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Comprar ou vender Magazine Luiza após a queda de hoje? Eu sigo recomendando compra

Empresa perdeu quase 20% de valor de mercado após a aprovação de uma oferta de ações que pode chegar a R$ 2 bilhões; explicarei por que esta notícia não é tão ruim quanto parece e por que esse é um ótimo momento de compra para quem não conseguiu comprar o papel a um preço mais interessante

SÃO PAULO - Um fato relevante divulgado na manhã desta terça-feira (12) fez a ação do Magazine Luiza (MGLU3) - a melhor da bolsa brasileira nos últimos dois anos em termos de valorização - cair quase 20% durante o pregão. Se você acompanha este blog, certamente conhece a Carteira InfoMoney e sabe que a ação é uma das nossas recomendações para este mês (não conhece a nossa carteira? Clique aqui). Neste texto, tentarei ser breve ao responder a pergunta que mais recebi dos meus seguidores e alunos do curso “Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora”: é hora de comprar ou vender as ações MGLU3?

Aos que não gostam da empresa e acreditam que essa alta é uma "bolha", já deixa eu te adiantar que as linhas abaixo mostrarão que sigo otimista com a empresa. Explicarei por que acredito que essa “má notícia” não é tão ruim quanto o desempenho das ações dá a entender e por que que essa é uma ótima oportunidade para comprar os papéis da empresa a um preço mais convidativo. Aos que seguem a Carteira InfoMoney na íntegra, deixei uma recomendação de alocação ao final desta análise.

1) O comunicado
A começar pela notícia: de forma resumida, o comunicado de 14 páginas enviado pelo Magazine Luiza por volta das 9h informava que o Conselho de Administração da empresa aprovou uma oferta de 24 milhões de ações, sendo 17,6 milhões via oferta primária (quando o dinheiro entra direto no caixa da empresa) e os 6,4 milhões de ações via oferta secundária (quando o dinheiro vai direto para a mão dos acionistas que estão se desfazendo dos ativos). Além disso, a oferta secundária terá “esforços restritos”, que significa que buscará apenas poucos e grandes investidores para encarteirar esse bloco de ações (na prática: significa menos burocracia e mais agilidade). O comunicado completo pode ser visto neste link mas em suma estas são quase todas as informações que queria destacar (existe mais uma informação importante, mas deixei ao final da minha análise para embasar minha recomendação).

2) Por que oferta de ações é uma má notícia?
O “mercado de bananas em uma feira livre” responde facilmente essa questão. Se o Magazine Luiza vender as 24 milhões de ações estimadas ao preço do último fechamento (R$ 78,30), o volume total da oferta chegará a R$ 1,879 bilhão; até ontem, as ações MGLU3 movimentavam em média R$ 115 milhões por dia (cálculo feito com base nos últimos 21 pregões). Logo, a oferta de ações tem um potencial de movimentar “16 dias” de negócios de uma vez.

O que o mercado de bananas tem a ver com isso? Se você já foi a uma feira de rua, verá que, ao longo do dia, os preços dos produtos vendidos apresentam pouca volatilidade, visto que a quantidade de compradores está equilibrada ao número de vendedores; mas no final do dia, os compradores começam a sumir enquanto a quantidade de vendedores continua a mesma; como estes vendedores não querem levar o alimento de volta pra casa, eles diminuem os preços como forma de atrair compradores; ao mesmo tempo, o comprador, percebendo que tem o poder de barganha nesta negociação, pode exigir preços ainda menores, sabendo que a necessidade do vendedor em se desfazer deste bem pode fazer com que sua “pechinchada” funcione.

Tudo isso só para explicar que: i) uma oferta de ações traz uma pressão vendedora extraordinariamente alta e que não é acompanhada por um crescimento de demanda; ii) o comprador, ao presenciar esse crescimento de vendedores e perceber que a “necessidade” do vendedor é maior do que a tua, começa a exigir um preço menor do que o atualmente praticado no mercado para a ação desta empresa. Nestas condições, não há fundamento que segure o fluxo vendedor do mercado.

3) Ok, entendi. Mas quase 20% de queda é “normal”?
Não, não é normal, mas é “aceitável” no caso do Magazine Luiza. Como costumo falar em meus vídeos, o mercado de ações sempre andará em “zigue zague”, seja na alta, na baixa ou lateralizado; este é um mercado altamente especulativo, com investidores “entrando e saindo” de uma ação a todo momento, seja para comprar este papel na expectativa que ele suba ou para vender o mesmo para “colocar o lucro no bolso”. Logo os preços sempre oscilarão dentro de uma destas três tendências.

Com Magazine Luiza, os dois gráficos abaixo deixam claro que tivemos muito mais entradas de compradores do que de vendedores desde o ano passado. O primeiro gráfico mostra os últimos 9 meses da ação, período em que ela acumula ganhos de 480%...

… O segundo gráfico mostra a alta dela desde dezembro de 2015. De lá pra cá, a valorização acumulada chega a incríveis 7.000%.

(Fonte dos gráficos: ProfitChart, da Nelogica)

Em ambos gráficos, vemos poucos movimentos de queda (pressão vendedora) e muitos movimentos fortes de alta (pressão compradora). Uma hora, esse comprador vai querer embolsar este lucro. A notícia de hoje serviu como um bom gatilho para isso, e vender a um preço 5%, 10% ou 15% do fechamento anterior acaba sendo “lucrativo” para qualquer investidor que comprou MGLU3 antes de setembro.

