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Petrobras e bancos caem forte com Lava Jato; exportadoras disparam nos minutos finais

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira

SÃO PAULO - O mercado viviu dia de mau humor nesta sexta-feira (19), pressionado por dados econômicos ruins e noticiário sobre a Operação Lava Jato, que derrubou as ações da Petrobras e bancos. A Braskem, que embora tenha um peso inferior no índice, também afundou hoje pelo mesmo motivo. A operação da Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira os presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez. A Odebrecht é a maior acionista da Braskem.

Do lado positivo da Bolsa, o destaque ficou com as exportadoras, que apareceram entre as poucas altas do dia, beneficiadas pela alta do dólar frente ao real.

Confira abaixo o que movimentou a sessão desta sexta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 14,51, -1,96%PETR4, R$ 13,17, -2,01%
As ações da Petrobras registraram queda nesta sessão. No radar da Petrobras apareceram diversas notícias entre desinvestimentos e notícias sobre reajuste de combustíveis, mas quem rouba a cena é o desenrolar da Operação Lava Jato, com a prisão dos presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo.

Outra notícia negativa é de que o reajuste da gasolina da Petrobras estaria mais difícil agora. A Petrobras voltou a sofrer com a defasagem dos preços da gasolina em relação ao mercado externo, ao mesmo tempo em que o momento de crise econômica no país, que colabora para a redução no consumo do combustível, dificulta um eventual reajuste no preço do produto, afirmou uma fonte da petroleira à Reuters. O Credit Suisse ressaltou, em nota a clientes, que alguns investidores aparentemente esperavam um anúncio de preços junto com o anúncio do plano estratégico e que essa notícia pode pressionar um pouco o papel.

Por outro lado, a estatal estaria acelerando o programa de desinvestimentos de blocos de exploração offshore e pretende completar o primeiro lote de venda nos próximos meses, disseram três fontes com conhecimento dos planos à BloombergE, segundo a agência, a estatal está acelerando o programa de desinvestimento de blocos de exploração offshore e pretende completar o primeiro lote de venda nos próximos meses, disseram 3 pessoas com conhecimento dos planos. 

Por sua vez, o presidente da estatal, Aldemir Bendine, quer dividir a companhia em duas super diretorias "upstream" e downstream", disseram fontes à Bloomberg. Ainda sobre a estatal, o Tribunal de Contas da União (TCU) investiga prejuízos em obras e compras de ativos da Petrobras que podem alcançar R$ 39 bilhões. O valor é a soma das perdas apuradas por conta de sobrepreço e má gestão de projetos em quatro dos principais empreendimentos da estatal, em muitos casos fatiados pelo clube de empreiteiras que são alvos da Operação Lava Jato.

SAIBA MAIS: Presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez são presos em nova fase da Lava Jato

Braskem (BRKM5, R$ 12,40, -10,40%)
Uma leva de notícias negativas derrubaram as ações da Braskem hoje. Mais cedo, o juiz Sérgio Moro afirmou frase de Paulo Roberto Costa em documento, que teria dito que propina da Odebrecht foi de contrato com a Braskem. Hoje, a Operação Lava Jato prendeu o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. A companhia é a maior acionista da Braskem, com 38,32% de participação. Na semana, as ações da companhia caíram 11,99%.  

Além da prisão de Odebrecht, a companhia é afetada pela informação de que sua sede em São Paulo, na rua Lemos de Monteiro, no Butantã, também foi alvo de mandado judicial cumprido na manhã desta sexta-feira. No local, agentes apreenderam registros contábeis, ordens de pagamento, HDs, laptops, desktops, pen drives e arquivos eletrônicos. 

Bancos 
Os bancos também registraram queda nesta sessão. Conforme destacou o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, há três notícias que levam as ações de bancos a cair. Os indicadores econômicos, como o IPCA-15, que surpreendeu ao registrar a maior alta para junho em quase 20 anos, de 0,99%, é negativo, assim como o IBC-Br de abril, que foi o mais baixo desde 2012 e corrobora o cenário de piora da atividade econômica.

