Vestuário: redução do ICMS paulista não chegará ao consumidor

De acordo com o presidente da Abravest, efeito da medida deve ser anulado pelo aumento significativo do algodão

Gladys Ferraz Magalhães

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SÃO PAULO – O consumidor não encontrará roupas mais baratas, por conta da redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) paulista, assinada na última sexta-feira (18) pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

De acordo com o presidente da Abravest (Associação Brasileira de Vestuário), Roberto Chadad, o efeito da medida, que, por sua vez, só beneficiaria uma parte do setor, deve ser anulado pelo aumento significativo do algodão, material utilizado na maior parte das roupas brasileiras.

“A maior parte dos produtos feitos no Brasil são de algodão, e o algodão subiu cerca de 170% em fevereiro. Teremos o preço alterado para cima, mas ainda não sabemos quanto, pois temos que esperar o que vai acontecer com as outras matérias-primas. De toda forma, isso vai anular os efeitos da desoneração”.

Desoneração
Assinados na última sexta-feira (18), os decretos que prorrogam os benefícios fiscais concedidos ao setor produtivo paulista são válidos até 31 de dezembro de 2012.

As medidas, segundo a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, beneficiam mais de 58 mil empresas de diversos segmentos industriais e têm como objetivo reduzir o custo de produção e estimular o crescimento da economia do estado.

No caso do setor têxtil e de vestuário, a medida prorroga a redução de base de cálculo incidente na saída de produtos têxteis, fazendo com que a carga tributária seja equivalente a 12% ou 7%. Além disso, ela inclui seis itens na lista dos beneficiados: fibras têxteis de comprimento não inferior a 5 milímetros, telas de alta tenacidade de poliéster, edredom, pufes, almofadas e travesseiros.