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Holcim propõe mudanças em fusão com Lafarge para salvar negócio, dizem fontes

Empresas tentam salvar um negócio que criaria a maior fabricante de cimento do mundo

(SÃO PAULO) -- A Holcim Ltd., da Suíça, propôs mudanças na relação da troca de ações e de gestão para uma fusão com a francesa Lafarge SA em um momento em que as duas empresas tentam salvar um negócio que criaria a maior fabricante de cimento do mundo, segundo fontes com conhecimento do assunto.

Segundo o acordo original, a Holcim planejava um aumento de capital para criar novas ações e dar uma delas à Lafarge em troca de cada ação da empresa francesa. Pela nova proposta, a Holcim daria uma fração de 0,875 de uma ação em troca de cada ação da Lafarge, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são privadas.

A Lafarge sinalizou que fará uma contraproposta que cortaria sua ponderação para 0,93 para tentar fechar o acordo, disseram as fontes. A Holcim também está pressionando por uma mudança na gestão, o que inclui o CEO da empresa combinada, disse uma das fontes. Bruno Lafont, CEO da Lafarge, havia sido escolhido para liderar a nova entidade.

Os planos para combinar a Holcim e a Lafarge foram anunciados com grande alarde em abril de 2014, com os líderes de cada empresa elogiando a criação de uma fabricante de cimento com US$ 40 bilhões em vendas e operações em 90 países. Desde então, a Holcim, que tem sede em Jona, Suíça, teve um desempenho melhor que a Lafarge em tudo, desde vendas até lucros, levando alguns investidores da empresa suíça a pedirem uma participação maior na nova entidade.

Venda de ativos

Os representantes das empresas deverão se reunir nesta segunda-feira para tentar chegar a um acordo ainda nesta semana, disseram as fontes. As negociações estão em andamento e a estrutura ainda pode mudar, disseram elas, acrescentando que também é possível que os dois lados não consigam chegar a um acordo.

Os investidores dos dois lados continuam interessados em ver a fusão avançar e existe pressão para que se chegue a um acordo antes de os investidores da CRH Plc se reunirem, no dia 19 de março, para aprovar a compra de uma fatia maior da empresa combinada que a Holcim e a Lafarge concordaram em vender para cumprir as exigências antitruste, disseram as fontes.

No mês passado, a CRH fechou um acordo para compra de 6,5 bilhões de euros (US$ 6,8 bilhões) dos ativos do setor de cimento para conquistar participação de mercado. Há mais de um mês a empresa irlandesa levantou uma receita bruta de cerca de 1,6 bilhão de euros por meio de uma venda de ações para ajudá-la a financiar a aquisição. O euro caiu significativamente desde então.

Um porta-voz da Holcim preferiu não comentar e representantes da Lafarge não puderam ser contatados imediatamente fora do horário comercial regular.

Demanda fraca

A Holcim e a Lafarge fecharam um acordo para combinar as operações depois que a recessão global corroeu a demanda por materiais de construção e que a concorrência maior de rivais dos mercados emergentes minou os lucros. As empresas estimam que a combinação gerará sinergias de mais de 1,4 bilhão de euros.

É necessário que haja uma nova liderança na empresa combinada para garantir que as metas de economia possam ser cumpridas e que as duas empresas possam trabalhar juntas de forma bem-sucedida, disse uma das fontes.

“Embora continue aumentando a especulação em torno de uma possível mudança nos termos, vemos muito pouca chance de a fusão fracassar”, disseram analistas da J&E Davy, em uma nota, no início deste mês. “Nós estimamos que a Holcim e a Lafarge farão o que for necessário para fechar o negócio”.

Holcim - Bloomberg
(Martin Leissl/Bloomberg)

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