Somado a isso, está a prisão dos presidentes das maiores construtoras do País, que também contribui para afetar a atividade econômica. Vale destacar ainda que os bancos são credores de diversas companhias ligadas à operação Lava Jato. 

Com isso, Bradesco (BBDC3, R$ 27,30, -1,72%; BBDC4, R$ 28,20, -1,94%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,39, -1,12%) registraram queda de mais de 1%.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 20,32, -0,39%; VALE5, R$ 17,41, +0,11%) e Bradespar (BRAP4, R$ 11,62, -0,68%), que figuraram no negativo durante boa parte do pregão, ganharam força e fecharam entre poucas altas e baixas hoje, apesar da queda do preço do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, que registrou baixa de 0,66%, a US$ 61,36. Da mesma forma, as ações das siderúrgicas também amenizaram as perdas: Usiminas (USIM5, R$ 4,65, 0,0%) e CSN (CSNA3, R$ 5,72, -0,69%)

Lojas Renner (LREN3, R$ 111,00, -1,26%)
As ações da Lojas Renner caíram nesta sessão. Ontem, a varejista comunicou que vai propor aos acionistas, em reunião marcada para o dia 3 de agosto, um desdobramento na proporção de uma ação em cinco, o que contribuiria bastante para aumentar a liquidez do papel dado seu elevado valor de face.

Hoje, para um investidor comprar um lote padrão das ações da empresa precisa desembolsar, aproximadamente, R$ 11 mil, enquanto que, após o desdobramento, será necessário R$ 2,2 mil, considerando a cotação atual. 

Exportadoras
Em meio à alta do dólar, as empresas que têm receita atrelada à moeda registraram ganhos nesta sessão, com destaque para as companhias do setor de papel e celulose. É o caso da Fibria (FIBR3, R$ 42,83, +2,34%) e Suzano (SUZB5, R$ 16,28, +3,49%), que conseguiram registrar ganhos na Bovespa. Vale mencionar, no entanto, que boa parte dessa arrancada ocorreu nos minutos finais do pregão 

A Embraer (EMBR3, R$ 24,39, +0,08%), por sua vez, fechou praticamente estável. A companhia vendeu cinco aviões A-29 Super Tucano à Força Aérea Gana, destacou a companhia em comunicado. “O contrato inclui apoio logístico para a operação destas aeronaves, assim como a instalação de sistema de treinamento de pilotos e mecânicos em Gana”, segundo comunicado.

O contrato entrará em vigor com cumprimento de determinadas condições, que deverão ser preenchidas durante o segundo semestre e o valor da transação não informado. Os aviões serão empregados em missões de treinamento avançado, vigilância de fronteiras e segurança interna.

Educacionais
As ações da Estácio (ESTC3, R$ 19,95, -3,57%) e da Kroton (KROT3, R$ 12,18, -2,09%) caíram pelo terceiro pregão na Bolsa; ontem, elas tinham registrado queda em meio à venda da Saraiva Educação detidas pela Saraiva por R$ 725 milhões para a Abril Educação.

No radar das educacionais, está ainda o leilão da Uniasselvi. O leilão da rede de faculdades controladas pela Kroton está na fase final, com três ofertantes (Acon, Carlyle e Cruzeiro do Sul), segundo reportagem da revista Exame, que não diz como obteve a informação. O resultado deve sair em julho e pode custar mais de R$ 1 bilhão.

Aliás, as ações da Saraiva (SLED4, R$ 5,81, -7,04%), após dispararem quase 30% ontem, realizou parte dos ganhos hoje. 

BR Properties (BRPR3, R$ 10,65, -1,57%)
As ações da BR Properties teve queda na Bovespa. Segundo o jornal Valor Econômico, o BTG Pactual (BBTG11) busca novos investidores para OPA (Oferta Pública de Aquisição) da BR Properties, destacando que há grande chance do banco retirar o BC Fund da OPA da companhia. 