4) Por que essa queda é uma oportunidade para comprar MGLU3?
Se você acompanha as postagens do meu blog, “O Investidor de Sucesso”, ou as atualizações da Carteira InfoMoney, já está careca de saber por que Magazine Luiza subiu 7.000% nestes quase dois anos, então vou te poupar de toda essa história. Se você está chegando agora aqui e quer saber mais, recomendo as leituras dos seguintes textos abaixo antes de partir para a minha análise:

LINK AQUI: 4 gráficos para seguir otimista com Magazine Luiza (set/17)

LINK AQUI: A história de Frederico Trajano, o homem por trás da disparada do Magazine Luiza (set/17)

LINK AQUI: Após grupamento, Magazine Luiza pretende alçar voos maiores na bolsa (ago/17)

LINK AQUI: Resultado trimestral surpreende mais uma vez (ago/17)

LINK AQUI: Magazine Luiza usa Tinder para ampliar vendas (matéria Bloomberg, ago/17)

Minha avaliação:
Embora a oferta de ações seja algo muito prejudicial para as ações no curto prazo, esse movimento pode ser visto como “dar um passo pra trás para dar dois para frente num futuro breve”. O Magazine Luiza já conseguiu provar que sua transformação de varejista física para uma empresa forte em e-commerce e em “market place” (venda de terceiros dentro do seu ambiente online) deu muito certo, haja visto seus resultados operacionais excelentes - principalmente se comparados com o restante do setor. Com a capitalização via oferta de ações, ela poderá crescer não apenas de forma orgânica, mas também via Fusões & Aquisições.

Tal menção é feita no próprio fato relevante de hoje, ao explicar como será usado os recursos da oferta primária de ações: “(i) investimentos em ativos de longe prazo, incluindo (a) melhoria e expansão da malha logística, (b) tecnologia e desenvolvimento da plataforma digital, (c) transformação das lojas existentes em pontos de venda e centros de distribuição ("shoppable distribution centers"), (d) inauguração de lojas novas, e (e) aquisição de empresas de tecnologia com atuação no segmento digital; e (ii) otimização da estrutura de capital da Companhia, incluindo pagamento de dívidas de curto prazo”.

Alinhado a isso, o Magazine Luiza anunciou no último dia 5 a contratação do ex-diretor do Google, Simon Olson, como novo diretor adjunto de relações com investidores e novos negócios. Ao InfoMoney, a assessoria de imprensa da varejista disse que o executivo terá a missão de “identificar, selecionar e liderar a aquisição de startups e empresas de tecnologia”.

Com isso, a empresa combina forte desempenho operacional nos últimos trimestres com mudanças estratégicas que podem preparar o terreno para números ainda melhores nos próximos resultados. Soma-se a isso o forte aumento de valor de mercado e de liquidez de suas ações na bolsa nos últimos meses, o que pode colocar MGLU3 dentro do Ibovespa a partir de 2018, atraindo a demanda dos fundos de ações “ativos” e “passivos”, que precisam replicar a carteira teórica do índice. Assim, temos uma atraente combinação de empresa com ótimos resultados de curto prazo e com boas chances de manter essa tendência daqui pra frente.

Outra ponderação importante sobre a notícia divulgada nesta terça-feira: a oferta de ações, embora confirmada hoje, já era algo que rondava a empresa desde maio, quando ela havia dito que estava fazendo estudos sobre isso. Na época, especulava-se que a oferta levantaria cerca de R$ 1 bilhão, quase a metade do R$ 1,879 bilhão da oferta aprovada pelo Conselho da companhia. No entanto, de maio pra cá, os papéis MGLU3 subiram 125%. Tomando isso como regra, a oferta de ações anunciada hoje é “menor” em quantidade de papéis do que aquela de maio. Ou seja: a oferta de ações não chega a ser uma grande surpresa e ainda por cima é menor do que já chegou a ser especulada. Dois motivos que reforçam nossa visão de que a queda atual pode ser uma boa oportunidade de entrada.

CONCLUSÃO: Compre MGLU3!
Como analista de investimentos responsável pela Carteira InfoMoney, sigo recomendando a compra das ações MGLU3. Aos que não entraram na ação na virada do mês, recomendo a compra nos níveis atuais; aos que seguem rigorosamente a Carteira InfoMoney, recomendo aumento de posição de 100 lotes de ação (o que nos preços atuais daria R$ 6.810,00), diminuindo posição equivalente em Usiminas (USIM5) para fazer tal compra.

Farei tal movimento de comprar MGLU3 e reduzir parte de USIM5 com as cotações das 15h (horário de Brasília) terça-feira (12 de setembro):
MGLU3 = R$ 66,50
USIM5 = R$ 8,75

Vale aqui fazer uma importante ressalva: como este é um investimento de alto risco, temos uma posição considerada pequena na Carteira. Mesmo com este aumento, a participação é de cerca de 6% do total da carteira.

Para fazer parte das discussões dos alunos do meu curso, é só adquirir o meu curso, Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora. O link está aqui.

Magazine Luiza
(Reprodução/Facebook)

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Thiago Salomão

Editor de Mercados do InfoMoney, analista técnico e fundamentalista e criador da Carteira InfoMoney. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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