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Se não chover a partir de outubro, Brasil pode “perder” 2% do PIB e inflação romper 8%, diz RPS

Está comprado em Brasil? Então faça uma prece para São Pedro, você vai precisar dele

(CONDADO DA FARIA LIMA) – “O Brasil está tão zicado que, quando chega uma ‘tempestade perfeita’ aqui, ela chega sem água”. Esse foi o primeiro comentário que recebemos após a entrevista na manhã desta quarta-feira (25) com Gabriel Barros, economista-chefe da RPS Capital e autor de um estudo detalhando os impactos macroeconômicos de uma crise hídrica no Brasil.

O resumo do estudo é: se não chover entre outubro e abril (que é o período de chuvas no Brasil), as revisões tarifárias que o governo terá que fazer podem levar a inflação para acima de 8% e o PIB brasileiro “perderá” mais de 2% no ano que vem. Isso transborda também no risco fiscal, já que metade dos gastos do governo de 2022 estão indexados à inflação deste ano.

Dentre as várias informações do estudo, duas nos preocuparam bastante: a “caixa d’água” do Brasil (que são os nossos reservatórios) está no menor nível em 91 anos, enquanto a “Energia Natural Afluente (ENA)” no Brasil mostra que desde 2010 tem chovido abaixo da média no Brasil. O estudo da RPS tem 5 páginas e está disponível pra todos no Telegram do Stock Pickers (link aqui).

Conclusão: diante disso, a carteira da RPS “está fora do Brasil”, tendo investimentos apenas em empresas produtoras de commodities, que estão mais sujeitas a fatores externos do que internos.

Perguntado se eles voltariam a investir no Brasil se São Pedro olhar por nós e as chuvas chegarem, Barros foi categórico: “até dá pra voltar [a investir no Brasil], mas com trades muito táticos e curtos. Nós temos uma visão pessimista para Brasil do ponto de vista estrutural. Por exemplo: o PIB potencial do Brasil é muito baixo e esse desafio de crescimento bate no fiscal”.

A entrevista completa você confere no vídeo acima ou direto em nosso canal no Youtube (clique aqui para acessá-lo).

(ps: enquanto escrevia esta nota, o IBGE divulgou às 9h o IPCA-15 de agosto: inflação de 0,89%, acima da expectativa de 0,83%)