Dia das crianças: preços de brinquedos e eletrônicos não sofrem impactos da crise

Mercado de importados abastecido e concorrência no varejo de produtos nacionais seguram o aumento dos preços

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SÃO PAULO – Não tirem as crianças da sala! As notícias são boas. Apesar de algumas duras condições impostas ao mercado pela crise – como inflação e valorização do dólar – os preços dos presentes para o Dia das Crianças e o Natal não devem sofrer grandes impactos. A projeção é do economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz.

Como ficam as compras?

Nos últimos 12 meses, os brinquedos, que ocupam o topo de qualquer lista de pedidos, registraram variação negativa de -4,79% para o aumento dos preços, segundo levantamento feito pelo economista. Os videogames, por exemplo, experimentaram variação de -10,15% no período.

Acontece que estes mesmos itens são, em sua maioria, importados. E, ao cruzar esta informação com o fato do dólar estar aumentando seu valor em relação ao do real, o resultado é uma dor de cabeça ao antever os gastos dos próximos meses, certo? Muita calma. O economista da FGV estima que o consumidor deve encontrar preços mais constantes para os brinquedos até o fim do ano.

“O mercado já está abastecido para estas datas com produtos comprados a um câmbio menor que o atual”, explica Braz. Isso envolve, inclusive, os eletrônicos, como computadores e videogames. Segundo ele, o câmbio mais baixo dos últimos meses aqueceu o mercado e favoreceu a compra pelos fornecedores e a formação de estoques.

Mesmo os produtos nacionais não tendem a ficar mais caros com a chegada do Dia das Crianças e das festas de fim de ano. Embora a época aumente a procura pelos presentes, a concorrência entre as lojas do varejo devem estabilizar o aumento dos preços.

“Os consumidores podem tirar vantagem desta característica do mercado, pesquisando as melhores ofertas”, lembra Braz. Existem, inclusive, diversas páginas da internet que permitem a rápida comparação de preços de uma infinidade de produtos entre as maiores lojas do varejo.

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Preços mutantes

Mas nem tudo coopera. Algumas das atividades preferidas pelos pequenos, dentre elas parques, circos, ringues de patinação e outros tipos de shows, sofreram aumento razoável de preços nos últimos anos. Apenas entre outubro de 2007 e setembro de 2008, os ingressos para essas atrações sofreram aumentos de preço da ordem de 25%.

Braz explica que, por se tratarem de atividades que passam por grandes transformações a cada temporada, os preços também tendem a variar muito. “Nos teatros, por exemplo, a estrutura dos shows e peças varia bastante, e os gastos com atores, cenário, dentre outros, acabam incorrendo em gasto para o consumidor”, afirma.

Não é possível prever

A instabilidade característica das atividades de recreação citadas faz com que não seja possível fazer projeções, ou estudar comportamentos característicos dos preços. Aliás, incertezas também rondam as estimativas para os preços de produtos – principalmente os importados – para um período mais longo do que o fim do ano.

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“A tendência atual é de volatilidade, e não dá para fazer prognósticos de quantidade de vendas ou de oscilações dos preços para um prazo muito grande”, conclui o economista.