Por Que Invisto Em…

É hora de investir em Via (VIIA3)? Rafael Bevilacqua, da Levante, apresenta sua tese otimista com ação

Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante, divide sua tese sobre as ações da Via Varejo no Por Que Invisto Em…

Por  Equipe Stock Pickers -

O varejo vem sendo castigado pela alta inflação e diminuição do poder de compra da população. As ações da Via (VIIA3), dona das redes Casas Bahia e Ponto, recuaram mais de 50,2% desde o início do ano. A varejista não está sozinha nessa derrocada, os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) e da Americanas (AMER3), também enfrentam um período de queda no acumulado de 2022, mesmo com a alta recente dos ativos.

Mesmo com um cenário aparentemente apertado para empresas do setor, Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante, acredita tanto na tese que comprou uma posição grande na pessoa física e tornou esse investimento público.

Via ainda continua sendo uma boa opção para carteira?

Em momentos de volatilidade e incertezas macroeconômicas, empresas de varejo — que vivem do consumo — acabam sendo as principais prejudicadas. Porém, para o estrategista-chefe da Levante, a VIIA3 conta com outros ativos que tornam positiva sua posição diante da ação.

De 2019 para cá a Via passou de uma empresa do varejo tradicional (majoritariamente física) para uma companhia do e-commerce, que conseguiu investir em tech e entregar resultados. Essa transformação é para Bevilacqua um dos pontos mais atrativos do negócio, pois torna o modelo mais rentável em um momento em que os papéis estão mais baratos.

“O mercado precificou que a empresa não vai crescer, que provavelmente tem risco de quebrar… Tudo de ruim já está no preço”, afirma o analista. Para ele isso significa que se qualquer investidor reduzir uma posição short [vendida, que aposta na queda das ações], isso já acaba sendo refletido e consequentemente elevando o valor do papel.

Sobre as expectativas para retorno, Rafael considera que o negócio, atualmente valendo R$ 4 bilhões, considerando tudo que o grupo criou, deveria valer no mínimo 10 vezes o valor da empresa sobre o lucro antes de juros impostos, depreciações e amortizações (ou EV/Ebitda), ou seja, por volta de R$ 13,6 bilhões.

As ações realizadas pela Via, bem como seus projetos para os próximos anos, animam o analista. “Eu vejo as ações da empresa ao investir em logística, tech, na disciplina de prezar pela rentabilidade não pelo crescimento, como uma estratégia de longo prazo”, complementa.

Dívidas elevadas 

Um cenário eventualmente mais recessivo faz com que empresas com dívidas elevadas sofram mais, como é o caso da Via. Atualmente o grupo tem uma dívida reportada de R$ 4,6 bilhões e um caixa de R$ 5,2 bilhões, quando considerado os recebíveis do cartão de crédito (se retirados esse valor da conta, o caixa é de R$ 2,7 bilhões). Porém, para Bevilacqua, ainda que a situação não seja das mais confortáveis, não apresenta nenhum motivo para pânico.

Outro fator envolvendo a Via acendeu o alerta vermelho do mercado. No 3º trimestre de 2021 a empresa reportou de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão de passivos trabalhistas da gestão passada. “Porém, a empresa tem créditos fiscais a serem monetizados que praticamente abatem este custo”, afirma o estrategista-chefe da Levante.

Novos concorrentes 

Além do cenário econômico alarmante, a incerteza sobre os papéis aumenta em meio ao crescimento da concorrência no país. “Você vê grandes fundos investindo em concorrentes, mas quando se olha para o fluxo, ele é extremamente caro”, ou seja, para Rafael essas empresas, embora estejam conquistando o mercado, estão queimando caixa e fazendo mais barulho do que resultados.

“Esses movimentos não são sustentáveis, porque uma hora o dinheiro acaba e você não consegue construir um espaço de fato”, complementa.

Na contramão, a Via vem apresentando projetos sólidos que podem torná-la ainda mais interessante no longo prazo, segundo o especialista. Na leitura dele, o grupo é o único no país a apresentar logística que entrega grandes itens pelo Brasil, o que cria valor e recorrência. E por falar em recorrência, a operação crediária do grupo é outro de seus ativos, pois além de fidelizar os clientes, protege a empresa de movimentos explosivos de inadimplência quando há piora na atividade econômica.

Para finalizar, mesmo o e-commerce tendo conquistado cada vez mais espaço, sobretudo após a pandemia do coronavírus, a Via conta com a vantagem de ter uma presença forte no comércio físico.

Para mais detalhes sobre a análise do estrategista-chefe da Levante, confira o “Por que Invisto Em… VIIA3”, no vídeo acima.

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