Preço de combustíveis cairia, independentemente do governo, diz sindicato

Presidente do Sindicom afirmou que a queda dos preços se deve ao início da safra de cana-de-açúcar, sendo um efeito sazonal

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SÃO PAULO – Independentemente da ação do governo, que teria forçado uma redução nos preços dos combustíveis comercializados nos postos da BR Distribuidora, os preços cairiam naturalmente, segundo avalia o presidente do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), Alízio Vaz.

Em entrevista à Agência Brasil, Vaz afirmou que a queda dos preços dos combustíveis se deve ao início da safra de cana-de-açúcar, sendo um efeito sazonal.

“Todos (os revendedores) já estão baixando (os preços), independentemente de qualquer manifestação (governamental). E baixaram, como todos os anos. É sempre assim: a safra (da cana) começa e os preços despencam, tanto da gasolina quanto do etanol”, diz.

Ainda na opinião de Vaz, os fatores que podem produzir alguma diferença no preço final do etanol e da gasolina são os impostos estaduais, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e o custo do transporte.

O Sindicom representa as principais companhias distribuidoras do país, que respondem por mais de 80% do volume de combustíveis e lubrificantes que chegam aos pontos de revenda.

Queda
No que diz respeito à velocidade da queda do preço nas diferentes partes do país, os consumidores de São Paulo devem ser os primeiros a notar a redução no bolso, já que o estado é o principal produtor de biocombustíveis do país e sede de uma das maiores refinarias da Petrobras (Paulínia). Nas localidades mais distantes, a queda pode demorar um pouco mais.

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“E, locais mais distantes , como Rio Grande do Sul e Rondônia, a queda pode ser mais demorada, uma vez que o produto demora mais para chegar. Mas é uma diferença de dias ou semanas”, explica Vaz.

Sobre o assunto, o diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues, informa que o início da safra de cana-de-açúcar já começou a reduzir o preço do etanol recebido pelo produtor, em torno de 40% em sete semanas. Entretanto, o valor repassado para o consumidor ainda é pequeno, em torno de 4%, o que demonstra que a queda deve ser gradativa.

Apesar disso, Rodrigues afirma que o setor está comprometido com a queda dos preços dos combustíveis, já que 64,62% da quantidade de cana processada destinou-se à fabricação de etanol, percentual 59,18% superior ao observado em igual período da safra anterior. “A priorização do etanol neste início de safra é um reflexo claro do comprometimento do setor sucroenergético para o restabelecimento da normalidade no mercado de etanol combustível”.