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"Top pick" do Credit, Santander salta 4%; varejistas afundam até 15% em 2 dias, e small cap dispara 10%

Confira os principais destaques de ações desta segunda-feira

SÃO PAULO - O dia parecia que ia terminar bem para o mercado acionário brasileiro, com mais um pregão positivo das commodities alimentando o humor dos investidores nas principais bolsas espalhadas pelo mundo. Contudo, pesaram sobre o apetite a riscos dos investidores o noticiário político e as falas da chairwoman do Federal Reserve, Janet Yellen, sobre as percepções acerca do desempenho da economia norte-americana e os rumos da política monetária local. O vencimento de opções sobre ações da B3 trouxe um tom de volatilidade maior à sessão, fazendo com que o Ibovespa mais uma vez emperrasse na beira dos 77 mil pontos. Do lado do radar corporativo, o dia foi intenso, repleto de altos e baixos.

Confira abaixo os destaques da bolsa desta segunda-feira (16):

Petrobras (PETR3, R$ 16,67, +0,54%; PETR4, R$ 16,14, +0,37%)
As ações da Petrobras tiveram alta hoje acompanhando os preços do petróleo no mercado internacional, que ganharam força com tensão entre o governo do Iraque e a região semiautônoma curda e com ameaça de Donald Trump de encerrar o acordo nuclear com o Irã. Em Londres, os contratos futuros do Brent registraram alta de 1,21%, a US$ 57,86 o barril, enquanto, em Nova York, os contratos futuros do WTI avançaram 0,84%, a US$ 51,88 o barril. 

No radar, a Petrobras informou que Antonio Carlos Alves Caldeira, diretor executivo de Operação e Logística da sua subsidiária integral Petrobras Distribuidora (BR), apresentou na sexta-feira sua renúncia ao cargo.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal informa que o diretor Executivo da Rede de Postos, Marcelo Fernandes Bragança, acumulará interinamente as atribuições da diretoria executiva de Operação e Logística, até que um novo nome seja indicado e aprovado pelo Conselho de Administração da BR, após os trâmites exigidos pelas regras de Governança da BR. 

O Valor informa ainda que, enquanto o pré-sal desperta a cobiça das maiores petroleiras do mundo e se consolida como a principal fronteira exploratória do Brasil, os demais polos de produção do país convivem de um modo geral com o declínio de suas atividades e baixa atratividade de investimentos. Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que, se não fosse a Bacia de Santos, onde estão situadas as maiores descobertas do pré-sal, a produção nacional caminharia em 2017 para o seu terceiro ano seguido de queda.

Por fim, a Petrobras anunciou na manhã desta segunda-feira aumento de 1,4% no preço do diesel e redução de 0,1% no valor da gasolina vendida nas refinarias, válidos a partir de amanhã, dia 17 de outubro. 

Vale (VALE3, R$ 33,45, +1,64%; VALE5, R$ 30,69, +0,99%) e siderúrgicas
Seguindo os preços do minério de ferro, as ações da Vale fehcaram no positivo nesta sessão, após chegarem a registrar leves perdas com o vencimento de opções sobre ações na B3. O minério de ferro spot (à vista) no porto de Qingdao, na China, registrou alta de 4,06%, a US$ 62,53 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian subiram 3,81%, a 463 iuanes. 

Acompanharam o desempenho os papéis das siderúrgicas, com destaque para Gerdau (GGBR4, R$ 11,50, +0,52%) e Usiminas (USIM3, R$ 11,70, +2,63%; USIM5, R$ 10,32, 0,00%), embora com movimento mais moderado que o visto nas primeiras horas de pregão.

No radar, o Itaú BBA retirou o BB Seguridade (BBSE3, R$ 28,91, -0,82%) e incluiu a Gerdau  do portfólio "Brazil Buy List". A Gerdau deve se beneficiar da recuperação econômica no Brasil, aponta o relatório do Itaú BBA com a carteira de ações recomendadas pela corretora. A Gerdau está bem posicionada para aproveitar a retomada do crescimento, com um potencial de alta para GGBR4 de 32,5% até 2018, uma vez que o banco vê o PIB brasileiro crescendo 3% em 2018. Depois de recomendar o BB Seguridade em 31 de agosto, vendo a ação como atraente em termos de dividendos, analistas agora dizem procuram tornar a carteira um pouco mais agressiva, substituindo o papel.

