Stock Pickers

VALE3: a nova queridinha do mercado

Sector Pickers

(Divulgação)

Em nossas inúmeras e diárias conversas com analistas e gestores do mercado, uma opinião praticamente consensual ficou evidente: a mineradora Vale é a queridinha. O que é algo curioso, já que há pouco mais de um ano o desgaste de imagem sofrido após a tragédia de Brumadinho fez grande parte do mercado abandonar o investimento na mineradora.

Em 2020 a história tem sido diferente e a empresa é tida como uma das ‘Antifrágeis’ da bolsa, dado que  seu principal negócio, que é a exportação de minério de ferro à China, tem passado imune ao coronavírus.

A resiliência com a qual ela está enfrentando esse momento de crise foi percebida pelos investidores e isso se reflete no desempenho de suas ações no ano, que recuam 18%, contra retração de 32,6% do Ibovespa no mesmo período – em março a Vale caiu 2,5% ante -29,9% do índice.

PUBLICIDADE

Ainda vale investir em Vale?

Para responder a essa pergunta, recebemos terça-feira (14) no Sector Pickers: Felipe Hirai (Dahlia Capital), Bernardo Doherty (Studio Investimentos) e Yuri Pereira (XP Investimentos), todos analistas focados em acompanhar o setor de mineração e siderurgia no Brasil e no resto do mundo. Os três têm preferência por Vale, que é inclusive a principal posição da Studio, conforme nos revelou Doherty.

A principal fonte de receita da mineradora brasileira é a venda de minério de ferro para siderúrgicas em todo o mundo, mas principalmente para a China, de onde vem 50% do resultado.

Na equação de receita de uma mineradora, tão ou mais importante que o volume de minério exportado é o preço negociado por esse minério, que por sua vez, é um termômetro do nível de atividade econômica da China.

“O preço do minério de ferro pouco caiu: estava negociando entre US$ 90 e US$ 95 antes da crise do coronavírus e agora está negociando a US$ 85 por tonelada. Além disso, a produção de aço na China sobe há 40 anos sem parar. É uma escalada bastante relevante mesmo com corte de capacidade das siderúrgicas menos eficientes na China”, disse Yuri Pereira.

Em relação ao volume de minério produzido no mundo, Bernardo também não enxerga uma mudança na dinâmica global:

PUBLICIDADE

“É válido ressaltar a mudança na dinâmica de oferta que aconteceu nos últimos anos. A enxurrada de minério de ferro que vimos no início da década (com a expansão de capacidade de muitas mineradoras) fez a commodity cair para US$ 40 dólares. Hoje as empresas adotam a estratégia de preservar margens em detrimento de colocar mais volume no mercado e mesmo assim ganham dinheiro com isso. Não vemos hoje entrada de oferta relevante no mercado global de minério de ferro. Os projetos que estão sendo implementados na Austrália, são todos de substituição de capacidade e não de entrada de mais”, resume.

No caso específico de Vale, o minério de ferro que ela produz é considerado de altíssima qualidade e por isso é negociado com prêmio. Lembra que eu disse que os principais clientes das mineradoras são as siderúrgicas? Pois então, quanto maior a qualidade do minério, menor o percentual de ingredientes, como por exemplo o carvão, na produção de aço – com as discussões ambientais tão em voga, ter um minério que gera menos ônus ambiental é relevante. No final do dia, esse minério de alta qualidade traz uma tremenda vantagem competitiva a ela perante os seus competidores (majoritariamente australianos).

Mas a verdade é que por mais eficiente e competitiva que a Vale possa ser (e, de fato, tem sido uma delas), investir nela só se traduzirá em um bom investimento se a China continuar sendo o camisa 10 do crescimento global. “Citando uma frase do ex-diretor de ferrosos da Vale: ‘todo dia a gente tem de acordar, ficar de joelho e rezar pra China’, disse Bernardo. Para os três, a China continuará sendo o principal motor do mundo e por mais relevante que seja esse risco, o preço de tela atual aceita desaforo.

Para Yuri, “a Vale está barata e negocia a um múltiplo de 3,5x EV/Ebitda com potencial de distribuição de dividendos. Para Hirai, ela deveria valer algo perto de US$ 12 dólares, sendo que ela está US$ 9 dólares. Para Bernardo, embora as ações tenham caído menos em março, a Vale underperformou em até 20% os seus pares no ano, sendo que nos preços atuais a taxa interna de retorno ainda é bastante atrativa.”

O Sector Pickers é um programa semanal sobre os setores da Bolsa que vai ao ar no nosso canal do YouTube. Assista a conversa completa sobre mineração e siderurgia abaixo e inscreva-se!