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SÃO PAULO – Segundo o professor de economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), Fábio Gallo, fazer um rigoroso controle de gastos é a única medida a ser tomada pelo consumidor para amenizar os efeitos da crise dos alimentos.
“Por se tratar de uma situação ímpar, com os aumentos atingindo especialmente produtos essenciais à alimentação dos brasileiros, como o arroz, a única alternativa para o consumidor, principalmente o de baixa renda, é controlar rigidamente o orçamento. Anotando os gastos e planejando como gastar o dinheiro”.
Para o professor, é importante reavaliar as intenções de compra e verificar se não há gastos desnecessários. “Se a pessoa pretendia comprar um eletrodoméstico, por exemplo, e assumir dívidas, é melhor pensar se este é o momento ideal. Outra medida importante é verificar se não há gastos desnecessários, como itens na conta de telefone que nunca ou raramente são utilizados”.
Apesar dos aumentos se concentrarem nos itens básicos, o consumidor não deve se descuidar dos alimentos sazonais, como frutas e hortaliças, que têm produção e preços influenciados por safra e clima. “Neste caso, a melhor opção é optar por produtos da época e por aqueles mais resistentes, para não pagar mais caro”, explica o economista da Ceagesp, Flávio Godas.
Mudança de hábito
Mesmo com o faturamento registrando alta de 7,63% entre os meses de janeiro a abril, na comparação com o mesmo período de 2007, o volume de vendas dos supermercados começou a cair. A explicação, de acordo com o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Sussumu Honda, seria a alta dos alimentos.
As vendas reais dos supermercados brasileiros diminuíram 12,59% no quarto mês do ano. Para o economista do IEA (Instituto de Economia Agrícola), José Sidney, o aumento em torno de 30% na renda das pessoas mais pobres, que estava sendo destinado à compra de supérfluos, voltará a ser revertido aos alimentos.
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“Nos últimos anos, a renda de 20 milhões de brasileiros cresceu em torno de 30%, mas agora as classes mais pobres terão seu orçamento mais comprometido com a compra de alimentos, isso deve fazer com que a aquisição de supérfluos diminua”.
Nos supermercados, segundo Honda, essa mudança de atitude já está sendo sentida. “A classe C, por exemplo, tinha inserido os lácteos na cesta de compras, como queijos e iogurtes. Agora, com a inflação, estes produtos têm sido deixados de lado”.
Números
Segundo dados do ICV (Índice de Custo de Vida) divulgado na última quinta-feira (5) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), a inflação dos alimentos na cidade de São Paulo foi de 14,17% no açulado dos últimos 12 meses.
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Os produtos que mais aumentaram foram: arroz, feijão, carne, óleo, derivados do trigo e leite. Quem mais sentiu esse aumento foi a população de baixa renda, com rendimento médio de R$ 377,49 por mês.
Para esse grupo, o peso da alimentação é de 36,6% do orçamento. Em maio, o custo de vida desta população avançou 1,28%, sendo que os alimentos contribuíram com 1,03 ponto percentual para esta situação.