Além disso, investidores ficam de olho à eleição, na quarta-feira, pela primeira vez na sua história, de dois conselheiros independentes para o conselho de administração da Vale em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), informa o Valor. Quatro candidatos disputam a eleição. Eles estão inscritos no chamado boletim de voto a distância (BVD), mecanismo criado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para facilitar a participação de investidores em assembleias. Outros candidatos poderão surgir na AGE, mas os nomes que aparecem no BVD despontam como favoritos. 

Recomendações
Ainda em destaque nesta sessão estão as revisões de recomendações feitas pelo Santander: a Comgás (CGAS5, R$ 52,54, -1,05%) foi rebaixada de compra para manutenção; a Duratex (DTEX3, R$ 10,00, -1,96%) foi elevada de manutenção para compra; e a Eletropaulo (ELPL4, R$ 14,90, +0,40%) foi elevada de "underperform" (desempenho abaixo da média) para manutenção.

Santander Brasil (SANB11, R$ 31,16, +4,32%)
As units do banco disparam nesta sessão e se descolam dos seus pares na bolsa. O movimento ocorre na esteira de um relatório do Credit Suisse, que colocou a ação como sua "top pick" após incorporar expectativa de maior crescimento do PIB brasileiro (de 0,2% para 0,7% em 2017; e 2,0% para 2,5% em 2018) e taxa Selic mais baixa (7% ao ano). O banco cita também que a instituição apresenta o maior potencial de valorização (20,5%), melhor dividend yield (7,5%) e melhor momentum de ganhos. No caso do Santander, o preço-alvo das units foi elevado de R$ 32,00 para R$ 36,00 e a recomendação "outperform" (desempenho acima da média) mantida. 

Os demais bancos também tiveram os preços-alvo elevados: o do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 37,42, 0,00%) passou de R$ 37,00 para R$ 44,00; e do Bradesco (BBDC3, R$ 34,65, -0,66%; BBDC4, R$ 36,65, +0,08%), de 38,00 para R$ 42,00 -- os dois tiveram suas recomendações mantidas em "outperform" (desempenho acima da média). Já o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 44,47, -0,36%) teve o target elevado de R$ 43,00 para R$ 48,00; e o Banrisul (BRSR6, R$ 14,98, -0,47%) de R$ 16,50 para R$ 17,50 - mas as recomendações seguiram como neutro. 

Vale menção também que, na semana passada, o Santander Brasil indicou - durante o "Group Strategy Update 2017" do Santander Espanha - que o lucro antes dos impostos deve expandir em dois dígitos em 2018. A equipe de análise do Itaú BBA destacou que essa é uma "surpresa positiva", dado que a estimativa era de uma expansão 5% no EBT (Lucro antes de impostos) do banco para o ano que vem. 

Fibria (FIBR3, R$ 53,83, +4,34%) e Suzano (SUZB5, R$ 20,94, +2,95%)
Ações de produtoras de celulose subiram forte hoje com um relatório otimista do Morgan Stanley e notícia que as companhias já começaram a negociar com seus clientes a redução dos descontos concedidos nos contratos de fornecimento da matéria-prima. 

Sobre o relatório, o banco manteve visão de alta nos preços da celulose para o resto de 2017 e 2018 em meio a interrupções inesperadas da capacidade, manutenção programada e incerteza sobre as restrições da China sobre importações de papel reciclado, escreveu o analista Carlos de Alba. A recomendação de Fibria e Suzano foi reiterada em "overweight" (exposição acima da média); enquanto Klabin foi mantida em "equalweight" (exposição em linha com a média). 

Além disso, segundo o jornal Valor Econômico, as duas maiores produtoras mundiais de celulose de eucalipto, Fibria e Suzano Papel e Celulose, já começaram a negociar com seus clientes a redução dos descontos concedidos nos contratos de fornecimento da matéria-prima, segundo fontes do setor. Na Suzano, o objetivo é diminuir em dois a quatro pontos percentuais o abatimento sobre o preço de referência da matéria-prima. Os contratos são negociados uma vez ao ano e boa parte têm vencimento entre novembro e dezembro.

