Oscilações do dólar ainda não impactam nos preços de computadores

Segundo especialista, atuais estoques garantem preços mais baixos; ainda é cedo para rever projeções de vendas e de preços

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SÃO PAULO – Você estava pensando em comprar um computador novo e já estava com o dinheiro na mão? Então, de uma hora para outra, veio esta fase de oscilações bruscas do preço do dólar frente ao real e frustrou suas intenções? Na opinião de Luciano Crippa, analista de mercado da IDC consultoria, o melhor que você pode fazer no momento é ter cautela e manter seus planos.

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Em primeiro lugar, suas preocupações são corretas. A alta do dólar realmente influencia no preço dos computadores, pois as peças importadas que compõem as máquinas representam algo em torno de 70% a 80% do total. Entretanto, segundo Crippa, embora ainda seja cedo para sabermos “onde estamos pisando”, o preço final dos computadores não deve ser imediatamente afetado.

O analista explica que ainda existem no varejo estoques de computadores da época em que o dólar estava cotado a R$ 1,60, ou R$ 1,70, ou seja, o consumidor pode pagar mais barato, mesmo com a ascensão do dólar. Além disso, mesmo com eventuais elevações no custo de fabricação dos computadores, existe a possibilidade de os fabricantes não repassaraem ao consumidor, para conseguirem vender seus estoques.

Portanto, se seus planos envolviam um montante já economizado, para uma compra imediata, a recomendação é mantê-los. Crippa alerta que, caso o consumidor resolva esperar a turbulência passar, guardando o dinheiro para comprar o computador mais tarde, pode ser – e isso não implica em certeza – que o dólar fique estabilizado em um patamar mais alto, e falte dinheiro para complementar o novo preço.

Rumos parcialmente conhecidos

Para Crippa, ainda não é possível ter precisão para estimar o rumo do mercado de computadores, nem para rever previsão de vendas ou de preços. “Nenhum dos fabricantes tem certeza do que pode acontecer. Será preciso, pelo menos, mais duas semanas para que a situação se estabilize e os fabricantes possam repassar os novos objetivos”, afirma.

Quanto a outras variáveis que influenciam a venda de computadores, o analista afirma que uma das mais importantes é o crédito. “A informática tem sido um segmento muito focado na classe C, a qual é dependente do crédito para as compras. E, por enquanto, embora já esteja acontecendo em outros segmentos do mercado, ainda não há notícias de redução do crédito para a compra de computadores”, avalia.

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“O mercado de computadores está muito aquecido”, diz Crippa, em grande parte por causa da maior participação da classe C nesse segmento. E a única previsão possível de ser feita, segundo o analista, é que o mercado deve continuar crescendo. “As pessoas vão continuar querendo comprar seu computador”, conclui.

Projeções atuais

Para o ano de 2008 a projeção da IDC é de 13 milhões de computadores vendidos, aí incluídos os notebooks, segmento que vem se destacando, de acordo com Crippa. O crescimento esperado das vendas de PCs é de 28% em relação a 2007. Já as vendas de notebooks devem aumentar mais de 100%.

Segundo o analista da IDC, o bom desempenho dos computadores portáteis deve-se ao fato de que o segmento ainda está muito atrelado ao consumo das classes A e B, que não são afetadas pela crise nas mesmas proporções que as demais classes, já que suas compras não dependem tanto da concessão de crédito para financiamentos.