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SÃO PAULO – “Livro vende pouco porque é caro e é caro porque vende pouco. Enfim, é um ciclo vicioso”. Para combater esse ciclo, constatado pela presidente da Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro, Milena Duchiade, a Associação Nacional de Livrarias propõe que os livros sejam vendidos por um preço único.
A associação esteve presente em audiência pública na Câmara dos Deputados, ao lado de representantes de editoras, autores e livreiros na última quinta-feira (2), Dia Mundial do Livro Infantil, para discutir o projeto de lei que estabelece que os livros sejam vendidos pelo preço sugerido pelo editor, em todo País, sem diferenciações.
Para Milena, a proposta incentiva o surgimento de pequenas novas livrarias. Segundo ela, como são poucas as que sobrevivem nas ruas, as que existem se concentram nos grandes shoppings, onde os preços são mais elevados.
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O presidente da Associação Nacional de Livrarias, Vitor Tavares, é favorável à medida. “Nós sentimos realmente que esse fato de não ter boas e mais livrarias se deve à própria motivação do empresário. Ele não quer investir, porque existe uma concorrência muito agressiva”, afirmou.
Sem consenso
Para o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Mauro Koogan Lorch, no entanto, o problema não está na falta de livrarias, mas, sim, na “falta de dinheiro para ler livros”. Segundo ele, o preço único impede que as lojas façam promoções, o que dificultaria ainda mais a aquisição de livros.
E ainda falta muito para um acordo. “Estamos longe de decidir alguma coisa. Ainda temos que discutir muito sobre isso”, afirmou o presidente da Frente Parlamentar Mista da Leitura, deputado Marcelo Almeida.
A presidente do Sindicato dos Editores de Livros, Sônia Machado Jardim, vai mais longe. Para ela, a medida pode diminuir as vendas. “A gente compartilha a preocupação do pequeno livreiro de que às vezes o livreiro maior dá descontos muito agressivos ao consumidor final. Entretanto, isso de alguma maneira beneficia o leitor”, afirmou.
O projeto prevê que o preço único valeria em todos os canais de venda no varejo, como livrarias, supermercados, vendas por catálogo ou internet e apenas para lançamentos, por um período de 24 meses. Depois disso, a comercialização seria livre.
Com informações das Agências Brasil e Câmara