“Câmbio não elevou preços esse ano, e não terá impacto em 2009”, diz FGV

Para o economista André Braz, a desaceleração da economia prevista para 2009 fará com que preços caiam

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SÃO PAULO – A elevação do dólar frente ao real, que no acumulado do ano até a última sexta-feira (19) era de 33,05%, não afetou os preços ao consumidor. A afirmação é do economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz.

“Se olharmos os preços de produtos típicos do Natal, como bacalhau, azeites e vinhos, podemos constatar que a volatilidade do dólar não afetou a inflação. Pelo contrário, alguns azeites e vinhos apresentam até deflação e o bacalhau subiu em média de 6% a 7%, bem menos do que a depreciação da moeda brasileira frente à norte-americana”.

Para Braz, parte dessas elevações moderadas se deve à redução dos preços das commodities, que compensa, em parte, a apreciação do dólar. “Produtos derivados de trigo e soja estão mais baratos e isso acaba equilibrando os preços”, explica.

Eletrônicos

O economista explica, ainda, que não são só os produtos alimentícios que não absorveram a elevação do dólar nos seus preços. “Produtos importados de alta tecnologia também não apresentam variação absurda. Ao contrário, televisores, DVDs, celulares e computadores estão até com preços menores. Tem loja fazendo promoção desses itens o tempo todo”.

Braz explica ainda que, “quando há influência da elevação, ela é pontual e não responde com grande peso sobre todos os itens de fabricação de um produto, por isso os repasses são bastante diluídos, dada a diversidade de serviços que acaba impactando na produção de um bem”.

Ainda de acordo com o especialista, isso faz com que não haja um temor sobre o impacto do dólar na inflação. “Nós acreditamos que essa influência não coloca em risco o controle da inflação. O peso da desvalorização do real frente a alguns produtos não tem sido grande, isso garante certa tranquilidade”.

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Tendência

O economista acredita ainda que, essa não influência da elevação do dólar nos preços ao consumidor é uma tendência e deve continuar em 2009.

“Não acredito que o cenário vá mudar no próximo ano. Aliás, eu acredito que o atual cenário deva ser mantido, até com uma certa tendência de queda. Eu não acredito em uma contaminação do câmbio no preço dos produtos”.

André Braz afirma, ainda, que crê que é possível que o consumidor veja preços caindo no próximo ano. “Não podemos esquecer que 2009 deve apresentar uma desaceleração da economia, o que deve tirar o fôlego de consumo de muitos brasileiros. Sem esse fôlego, cria-se uma tendência de redução de preços, afinal, as empresas precisam continuar vendendo, não é mesmo?”, garante o economista.