Em mercados

Três grandes testes de Temer e tensão EUA/Coreia "colocarão fogo" no mercado na próxima semana

Enquanto no exterior segue a disputa geopolítica, por aqui Temer enfrentará novos testes para mostrar força no Congresso

SÃO PAULO - Após um forte mês de julho, este mês parecia que o mercado iria manter o bom ritmo e o otimismo com o cenário doméstico, mas uma combinação de tensão externa e novidades desagradáveis em Brasília pressionaram o Ibovespa nos últimos dias. E a próxima semana promete manter a agitação no mercado.

Entre toda movimentação em Brasília, três grandes eventos devem ser o centro das atenções dos investidores, como os grandes testes do governo no período. O primeiro, na segunda-feira (14), é a revisão da meta fiscal para 2017 e 2018.

Segundo diversos veículos de imprensa, diante de uma série de receitas que eram esperadas mas não se concretizaram, o governo quer alterar a meta deste ano de um déficit de R$ 139 bilhões para um rombo de R$ 159 bilhões. Para 2018 o dado deve ser revisado para R$ 149 bilhões negativos, ante o déficit de R$ 129 bilhões anunciado anteriormente.

Além disso, para conseguir cumprir com as novas metas, o governo terá que tomar medidas adicionais de controle de gastos, que deve incluir um pacote que afeta o funcionalismo público. O Ministério do Planejamento pretende economizar R$ 9 bilhões com o adiamento dos reajustes dos servidores federais. As parcelas do aumento que deveriam entrar em janeiro de 2018 só devem ser depositadas no início de 2019.

Outro evento bastante importante é o debate sobre a TLP, a nova taxa de juros para empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A comissão mista que analisa o projeto adiou a leitura do relatório do deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), que deve ocorrer na terça-feira (15), quando era prevista a votação.

Com isso, o cronograma de análise do relatório favorável à MP, será atrasado em pelo menos uma semana. Isso porque, após a leitura, será concedido um prazo regimental de cinco dias úteis para estudo do texto. Pela proposta, a TJLP será substituída pela TLP, que será utilizada como referência pelos contratos assinados pelo BNDES a partir de 1º de janeiro de 2018.

Vale destacar ainda que, por falta de quórum, a comissão especial que analisa a reforma política não conseguiu concluir a votação do parecer do relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP), faltando votar três destaques. O colegiado volta a se reunir na terça-feira. A versão que for aprovada na comissão especial ainda terá que passar por dois turnos de votação no Plenário da Câmara dos Deputados e depois segue para o Senado.

Em linhas gerais, o modelo que deve sair da comissão especial prevê o sistema distrital misto para a eleição de deputados (federais e estaduais) e vereadores, com financiamento público de campanha. Pela proposta, será criado um fundo constitucional de cerca de R$ 3,6 bilhões e as eleições no Brasil passarão a ser financiadas majoritariamente pelo Orçamento federal.

Tensão geopolítica
A última semana foi marcada por declarações e provocações entre Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong Un. O presidente americano disse no começo da semana que responderia à Coreia do Norte com fogo e fúria, caso o país decidisse atacar os Estados Unidos. As declarações foram dadas por Trump dois dias depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas anunciar sanções econômicas ao país presidido por Kim Jong Un.

Em seguida, o governo norte-coreano anunciou que estava examinando um plano de ataque à Ilha de Guam, território norte-americano no Pacífico, a leste das Filipinas. A expectativa é que esta briga deve continuar nos próximos dias, e a tensão aumenta conforme o líder norte-coreano reforça que atacará Guam ainda este mês.

Donald Trump recebeu críticas internamente e da comunidade internacional pelas declarações de terça-feira. Países como Japão, Coreia do Sul, Rússia e, principalmente, a China, fizeram apelos para que EUA e Coreia do Norte busquem o diálogo para resolver as divergências. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou: "não há uma solução militar para a crise com a Coreia do Norte. A retórica da escalada é uma resposta errada", disse.

Toda esta tensão pressionou os índices americanos, que deixaram para trás uma forte sequência de ganhos, com o Dow Jones quebrando sua máxima histórica por dez pregões seguidos. O "índice do medo" Vix também subiu forte nos últimos dias e qualquer novidade neste cenário promete afetar os mercados globais também.

Indicadores
Como costuma ser em meio de mês, a agenda de indicadores será mais tranquila nos próximos dias. No exterior, destaque para a ata da última reunião do FOMC na quarta-feira (16) às 15h (horário de Brasília). Dados do PPI e CPI na última semana vieram abaixo do previsto, condizentes com a visão de que o aperto monetário seguirá uma linha gradualista, favorável aos ativos de países emergentes, como o Brasil. Na China, saem já neste domingo, a produção industrial e vendas no varejo.

Internamente, destaque para os números de vendas no varejo e IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) de junho, que será apresentado na quinta-feira (17), às 8h30. "Encerrando os dados relativos ao segundo trimestre do ano, o dado deve mostrar estabilidade ou leve alta no mês em relação ao anterior", afirmaram os analistas da Rosenberg Associados.

Na quarta ainda sai o IGP-10, com projeção da LCA de leve queda de 0,03% na comparação mensal. Em geral, a expectativa é de que números não alterem a percepção do mercado de que a inflação segue baixa e a atividade se recupera gradualmente, sem diminuir substancialmente o hiato do produto e sem reduzir o espaço para queda da Selic.

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.

Michel Temer
(Lula Marques/AGPT/FotosPúblicas)

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