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SÃO PAULO – De acordo com relatório divulgado na quarta-feira (13) pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), haverá um aumento na produção mundial de cereais em 2008. Mesmo assim, os preços internacionais da maioria desses alimentos continuarão subindo e, em alguns casos, batendo recordes.
Para se ter uma idéia, no ano passado, os preços dos alimentos no Brasil sofreram alta superior ao dobro da inflação geral: enquanto o índice como um todo ficou em 4,6%, o que mede a valorização desses produtos ficou em 10,65%, segundo o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
O estudo justifica o aumento da produção com a expansão das plantações de inverno de cereais e o bom tempo para os produtores da Europa e EUA.
Preços mundiais
Com reservas cada vez mais escassas, a forte demanda por cereais mantém a pressão para o aumento dos preços internacionais. “Os preços elevados dos alimentos e a incerteza dos mercados se converteram em importantes preocupações mundiais”, disse Henri Josserand, do Sistema Mundial de Informação e Alerta da FAO.
No caso do trigo, por exemplo, os preços no mundo todo subiram cerca de 83% em janeiro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Para conter esta alta, aqui no Brasil, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidiu reduzir a zero a TEC (tarifa externa comum) do produto comprado de fora do Mercosul. Expectativa da Abitrigo (Associação Brasileira das Indústrias do Trigo) é de que a medida alivie a pressão no preço dos derivados, como o macarrão e o pão.
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Comércio mundial
Mesmo com os preços altos, a previsão é de que o comércio mundial de cereais alcance níveis máximos em 2007/08, devido ao aumento da demanda por cereais considerados secundários – todos, com exceção do trigo e arroz, especialmente os destinados a ração na União Européia.
Sobre as importações, haverá diminuição de 2% em volume para os países mais pobres, mas as altas dos preços dos alimentos e do custo do transporte farão com que o gasto com essas importações aumente em 35%, pelo segundo ano consecutivo.
Com relação à América do Sul, o estudo ainda citou o fato de grandes inundações terem afetado mais de 42 mil famílias na Bolívia e grandes zonas de cultivo, que se perderam totalmente.