Restaurant Week é oportunidade subutilizada de marketing, diz organizador

Para o organizador da SP Restaurant Week, Emerson Silveira, poucos restaurantes estruturam ações de fidelização

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SÃO PAULO – Maior fluxo e diversidade de clientes, preços atrativos e possibilidades de fidelizar novos fregueses. A Restaurant Week, evento que ocorre até o próximo dia 3 de abril em São Paulo, e oferta cardápios com entrada, prato principal e sobremesa com preços padronizados, é uma boa oportunidade para que estabelecimentos atraiam novos públicos e tornem fiéis os clientes esporádicos dos estabelecimentos.

Não é o que ocorre, na maioria dos casos, no entanto. O organizador da São Paulo Restaurant Week, Emerson Silveira, diz que o evento é uma grande ferramenta de lucro, marketing e atração de recursos para o setor, mas lembra que a profissionalização do segmento, com contratação de pessoas adequadas para diferentes funções, como compras, contabilidade e marketing, ainda é uma realidade da minoria dos bares e restaurantes. “Temos que ter o bom senso de reconhecer que a maioria dos estabelecimentos tem como gestores os seus donos e que pouquíssimos contam com um orçamento anual e planejamento prévio para suas ações”, lamenta.

Silveira estima que cerca de 20% dos estabelecimentos que participam da São Paulo Restaurant Week contam com departamentos estruturados e estratégias de comunicação, que viabilizam a atração e fidelização de clientes nesta época. “Os outros 80% em geral trabalham com improviso, conforme a necessidade aparece. Há muita capacitação em andamento, mas o setor ainda precisa de orientação, estrutura e educação”, alerta.

Preparação
Para capacitar e orientar os proprietários dos estabelecimentos, um mês antes do evento, são feitas palestras sobre inserção nas redes sociais, propaganda, divulgação e estratégias. “Nossa ideia é sempre preparar o máximo de estabelecimentos, mas, neste ano, dos 300 restaurantes, 120 compareceram”, lamenta Silveira.

Mesmo que poucos usem as semanas do evento para estabelecer estratégias de marketing e fidelização que gerem resultados a longo prazo, o coordenador da São Paulo Restaurant Week lembra que essas datas são esperadas pelos proprietários. “O começo de ano tradicionalmente não é bom, e fevereiro deste ano foi um mês ruim, já que o Carnaval ficou para março. Todos estão precisando de uma injeção de ânimo, e a Restaurant Week promove esse incremento”, explica.

São esperados 450 mil visitantes na capital paulista e 700 mil em todo o estado. Segundo Silveira, é esperada a movimentação de R$ 50 milhões com o evento.

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Marketing
Mesmo para os estabelecimentos que não preparam uma estrutura própria de marketing e retenção de clientes, os preços promocionais e a atração de público mais expressivo pode ter dois lados, alerta Silveira.

Ele alerta que, mesmo sendo difícil projetar a movimentação demandada pela ação promocional, que os estabelecimentos devem treinar mão de obra, ter insumos e se preparar para receber um movimento mais expressivo no período, sob pena de virem a promoção gerar repercussão negativa. “É a velha máxima do mercado, se você gosta de um lugar, costuma falar para 3 ou 4, e se não gosta, fala para centenas. É natural que um erro ou outro aconteça, mas os gestores devem estar atentos para corrigir rapidamente os desvios de rota e não deixar o erro ganhar grandes proporções”, orienta.

Silveira diz ainda que o público dos restaurantes – e da Restaurant Week – está cada vez mais exigente. “Mas isso é bom, porque força os restaurantes a ficarem cada vez mais profissionais”.