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Soja e milho estão numa tempestade perfeita, diz gestor da Kapitalo

Estímulos fiscais aceleraram o consumo de alimentos enquanto diminuição da oferta pode fazer o commodities subir mais em 2021

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No meio de uma das maiores tragédias globais da história, as commodities fecharam o ano com um forte movimento de alta. Como isso é possível? Para tentar entender esse aparente paradoxo, conversamos nesta sexta-feira com Bruno Cordeiro, gestor do Kapitalo K10, fundo global macro e commodities.

“Quando aconteceu a crise do covid, a China ficou muito preocupada com as cadeias globais de fornecimento. Então o que ela fez? Comprou tudo que podia. Ela estava vendo a América do Sul tendo que parar a produção de algumas commodities e desabastecimento forte de milho internamente. Ela foi comprando grãos, metais e muito petróleo também”, explicou Cordeiro sobre o comportamento da China durante a pandemia.

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A decisão chinesa foi estratégica para, primeiramente, garantir fornecimento de curto prazo diante de um cenário incerto e manter a economia funcionando, e, num segundo momento, ter matéria-prima para estimular a economia via investimento em infraestrutura.

“Então, nesse movimento, ela desabasteceu o mercado fora da China e abasteceu o mercado interno. E esse material não vai mais sair da China”, comentou Cordeiro.

Soja e milho: a tempestade perfeita

Agora, com o mundo começando a vacinar, Cordeiro vê a recuperação global acontecendo num momento que os estoques estão baixos: o mercado percebeu que uma recuperação ocorrerá num momento em que o mundo está praticamente sem estoques e, por isso, os preços dispararam.

“Teve um outro componente também: apesar de o PIB ter caído, a renda disponível do consumidor subiu por conta dos estímulos fiscais muito fortes. E como as pessoas não estavam consumindo serviço, teve um consumo de comida, por exemplo, muito mais forte do que havia antes, e isso também apertou o balanço”, afirma.

Atualmente, com as cadeias produtivas na Ásia muito apertadas (baixa oferta), os preços das commodities ficam sujeitos a oscilações drásticas. E esse é justamente o caso da soja e do milho na China.

“Sempre que a China tem problemas assim ela compra muito grão, porque é muito importadora de comida. Ano passado ela comprou muito milho e soja no mercado americano. Hoje o mercado americano prevê que vai acabar a soja no segundo semestre. E aqui, na América Latina, revisamos para baixo as projeções de oferta por causa do La Niña. Por isso o preço não para de subir”, explicou

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Apesar de estarem comprados nessas duas commodities (soja e milho), os fundos da K10 já colocaram uma parte do lucro desse ciclo no bolso.

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