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Uma conversa franca sobre IPOs

Qual das três definições de IPO é a sua preferida?

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Newsletter enviada originalmente aos assinantes em 19 de setembro de 2020. Para recebê-la, clique aqui. 

A acrônimo IPO tem pelo menos três significados:

  1. O literal: Initial Public Offering (oferta pública inicial, em português)
  2. O dos analistas: uma nova ação na bolsa para estudar pensando no longo prazo ou apenas para “flipar” no dia de estreia.
  3. O dos detratores: It’s Probably Overpriced (provavelmente está caro demais, em português).

Pela quantidade e pelo teor das definições, você já deve imaginar que o assunto é polêmico.

Quem chegou nessa década na bolsa pode achar estranho tanta empresa nova entrar no mercado ao mesmo tempo, mas os mais vividos vão se lembrar da “febre de IPOs” de 2004 a 2007.

Naquela época, até o Parque da Xuxa ventilou uma abertura de capital. Se parece absurdo para você? Então lembre-se que outra empresa também famosa pela letra “X” veio pra bolsa anos depois e provocou um dos maiores prejuízos da história do mercado brasileiro: a OGX.

Eike Batista, do grupo EBX, fez IPOs de várias de suas empresas

Mas afinal, vale a pena ou não investir em IPOs?

Essa pergunta, é óbvio, não tem uma resposta certa: há quem adore um IPO, seja porque acredita nos planos da nova empresa para longo prazo, seja para lucrar na euforia do dia de estreia na bolsa… Há quem nem olhe para um IPO por não confiar em comprar algo de alguém que sabe muito mais do que você sobre a companhia alvo do trade. “Se a empresa é tão boa assim, por que tem alguém querendo vender?”.

Diante de um assunto que divide tanto as opiniões dos investidores, conversamos com um investidor de décadas de mercado que de tão autêntico nas suas respostas só topou falar conosco se mantivéssemos o nome dele oculto. Vamos chamá-lo de ‘Walter Bufê’”.

Stock Pickers: Walter, o que você acha de IPOs?
Walter Bufê: Tem barbeiro bom e ruim, tem piloto bom e ruim… tem IPO bom e ruim.

SP: Tá, mas como saber qual é bom ou ruim?
WB: Ué, é só analisar a empresa, fazer as contas… se o seu preço estiver abaixo do que o preço pedido pela empresa, você sai fora. Se estiver maior do que o que ela pediu, você entra.

SP: Parece fácil demais…
WB: Sim, por isso tanta gente faz merda em IPO.

SP: Como assim?
WB: Se a gente tivesse um IPO por ano, todo mundo poderia analisar com calma a empresa, fazer contas sem pressa e escolher os melhores negócios. Mas como fazer esse trabalho minucioso se a cada semana tem uma nova empresa na bolsa?

SP: Então devia ter menos IPOs?
WB: claro que não! Quanto mais IPOs, melhor!

SP: Não entendi…
WB: Nobre gafanhoto, você sabe o que faz uma empresa fazer um IPO?

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SP: Sei. Ou ela tem um plano de crescimento e quer levantar capital para financiá-lo, ou um acionista relevante quer sair da base acionária e vende os papéis a mercado.
WB: Que fofo. (diz isso balançando a cabeça lateralmente com um sorriso no rosto)

SP: Está errado?
WB: Mercado. O que move IPOs é a condição de mercado. Planos de expansão, toda empresa tem! Mas ela só vai querer financiar isso vendendo ações se os preços de mercado estiverem bons para o vendedor. E o fundo só vai estar com a “mão coçando” pra vender se o preço estiver alto.

SP: Do jeito que você diz, parece que você gosta de IPOs…
WB: Não é isso, mas é que investir em ações é um exercício eterno e constante de humildade, você sempre pode descobrir algo ruim muito depois de ter comprado uma ação – ou descobrir algo bom muito depois de “não ter comprado” uma ação. E num IPO, você tá mais exposto a essas ciladas. Você tem muito mais dúvidas do que num investimento de uma empresa já listada.

