver e da Mattel. E tudo isso sem gerar aumento de custo.

Caso Mattel

No que diz respeito ao caso Mattel, a Abrinq estima que cerca de 30% das vendas correspondem a produtos vindos do exterior, sendo que 5% são produzidos pela multinacional em questão. Na avaliação do presidente da associação, Sinésio Batista da Costa, a medida é positiva, porque traz de volta a confiança para as compras. Por meio de sua assessoria de imprensa, o executivo explicou que os constantes anúncios de recalls feitos nos últimos meses tiram a credibilidade da indústria.

A Abrimpex, por sua vez, lembra que as fabricações da Matell – como as bonecas Barbie e Polly, além de produtos das marcas Batman, Superman e Max Steel – são destinadas às classes C e B, fazendo, portanto, que seus preços já sejam maiores do que a média.

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Opinião contrária

O presidente da Mattel, Alejandro Rivas, prevê o contrário.

“Me sinto frustrado e discriminado por essa decisão arbitrária do governo de proibir a entrada de brinquedos importados da Mattel no Brasil. Quem sofrerá as conseqüências serão os consumidores que gostam dos produtos Mattel. Não dá para imaginar um Dia das Crianças sem Barbie, Batmans, Pollys e Max Steels e outros brinquedos que nós produzimos. Por isso, os varejistas que ainda possuem esse produtos em estoque deverão aumentar os preços, para compensar no valor a falta dos brinquedos”, afirmou recentemente.