Guilherme Giserman

Por que stock pickers precisam participar da revolução dos meios de pagamentos

Estrategista internacional da XP, Guilherme Giserman explica por que a revolução nos meios de pagamento devem estar no radar dos stock pickers.

(Shutterstock)

Guilherme Giserman, estrategista internacional na XP, é o colunista convidado desta semana no Stock Pickers. 

Você sabia que o primeiro pagamento feito pela internet na história foi pela compra de um CD do Sting, há 26 anos?

De lá para cá vimos a evolução exponencial dos meios de pagamento digitais e cada vez mais o papel moeda sendo substituído por formas eletrônicas de pagar. E junto a esse fenômeno veio a valorização das empresas prestadoras de tais serviços. Nos últimos 5 anos, ações da Paypal e da Square subiram respectivamente 360% e 900%. Já as da Shopify precisaram de um ano a menos para chegar a 3.600%.

Enquanto isso, gigantes como o Facebook mergulham no mundo de comércio eletrônico e carteira digital, ao mesmo tempo que serviços bancários são substituídos por tecnologia.

Dizer que o futuro do dinheiro é digital seria menosprezar esse movimento. O presente do dinheiro já é eletrônico e no futuro ele será ainda mais. Abaixo reuni 7 argumentos para lhe mostrar por que acredito nisso:

1) Tamanho do mercado: Em 2019, o volume de transações digitais no planeta totalizou US$ 4,1 trilhões, gerando uma receita de US$ 3,5 trilhões para os provedores destes serviços (crescimento de 21% em 12 meses).

2) Migração para o digital: Atualmente, mais de 2,3 bilhões de pessoas já possuem alguma forma de carteira digital. Pesquisa da consultoria especializada em tecnologia Juniper indica que, em 2024, esse número será de 4 bilhões, resultando em um volume de US$ 9 trilhões em transações digitais. Destas, 70% ocorrerão via dispositivo móvel.

3) Novas tecnologias: O CEO da Paypal ressalta que há 2 bilhões de pessoas no mundo que não estão bem atendidas em seus serviços financeiros e que aproximadamente 70% delas possuem um dispositivo móvel. Novas tecnologias como pagamentos via leitura biométrica/facial/sem fio deverão reduzir o atrito das transações e garantir a segurança, aumentando o engajamento e dispensando cada vez mais os meios físicos.

Capa do CD Ten Summoner's Tales, de Sting
Pagamento pelo CD Ten Summoner’s Tales, de Sting, foi o primeiro realizado pela internet na história

4) Expansão geográfica: Você sabia que a China é responsável por 56% do comércio digital global? Os EUA são responsáveis por apenas 17% e os 10 países com mais adoção digital ainda são responsáveis por 90% da receitas. Tendo em vista os altos níveis que alguns países atingiram, e a (ainda) baixa participação de mercados emergentes no mercdo de pagamentos digitais, há enorme potencial. No Brasil, por exemplo, são mais de 230 milhões de smartphones em uso; se incluirmos computadores e tablets na conta, são mais de dois dispositivos móveis por habitante.

5) Confinamento social: Pessoas presas em casa por causa da pandemia de covid-19 passam a engajar mais com seus aparelhos móveis, e parte do movimento fica no pós-crise, com a intensificação da tendência digital. Números da Cloudflare indicam que o uso de internet teria aumentado em 70%, e dados do Bank of America registraram crescimento maior que 100% nas compras de supermercado online, e maior que 30% no varejo e em produtos de saúde. Cada dólar gasto online aumenta a receita das processadoras de pagamentos.

Quer receber a Newsletter do Stock Pickers? Preencha o campo abaixo com seu nome e seu melhor email

6) Posicionamento das grandes empresas: O Facebook, por exemplo, já está transformando a forma de consumo e pagamentos dentro de seus aplicativos como o Facebook Pay e o WhatsApp Pay. Na China, o WeChat já transaciona US$ 1 bilhão por dia e é apenas uma questão de tempo para que os mais de 2 bilhões de potenciais usuários no WhatsApp passem a transacionar via aplicativo.

7) A qualidade das empresas por trás desta tendência: PayPal surpreende pela taxa de conversão; o método é 2 vezes mais aceito que a média da indústria. Shopify já subiu 3.400% desde seu IPO em 2015 e não dá sinais de desgaste uma vez que firmou parcerias com o Walmart e pode conectar-se com sua base de mais de 120 milhões de clientes. Por último, mas não menos importante, a Square foca no desenvolvimento de diversas formas de pagamento para reduzir os erros das transações e conta com rede de 2 milhões de comerciantes cadastrados e mais de 24 milhões de usuários ativos em carteiras digitais.

Uma das tarefas mais importantes do investidor é identificar onde estão as histórias de crescimento no mundo. Como vimos, a tendência de pagamentos digitais é uma delas, com histórico impressionante de adoção e consequente apreciação das ações das empresas que fornecem tal tecnologia. A tendência veio para ficar, e empresas bem posicionadas para surfar essa onda deverão ser recompensadas cada vez mais.