A reportagem afirma ainda que as empresas têm como target uma redução de 2% a 4% nos descontos praticados – nos níveis de preços atuais, isso implicaria em um aumento de cerca de US$ 18 a 38 a tonelada nos preços realizados, o que, por sua vez, significaria em um aumento de 3% a 5% no Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Fibria para 2018. Os analistas do banco reiteraram visão positiva para o setor, com Fibria como a "top pick" e preço-alvo em R$ 60,00. 

Verejistas
As ações das varejistas Magazine Luiza (MGLU3, R$ 69,15, -4,88%), B2W (BTOW3, R$ 20,24, -4,75%) e Via Varejo (VVAR11, R$ 21,55, -4,05%) deram continuidade às fortes quedas recentes. Nos últimos três pregões, esses papéis acumulam respectivas perdas de 11%, 15% e 12%.

Segundo uma notícia do Valor Econômico, a Amazon está oferecendo condições mais agressivas em contratos com redes varejistas que devem ser vendedores no site da empresa quando comparado com B2W e Magazine Luiza. Enquanto a B2W fechou seus novos negócios com uma taxa média de aceitação de 12%, incluindo o custo de desconto de recebíveis, a Amazon cobriu propostas oferecendo uma taxa de 10%. Para os varejistas, a Amazon informa que não cobrará, neste momento, o custo do desconto de recebíveis.

Em relatório, o BTG Pactual diz que não está claro ainda se os 10% mencionados são comparáveis aos 12% cobrados pelos demais marketplaces. "Continuamos monitorando os próximos passos da Amazon que, aparentemente, têm sido lentos como temos dito em nossos dois relatórios recentes sobre a gigante americana", diz. 

Na semana passada, a Bloomberg informou que a gigante americana está recrutando recrutando para várias vagas no País, sinalizando que a varejista on-line poderia expandir sua presença no país para além dos livros. As vagas anunciadas recentemente incluem gerente sênior de operações tributárias, que se concentraria em processos tributários de varejo, conformidade e documentação para novos negócios. Outra vaga é de gerente de produto de varejo que supervisionaria grandes lançamentos. 

Em relatório, a analista da Goldman Sachs, Irma Sgarz, apontou que a expansão da Amazon para o Brasil teria impactos negativos para o Mercado Livre, entre outras empresas de comércio eletrônico que operam no país. Sgarz acredita que a fatia de mercado e o volume bruto de mercadorias diminuirão e que essas empresas terão que oferecer mais incentivos, como frete grátis, para atrair consumidores. 

Além dessas, os controladores da B2W, a Lojas Americanas (LAME4, R$ 18,78, -2,29%), e do Via Varejo, o Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 76,94, -0,91%), também caíram hoje. 

Sobre o Pão de Açúcar, as ações reagem ainda a outra notícia. As vendas líquidas do GPA no terceiro trimestre de 2017 somaram R$ 10,9 bilhões, alta de 8,1% na base de comparação anual. Já as vendas nas mesmas lojas aumentaram 3,3% na base anual, segundo comunicado ao mercado. As vendas totais líquidas Multivarejo caíram 2,1%, enquanto receita líquida total do Assaí cresceu 25,2%. A companhia finalizou quatro conversões de Extra Hiper para Assaí, totalizando sete no acumulado do ano e espera pelo menos mais nove conversões no quarto trimestre. Foram abertas sete novas lojas: 1 Assaí, 1 Pão de Açúcar, 3 Minuto Pão de Açúcar e 2 drogarias.

Locamérica (LCAM3, R$ 14,90, +10,62%)
Do lado das small caps, as ações da Locamérica dispararam nesta sessão após um relatório positivo do BTG Pactual sobre a empresa. Os analistas Renato Mimica e Samuel Alves, do banco, apontam que a ação é negociada a um valuation atrativo, depois de uma melhora expressiva no ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) nos últimos anos - passando de 6% em 2015 para 16,5% no primeiro semestre de 2017. Eles citam também um potencial de ganhos vindo de sinergias e consolidação da empresa. Com isso, a recomendação do papel foi reiterada em compra, com preço-alvo de R$ 17,50 para os próximos 12 meses, o que representaria uma valorização de 23% frente ao patamar atual. 