SP: Então por que investir em um IPO?
WB: Eu gosto de bons negócios. Seja a empresa com 10 mil ou zero pregões na bolsa. E isso é soberano.

SP: Isso faz eu retomar pra pergunta do início: como saber se um IPO é bom ou ruim?
WB: Tá, como você tá sendo insistente e chato, vou te dar uma resposta. Pra começar: pra que a empresa quer esse dinheiro? Se a oferta é quase toda secundária (quando o dinheiro vai pro bolso de um investidor que tem as ações, e não entra pro caixa da empresa) eu já torço o nariz. Se a oferta é primária (quando o dinheiro vai pro caixa da empresa), o que ela quer com isso: inovar ou expandir um modelo de negócios já vitorioso, ou pagar dívidas?

SP: É, já é um bom começo… mas mercado já não olha isso?
WB: Gafanhoto, imagina que você está numa festa, tem 50 mulheres dançando na sua frente e você tem 30 minutos antes da música acabar e e você não quer voltar sozinho pra casa. Você vai conversar com cada uma das 50 mulheres? Não vai, você vai fazer um cálculo rápido de “risco-retorno” e ir naquela que pareceu que te deu mole e que a princípio não vai te surpreender quando a luz acender.

SP: Mas você não é obrigado a ir embora acompanhado pra casa…
WB: Não, mas quando você vê que seus amigos todos já foram embora com um baita IPO, o placar interno começa a jogar contra você. E é aí que você faz merda.

SP: Walter, e quanto às polêmicas envolvendo IPOs? O que você acha de lock up, isonomia de informação… isso te faz evitar um IPO?
WB: Jabuticabas. No final do dia, você ou o Warren Buffett só podem fazer duas coisas com uma ação: comprar ou vender. Com o lock up, você perde 50% do seu arsenal. Isso sem contar que boa parte do mercado vai poder vender. É como jogar Street Fighter sem poder “colocar pra trás” pra defender os golpes do adversário. Mas na boa: mercado é soberano. O que faz uma empresa ser um bom investimento não é o lock up ou a beleza e clareza do prospecto. É se ela é um bom modelo de negócios, tocada por pessoas que saibam fazer mágica e está sendo negociada por um preço interessante. Se tem tudo isso, pode ter o lock up que for, ela vai ter demanda.

SP: Uma última pergunta: por que o senhor está me chamando de ganafanhoto?
WB: Jovens…

O Bernardinho do Mercado

Bernardinho, o multicampeão insatisfeito e exigente

Continuamos a nossa investigação sobre como e por que a tesouraria do Santander conseguiu criar ou revelar tantos gestores de recursos que são destaque no mercado de stock pickers.

A resposta completa está aqui, mas já adianto que tem a ver com a presença de um Bernardinho no comando.

O arroz é o novo ouro?

 

O preço do arroz disparou. Isso é um indício de inflação em alta? Devemos começar a nos preocupar? Para responder a essa perguntas trouxemos Natalie Victal, economista da Garde Asset.

Assista aqui e entenda a tempestade perfeita do arroz e como ela fez seu preço disparar.

Queime após as 10h

Quem já está no nosso canal do Telegram está recebendo, desde o início da semana, um morning call diferente. É o Queime Após as 10h, nosso boletim diário para você ler antes da abertura da Bolsa.

É rápido e objetivo, feito do nosso jeito: sem frescura e com bom humor. É até estranho chamar de morning call, mas não conhecemos outro termo.

Achou que não ia ter merchan?

Achou errado.

Está com saudades da emoção do circuit breakers, mas não quer mais correr tanto risco? Relembre as emoções da semana mais eletrizante da B3 com a nossa camiseta! Clique e garanta a sua!

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Um abraço,

Thiago Salomão
Fundador e Apresentador do Stock Pickers