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Criptos para stock picker: 4 motivos para você não ignorar mais o assunto

A tecnologia cripto vai muito além do Bitcoin

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 20 de outubro de 2021. Para receber os próximos, clique aqui.

Quando falamos sobre Bitcoin e criptoativos pela primeira vez aqui no Stock Pickers, em novembro de 2020, a moeda mais famosa do universo da blockchain já não era mais uma brincadeira de nerd da internet, mas também não tinha sido adotada pelos grandes players do mercado.

De lá para cá, muita coisa mudou.

Surgiram ETFs de criptos na B3, grandes empresas anunciaram que estavam colocando Bitcoin no caixa e players relevantes revelaram ter posição em criptos.

Se o que nos motivou a fazer aquele primeiro episódio havia sido a renovação da máxima histórica naquela época, dessa vez resolvemos ir além e entender se o bitcoin e suas tecnologias correlatas ficarão circunscritas apenas ao universo cripto ou se a economia real poderá ser disruptada por tudo que tem sido criada nos últimos 13 anos desde Satoshi publicou seu paper.

Pode ser que para você ainda seja muito louco falar sobre criptos e blockchain, porque parece que essa ideia de um dinheiro digital faça parte apenas de uma modinha ou frenesi gerado por novas tecnologias. Mas, se você tiver humildade e curiosidade intelectual, dois valores caros aos investidores, o assunto poderá te surpreender.

Estamos longe de fazer parte de evangelizadores de criptos, contudo trocando ideias com os habitantes do Condado, podemos afirmar: não dá mais para ignorar as criptos.

Se você é um value investor “raiz”, não irá se interessar por todos os assuntos do universo dos criptoativos, porém vale lembrar que existem corretoras de critpos listadas e com alguns grandes investidores como acionistas. Ou seja, não é preciso comprar Bitcoin ou Ether (as duas criptos com maior market cap atualmente) para se expor a essa nova classe de ativo.

Além da possibilidade de ganhar dinheiro com a compra e venda das criptomoedas, existem alguns outros motivos para você não ignorar mais este mercado e nós separamos os 4 principais após o papo de mais de 2 horas na quinta-feira com Alexandre Ludolf, CIO da QR Asset, Carlos Eduardo Gomes, Head de research da Hashdex, e Rodrigo Tolotti, editor de cripto do Infomoney.

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1. Hegde

Para você que nos acompanha, após vários episódios com gestores de multimercados, a ideia de hedge já deve estar bem clara: hedge é proteção (seguro). 

No caso das criptos (principalmente o Bitcoin), a função é proteger contra a inflação, mas alguns já o enxergam como hedge político (proteção contra a instabilidade). Como o Bitcoin é escasso (só existirão 21 milhões) e funciona com um “sistema monetário” independente, imutável e incensurável, os investidores desse ativo, teoricamente, estão protegidos de ação da ação expansionista dos bancos centrais e rupturas políticas.

É importante ressaltar aqui: o bitcoin tem apenas 13 anos de existência e sua função como hedge ainda será testada mais fortemente nas próximas décadas.

2. Impacto da tecnologia blockchain na economia real

Antes de mais nada, é importante você saber o que é o blockchain. Se num sistema tradicional de estrutura de banco de dados, as informações são registradas e armazenadas de forma centralizada, na blockchain o registro ocorre de forma descentralizada e é guardada em diversos servidores de forma distribuída.

Essa tecnologia poderá ser aplicada em qualquer sistema que necessite de verificação centralizada: cartórios, serviços financeiros, direitos autorais etc. Isso significa que a rede descentralizada pode disruptar qualquer sistema em que apenas um ente se beneficie da centralização.

3. Ativos digitais

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A onda dos NFTs (Tokens Não Fungíveis) explodiu recentemente e muitas pessoas se questionaram se isso não seria apenas mais uma bolha, mas quem tem filho ou convive com crianças sabe que os ativos digitais já são uma realidade.

Se você brincava de cartas no mundo real, é bem provável que a próxima geração compre e venda cartas no mundo virtual. E isso só será possível com as NFTs, pois elas permitem distinguir o original do print. Para você ter uma ideia, somente em fevereiro desse ano, a plataforma de figurinhas digitais da NBA movimentou sozinha cerca de US$ 225 milhões.

4. Web 3.0

“Se você não está pagando por um produto, é sinal de que o produto é você”: já ouviu essa frase? Na internet isso é a regra. As grandes empresas fazem muito dinheiro com a sua atenção através da venda de propaganda. Enquanto você navega, eles monetizam.

Mas isso pode mudar com o surgimento da web 3.0. Se hoje os dados são centralizados e alguns poucos se beneficiam, na web 3.0 os dados serão interconectados de forma descentralizada. Com isso, será possível você ser remunerado pela sua atenção ao invés de ser apenas “o produto”.

Essas foram as 4 principais revoluções que já estão acontecendo com base em toda a tecnologia das criptos que tiramos do episódio #123. Pode parecer um pouco distante ou apenas uma viagem, mas escute o programa completo para tirar suas próprias conclusões, pois o setor que você estuda para investir pode conter algum negócio que poderá ser disruptado pela onda de descentralização criada por Satoshi.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers