Preço do vinho já caiu 15% desde 2007

Queda do dólar, aumento do consumo e melhor aproveitamento do transporte são responsáveis pela redução nos preços

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SÃO PAULO – Com a chegada do inverno, as bebidas refrescantes perdem espaço e o vinho se torna uma das opções mais requisitadas para o acompanhamento das refeições. Profissionais do ramo apostam que, neste inverno, o consumo será ainda maior. “Eu particularmente acredito em um aumento de 30% nas vendas da bebida”, afirma o proprietário de duas franquias da Expand, Leonardo Pavesi.

Ele explica que há uma série de fatores beneficiando o consumo da bebida no Brasil. “Além do clima, estamos observando uma baixa nos preços e uma mudança na cultura, já que a bebida está, cada vez mais, caindo no gosto popular”, afirma.

O empresário conta que a queda do dólar, o aumento no consumo e a maior quantidade comprada – que reduz os gastos com transporte – são os principais motivos para a baixa dos preços. “De 2007 até agora os preços da bebida já caíram, em média, 15%. Alguns vinhos tiveram quedas ainda maiores. Temos produtos na loja que estão 30% mais baratos agora do que no ano passado”.

Preços menores

Pavesi explica que a valorização do real frente o dólar influencia nos preços. “Os preços já reduziram em razão da queda do dólar e poderemos sentir essa influência até o próximo ano, porque é comum neste setor que os contratos sejam fechados por tempos longos. Então, há lojas recebendo mercadoria agora com preço fechado em 2007. Só que nos novos contratos, que durarão até 2009, os preços serão influenciados pelo atual patamar do dólar”.

No entanto, Pavesi explica que os benefícios da queda do dólar não durarão por muito tempo, mesmo que a moeda continue se desvalorizando. “Essa redução vai influenciar os preços no máximo até 2009. Porque os vendedores já se deram conta da desvalorização da moeda e estão começando a negociar em euro”, conta.

Mas há outros fatores que contribuem para a redução. Para o empresário, os próprios brasileiros também são responsáveis pela queda. “Quanto mais a população consome, mais as lojas compram, e todo mundo sabe que, quando se negocia em grandes quantidades, se consegue um preço melhor. Por causa do grande consumo, Nova York, por exemplo, consegue importar vinhos com preços menores que os praticados nos próprios países em que a bebida é produzida”.

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O terceiro motivo para a redução é o melhor aproveitamento do transporte e, conseqüentemente, a menor incidência de frete no preço final. “Com o maior consumo, aproveitamos melhor o transporte. Antes, encomendávamos mercadorias que ocupavam apenas meio contêiner e pagávamos por ele todo. Hoje, conseguimos lotar o transporte e, assim, o repasse em cada garrafa é menor”.

Tíquete médio

Piovesan conta ainda que o tíquete médio por consumidor em sua loja gira em torno de R$ 70. “Já é um bom valor. Muitos podem questionar, dizendo que os bons vinhos custam muito mais. Mas existem bons vinhos mais baratos também. E o importante é que as pessoas estão cada vez mais apreciando a bebida. Hoje, há cem pessoas tomando vinhos de mais de R$ 100 e mil pessoas comprando garrafas que custam menos de R$ 100. E isso é muito importante, porque, quando a pessoa começa a apreciar uma bebida, ela começa a querer conhecer mais e experimentar mais, e isso amplia o mercado. Com um mercado em expansão, ganhamos nós, que vendemos mais, e ganha o consumidor, que consegue pagar menos”, finaliza.