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Como a virtualização do ambiente de trabalho pode afetar os processos de gestão?

A virtualização dos ambientes de trabalho vem ocorrendo nas organizações, em maior ou menor intensidade, e é dependente do acesso destas às tecnologias, mas parece ser uma tendência irreversível que trará consequências nos processos de gestão.

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(Shutterstock)

Como a virtualização do ambiente de trabalho pode afetar os processos de gestão?

Por Paschoal Tadeu Russo

A virtualização dos ambientes de trabalho vem ocorrendo nas organizações, em maior ou menor intensidade, e é dependente do acesso destas às tecnologias, mas parece ser uma tendência irreversível que trará consequências nos processos de gestão.

Estudos relatam que a adoção de ambientes virtuais de trabalho tem sido justificada por fatores identificados como objetivos e subjetivos. Os objetivos, tais como: a globalização das operações e consequente assincronicidade das atividades, necessidade de redução das despesas com espaços físicos, grande demanda de tempo para locomoção das pessoas para o local do trabalho, principalmente em grandes centros urbanos, etc.. E fatores não objetivos, tais como: capacidade de produção individual dos colaboradores melhorada em diferentes períodos do dia e/ou noite, necessidade de mais tempo para convívio com a família em longas jornadas de trabalho, menor desgaste de relações interpessoais, maior foco e concentração nas entregas, etc.

Aqueles que advogam favoravelmente pela virtualização salientam que com ela se perde menos tempo com ritos interpessoais e se foca mais nas entregas. Os contrários salientam que ela tem como consequência a redução dos laços interpessoais e isso pode ser um fator que contribua para a desagregação, e também se preocupam com a gestão das atividades à distância como um limitador para o desempenho, entre outros pontos.

Tudo indica que essa mudança veio para ficar. Pode-se identificar diversas plataformas disponíveis na internet, algumas gratuitas, que integram pessoas e grupos como redes sociais privadas. Também observa-se o surgimento de espaços virtuais de realidade aumentada, ainda não acessíveis para a grande maioria das pessoas e organizações, onde colaboradores se reúnem, por meio de seus avatares, e de lá desenvolvem suas atividades de cooperação e compartilhamento à distância.

Algumas pesquisas, que vêm sendo realizadas em organizações adotantes de ambientes virtuais, revelam evidências interessantes, das quais são elencados sete delas a seguir:

a)    Em algumas organizações observou-se, nas fases preliminares à adoção desses ambientes, o medo do isolamento e da readequação de papeis, principalmente pelos gestores;

b)    O afastamento físico, ao contrário do que se poderia pensar com a adoção dos ambientes virtuais propiciou, em algumas organizações, o aumento da comunicação entre as pessoas, justificado pela criação de canais eletrônicos com menores barreiras que as existentes pessoalmente;

c)    Observou-se também o aumento da agilidade nos processos de tomada de decisão nas organizações que tiveram sucesso em seu uso, e nelas, tem sido constatada a adequação de processos de trabalho;

d)    Constatou-se também que o perfil do profissional que melhor se adequa a esse tipo de ambiente é aquele automotivado, disciplinado, e com maturidade suficiente para realizar a autogestão;

e)    Nas organizações mais exitosas no uso desses ambientes, seus gestores atuavam com clareza e foco na determinação de objetivos e contavam com a confiança de seus colaboradores;

f)     Por fim, observou-se que as organizações, por meio do uso desses ambientes tecnológicos, podem focar mais facilmente em resultados e entregas.

De certa forma as dimensões centrais que são observadas nas pesquisas são os nossos velhos conhecidos: pessoas, processos e tecnologia. A diferença é que esses elementos, por meio de um ambiente virtual, podem ser integrados de uma nova forma, mais dinâmica, mais recursiva. Pessoas, tecnologias, instituições e práticas de gestão, cada vez mais se inter-relacionam, moldam e são moldadas umas às outras, e são permeadas pela colaboração e cooperação.

Em um contexto organizacional onde os antagonismos entre a singularidade e a pluralidade, homogeneidade e diversidade, do protagonismo pessoal pelo organizacional, se fazem cada vez mais presentes, a integração das diversas dimensões parece ocorrer mais facilmente em ambientes virtuais, onde as tecnologias contribuem, mais do que em outras circunstâncias, com a construção de um novo modelo de identidade corporativa.

Estamos prontos para esses desafios?

 

Paschoal Tadeu Russo:

Professor do Mestrado Profissional em Controladoria e Contabilidade da FIPECAFI. Doutor em Controladoria e Contabilidade (FEA/USP); Mestre em Contabilidade (FECAP), Especialista em Finanças (FIA), Engenheiro Mecânico (FEI). Consultor de empresas em projetos de Transformação da Gestão Organizacional.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

perfil do autor

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Luciane Reginato

​​ É professora da FEA/USP. Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mestre em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, com imersão em pesquisa em Montreal/Canadá, e doutora em controladoria e contabilidade pela USP.

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Marta Grecco

Doutora em Administração de Empresas pelo Mackenzie com doutorado-sanduíche na Universidad de Salamanca (Espanha), mestre em Controladoria e Contabilidade pela FEA-USP e graduada em Ciências Contábeis pela FEA-USP. Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da FIPECAFI e professora na FUNDACE e no CRC-SP.

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Valdir Domeneghetti

Mestre em Administração pela FEA-RP/USP. Especialista pela FIPECAFI/USP em Auditoria Interna e também em Gestão de Negócios de Atacado. Graduado em Administração. Funcionário do Banco do Brasil por 26 anos tendo atuado nas redes de Atacado/Varejo e Auditoria Interna.

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Paschoal Russo

Doutor em Ciências Contábeis e Controladoria pela FEA / USP, Mestre em Ciências Contábeis pela FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), MBA em Finanças pela FIA (FEA/USP) e Graduado em Engenharia Industrial Mecânica pelo Centro Universitário da FEI de São Bernardo do Campo - SP. É professor da FIPECAFI (FEA / USP) e da FIA.

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Fundada em 1974, a Fipecafi - Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras - é hoje uma das principais instituições de ensino e pesquisas do segmento de contabilidade, finanças, auditoria e atuária. Ligada ao departamento de contabilidade e atuária da FEA/USP, oferece cursos de graduação, pós-graduação, MBA, mestrado profissional, extensão, educação executiva, e-learning e In Company.

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Ana Braun Endo

Jornalista, especialista em Marketing e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. É doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e em Gestão da Informação pela Universidade nova de Lisboa. É professora convidada em programas de pós-graduação lato sensu e consultora de marketing educacional na FIPECAFI/FEA-USP e na PUC-Campinas.

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Wellington Rocha

Bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo. Mestrado e doutorado em Controladoria e Contabilidade, também pela USP, com foco em Gestão Estratégica de Custos. Formado pela Harvard Business School em aplicação do Método do Caso no ensino de Administração. É coordenador do Laboratório de Gestão de Custos da USP e membro do corpo docente do Departamento de Contabilidade e Atuária da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. É também autor ou coautor de 46 artigos publicados em periódicos e mais de 40 trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais. Apresentou mais de setenta palestras no Brasil e no exterior.

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