Preços administrados podem desacelerar inflação em SP neste ano

Dieese aponta que ainda faltam reajustes importantes em taxas impostos, mas eles podem ser baixos e influenciar queda do ICV

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SÃO PAULO – A inflação dos preços públicos e administrados na cidade de São Paulo ficou acima do aumento de preços medido pelo ICV (Índice de Custo de Vida), do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), nos cinco primeiros meses deste ano. Mas pode ser o principal fator de desaceleração da taxa média nos próximos meses.

Para calcular o custo de vida na cidade, os pesquisadores avaliam a formação de preços de 540 itens, que são divididos em dois grupos principais: preços públicos ou administrados e preços de mercado.

Até maio, enquanto o índice geral na capital paulista apontou para uma inflação de 3,48%, os preços públicos e administrados apresentaram alta de 5,75%. “O que preocupa é saber quais as taxas a serem aplicadas nos serviços que, em 2011, ainda não foram ajustados e que aguardam acordos governamentais, tais como energia elétrica, água e esgoto, telefonia e gás de cozinha”, avaliaram os pesquisadores.

Apesar disso, eles acreditam que, se esses reajustes que faltam ser feitos ficarem em um patamar baixo, é possível que a inflação geral da capital paulista desacelere. Neste ano, dentro desse grupo, os principais reajustes ocorridos foram com as taxas do correio (7,15%), transporte coletivo (9,4%) e combustível (12,7%).

Os pesquisadores calculam que ainda haverá impacto na inflação do reajuste do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), de 9,35%, por conta do parcelamento do imposto.

Preços de Mercado
Se o reajuste dos preços públicos e administrados ficou acima da inflação média, a taxa para os bens e serviços do grupo mercado ficou abaixo. Nos cinco primeiros meses do ano, os preços do grupo composto por bens e serviços cujos preços são formados livremente, pela concorrência, oferta e demanda, apresentaram alta média de 2,88%.

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Dentro do grupo, apenas o item serviços apresentou alta acima da inflação geral média, de 3,74%. Já o item bens apresentou aumento de 2,14%. As maiores altas ocorreram com cigarros (4,97%) e medicamentos (4,72%). Outras contribuições importantes neste ano ocorreram na educação, que subiu 5,99%, e alimentação fora de domicílio (5,73%).

“Cabe salientar que estes produtos de consumo não devem sofrer maiores aumentos até o final de 2011, pois é de praxe apenas um reajuste anual. Ao se observar a lista dos demais bens, nada sugere que venham a ter grandes pressões inflacionárias”, avaliaram os pesquisadores.

Inflação
Em maio, a inflação medida pelo ICV ficou em 0,04% em maio. Um mês antes, em abril, a inflação registrada foi de 0,80%. De acordo com o Dieese, o grupo Transporte, com recuo de 1,33%, foi o que mais influenciou a desaceleração da inflação na capital paulista. No período, os combustíveis, com queda de 3,25%, influenciado pelo recuo de 14,14% do álcool e de 0,36% do diesel, foram os itens que mais aliviaram o bolso do consumidor.

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No acumulado dos últimos 12 meses – entre junho de 2010 e maio de 2011 -, o custo de vida na cidade de São Paulo avançou 7,21%, enquanto que no ano a alta é de 3,48%.