JBS (JBSS3, R$ 8,58, -1,94%)
A JBS desistiu dos planos para listar a sua subsidiária JBS Foods International na bolsa de Nova York, segundo comunicado enviado à Securities and Exchange Commission (SEC) nesta segunda-feira. A maior processadora de carne do mundo, que está envolvida em um grande escândalo de corrupção, disse que desistiu no momento do pedido para uma oferta inicial de ações (IPO), que tinha sido apresentado em dezembro de 2016.

Oi (OIBR4, R$ 5,37, +7,40%)
A ação da Oi chegou a sinalizar dia correção após disparar quase 40% em 3 pregões, em meio à notícia de que a empresa protocolou na última quarta-feira o plano de recuperação judicial na 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, responsável por conduzir o processo. Contudo, os papéis fecharam em forte alta. A proposta, que altera as condições para a negociação com credores, foi aprovada na terça-feira pelo conselho de administração e pela diretoria e prevê uma capitalização de R$ 9 bilhões. Desse total, parte viria da conversão de dívidas em participação acionária, cerca de R$ 3,6 bilhões; R$ 3,5 bilhões em dinheiro aportado por bondholders (detentores de títulos) e R$ 2,5 bilhões vindos dos acionistas. A empresa espera conseguir consenso entre acionistas, bondholders e credores para que a proposta possa ser colocada em votação em Assembleia de Credores, já marcada para o dia 23 de outubro.

Credores da Oi representados pela Moelis e G5 Evercore enviaram uma carta à diretoria da empresa solicitando uma reunião assim que possível para negociar os pontos do plano de recuperação anunciado na semana passada, segundo cópia da carta obtida pela Bloomberg News. Embora os dois maiores grupos de credores tenham reafirmado na carta que não irão aprovar o plano do jeito que está, eles se oferecem para discutir uma possível injeção de capital na Oi, que poderia superar os R$ 3 bilhões já propostos em plano alternativo. A diretoria da Oi recebeu a carta, datada de 15 de outubro, e está tentando marcar uma reunião com os credores para esta semana, disse à agência de notícias uma pessoa com conhecimento direto do assunto que pediu para não ser identificada porque a discussão não é pública. 

Em comunicado ao mercado ontem, G5 Evercore e Moelis atacaram a proposta da tele: "O plano de reestruturação revisado do grupo Oi ignora as preocupações dos credores, ameaça a viabilidade da empresa a longo prazo e enriquece, abusivamente, os atuais acionistas". Esses dois grupos detêm, juntos, cerca de R$ 22 bilhões em dívidas. Os maiores acionistas são a Pharol (ex-Portugal Telecom) e o empresário Nelson Tanure. Procurada, a Oi não comenta.

Segundo fontes, a direção da Oi pretende iniciar reuniões com os detentores de títulos internacionais para tentar atenuar as contestações. A reação negativa, porém, já era esperada, uma vez que esses credores reivindicavam a entrega de 88% do capital da Oi em troca das dívidas. Por sua vez, a tele propôs a troca por uma nova debênture (título de dívida) de R$ 5,8 bilhões, mais a conversão de R$ 3 bilhões em 15% ou 25% do capital.

Segundo cálculo de analistas do BTG Pactual, o plano implica em uma redução de 73% no valor a receber pelos credores. O Credit Suisse adotou um tom moderado, apesar da euforia do mercado - ontem as ações preferenciais da Oi avançaram 23,76%, a R$ 5, enquanto as ordinárias subiram 14,98%, a R$ 5,91. Para o banco, a eventual aprovação da proposta implicará em um ganho para as ações, mas os termos do plano estão longe do desejado pelos credores.

Embraer (EMBR3, R$ 17,09, -1,89%)
A Embraer informou que recebeu pedido firme para seis Super Tucano A-29, mas não revelou o cliente. 

(Com Agência Estado e Bloomberg)

agência do Santander em Madri
(Susana Vera/Reuters)

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