Realidade: consumidor não conhece preço das mercadorias que compra

Razão é simples: as pessoas têm mais o que fazer do que ficar decorando todos preços de lojas diferentes

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SÃO PAULO – De acordo com pesquisa da The Nielsen Company, os fatores que os clientes dizem que levam em conta na hora de escolher por uma loja ou supermercado são: preços (60%); qualidade dos produtos (28%); proximidade (23%); conveniência, fator que engloba estacionamento (14%); e uso de sacolas recicláveis (9%).

No caso particular dos consumidores americanos, os três itens que mais os atraem a uma loja são: promoções e descontos freqüentes, com 80%; reputação da empresa, no que se refere a preços baixos, com 72%; e os preços publicados nos folhetos promocionais da loja ou supermercado, com 71%.

Na realidade, entretanto, consumidores, no geral, têm pouco conhecimento de preços e, no lugar de reagirem aos custos dos produtos em si, reagem a indicativos de preços, que são aqueles cartazes e sinalizadores espalhados nas lojas e supermercados que mostram que determinada mercadoria está em promoção.

A afirmação foi feita pelo professor de Marketing da Kellogg School of Management, da Northwestern University, Eric Anderson, estudioso do assunto que presta consultoria em diversos países. Ele se baseia em inúmeras pesquisas realizadas com consumidores de diferentes nacionalidades com o objetivo de medir o conhecimento de preço deles.

Ilusão permeia ato de compra

“Cinqüenta anos de evidências nos mostram que o consumidor não sabe o quanto exatamente custa cada produto que compra. Por uma razão simples: ele tem mais o que fazer do que ficar decorando todos os preços de lojas. Mas, se as pessoas não reagem a preços, a que eles reagem? A indicativos de preços”, explicou Anderson a varejistas, durante a 42ª Convenção Abras, na semana passada.

Ele divulgou os resultados de uma pesquisa sobre o assunto, realizada por um grande varejista americano, acerca de 192 produtos que custavam entre R$ 2 e R$ 8. A conclusão é de que apenas 17% dos entrevistados chegaram perto dos preços reais.

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A surpresa é que não apenas consumidores foram contemplados pela pesquisa, mas funcionários também, o que revela que até mesmo as pessoas que trabalham nos supermercados não têm conhecimento acerca dos preços dos produtos. “Por isso, clientes são, frequentemente, mais sensíveis a indicativos de preços do que a mudanças reais de preços”, finalizou.