A partir de 2008, trabalhador terá incremento de 2% na renda

Motivo, segundo o IBPT, é ausência do impacto da CPMF sobre os salários e consumo. Governo defende tributo

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SÃO PAULO – A renda do trabalhador brasileiro deve ter um incremento de 2% a partir do ano que vem. O motivo, segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) é o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). O Senado vetou a prorrogação do tributo na madrugada desta terça-feira.

Segundo o presidente da entidade, Gilberto Amaral, isso ocorre não somente pelo pagamento direto da alíquota de 0,38% sobre movimentações financeiras, mas também pelo indireto. “A CPMF é cobrada em cascata, abrangendo produção, comercialização, entre outros. Então paga-se um preço por isso”, explicou.

Baixa renda

Os mais beneficiados serão aqueles que recebem até R$ 500 mensais. Como a baixa renda consome praticamente todo seu orçamento, tem uma parcela significativa do dinheiro direcionada a tributos e impostos cobrados sobre o consumo. A CPMF para essa fatia da população, por exemplo, é de 2,4% “No caso de quem ganha R$ 100 mil, por exemplo, o peso cai pela metade”, adicionou.

A contribuição representa 1,7 ponto percentual da carga tributária, que supera os 35% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Dessa forma, segundo o IBPT, mercadorias têm um incremento médio de 1,7% em seu preço, apenas por conta da alíquota.

Arrecadação das empresas

De acordo com o Ministério da Fazenda, 72% de toda a arrecadação da CPMF vêm de empresas. Outros 22% são recolhidos pelas maiores faixas de renda – sendo que, na composição desse total, 17% daqueles com ganho mensal acima de R$ 100 mil.

A população com renda intermediária responde por 5% do total, enquanto que os mais pobres ficam com 2%. Neste ano, o governo deve arrecadar R$ 36 bilhões com o tributo. “A CPMF incide universalmente sobre a economia informal e tem outras vantagens como o combate à lavagem de dinheiro, o baixo impacto nos preços dos produtos, a facilidade no recolhimento para o contribuinte e para a fiscalização”, informou o estudo do ministério.