Fras-le (FRAS3, R$ 3,30, 0,0%)
As ações da Fras-le perderam força e fecharam estáveis após a companhia comunicar ter registrado uma receita líquida consolidada de R$ 330,8 milhões entre janeiro e maio, alta de 2,2% na comparação anual. Já a receita bruta total de maio atingiu R$ 92,6 milhões, queda de 2,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Sabesp (SBSP3, R$ 16,06, -1,53%)
As ações da Sabesp registram queda nesta sessão. De acordo com nota da coluna de Sonia Racy, pode acabar na Justiça o projeto de R$ 830 milhões  da empresa que ligará as represas Jaguari (na bacia do Rio Paraíba do Sul) e Atibainha (Cantareira), tido pelo governo Alckmin como fundamental para a segurança hídrica da Grande São Paulo. Quase metade das empresas que tentaram se pré-qualificar foram inabilitadas e estudam medidas judiciais contra a decisão estadual. Procurada, a Sabesp não se pronunciou.

Cyrela (CYRE3, R$ 10,00, +2,88%)
As ações da Cyrela subiram forte nesta sessão. A companhia aprovou programa de recompra de até 20 milhões de ações, equivalentes a 7,61% do total das ações ordinárias da companhia, pelo prazo máximo de um ano, iniciando-se em 19 de junho. O objetivo do programa é adquirir as ações para manutenção em tesouraria e posterior cancelamento ou alienação, com vistas à aplicação eficiente de recursos disponíveis para investimentos, com o fim de maximizar valor para os acionistas, disse a empresa, em comunicado ao mercado. 

Tots (TOTS3, R$ 37,99, +1,03%)
As ações da Totvs registram alta de 1% após o JPMorgam elevar o preço-alvo para os ativos da companhia de R$ 40 para R$ 43. "Na nossa visão, os fundamentos de longo prazo devem se manter, mais do que compensando a pressão no curto prazo, incluindo maiores impostos e PIB mais fraco", afirmam os analistas. 

Via Varejo (VVAR11, R$ 12,59, -6,46%)
A Via Varejo desabou hoje na Bolsa em meio ao corte de preço-alvo das ações pelo HSBC, que passou de R$ 19,00 para R$ 16,50. Dias atrás, o Itaú BBA cortou a recomendação da companhia para market perform (desempenho em linha com a média), enquanto 
o HSBC passou a classificação de compra para manutenção, citando que a piora no cenário macroeconômico deve continuar afetando o resultado da companhia no médio prazo. Desde o fechamento do dia 9 (um dia antes de iniciar as revisões pelos bancos), as ações da companhia desabam 23% no mercado. 

Duratex (DTEX3, R$ 7,59, -2,44%)
O JPMorgan reduziu o preço-alvo nas ações da Duratex, de R$ 10,50 para R$ 9,50, mantendo recomendação neutra. Os analistas do banco comentaram que a ação andou bem no primeiro trimestre devido a bons volumes, ganho de market share, aumento de preços e cobertura de posições vendidas, mas os fundamentos macroeconômicos devem continuar pressionando a empresa. Desde o fechamento do dia 10 de junho, as ações da companhia caem 8% na Bolsa.  

Lupatech (LUPA3, R$ 9,09, +4,48%)
Após cair 42% no primeiro dia do seu grupamento de ações em 500 para 1, as ações da Lupatech registraram uma sessão de ganhos.

A empresa fornece equipamentos, máquinas e soluções de engenharia para o setor de Óleo e Gás e está extremamente endividada quando estourou o escândalo da Operação Lava Jato e as suas ações afundaram de vez na Bolsa, chegando a atingir cotações tão baixas quanto 3 centavos depois de chegar a operar a R$ 22,50 em 2008. 

OSX Brasil (OSXB3, R$ 0,22, -4,34%)
Depois de uma forte arrancada na terça-feira, quando as ações subiram 66,67% após divulgação do resultado do primeiro trimestre, os papéis da OSX entraram em queda livre na Bolsa. Nos três pregões seguintes, as ações já caem 26%, mas ainda não apagam completamente a disparada de terça, lembrando que na segunda-feira as ações fecharam cotadas a R$ 0,18.  

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