“Entre Reis e CEOs”

CEO do BR Partners (BRBI11) diz não acreditar em banco que não tenha retorno sobre o capital investido

Ricardo Lacerda, fundador da instituição, é entrevistado do programa “Entre Reis e CEOs”, apresentado por Tiago Reis, da Suno Research

Por  Augusto Diniz -

O BR Partners (BRBI11) é praticamente um novato na Bolsa, com sua estreia no mercado acionário brasileiro em junho do ano passado. Para o banco independente, especializado em assessoria financeira e investimentos, a abertura de capital foi transformacional, conforme destacou Ricardo Lacerda, CEO e fundador da instituição, ao programa “Entre Reis e CEOs”, apresentado por Tiago Reis, fundador e CEO da Suno Research. Durante a conversa, ele também falou sobre o histórico da companhia e as oportunidades na área de atuação da empresa.

“O que a gente tem conseguido entregar ao nosso investidor é um crescimento bom. Historicamente, estamos crescendo de 25 a 30% ao ano, com retorno sobre o capital também bom”, diz sobre o desempenho da instituição.

Com relação ao retorno sobre o capital investido (em inglês, return on investment ou a sigla ROI), o executivo considera a métrica importantíssima para as instituições financeiras.

“Não acredito em banco que não tenha ROI. Você não consegue sobreviver se você levanta um boom de capital e não dá retorno em cima daquele capital”, afirma. Para ele, é fundamental a instituição ter rentabilidade.

Lacerda conhece a fundo como funciona o setor de bancos. Antes de abrir com alguns sócios, em 2009, o BR Partners, ele já havia passado pelo Chase Bank, Goldman Sachs e o Citibank, ocupando cargos relevantes nestas instituições.

“Você pode até não dar (retorno) em um ano, ter uma curva que pode levar a ter um retorno um pouco mais à frente, mas não pode durante anos, anos e anos dar retorno abaixo de seu custo de capital. É estar queimando o dinheiro do acionista. A gente não acredita nesse modelo”.

IPO foi “transformacional” para a empresa

O CEO do BR Partners afirma que a oferta de ações foi “transformacional” para a companhia. “A gente estava limitado ao tamanho restrito de nosso capital”, conta. “O IPO reposicionou num patamar acima”. O executivo acrescenta que “como o negócio cresceu e passou a atuar em mais mercados, precisou de mais capital”.

O capital inicial levantado para abrir a operação foi de R$ 100 milhões, que se transformou R$ 300 milhões em 2021, ano do IPO, de acordo com Ricardo Lacerda. “Isso mostra a grande rentabilidade que o nosso negócio teve ao longo do tempo”, afirma.

A política de dividendos mínima da companhia é na faixa de 25%, segundo o CEO, mas a empresa tem conseguido distribuir aos acionistas bem acima disso. Ano passado, ficou próximo de 60%: “A gente mira nessa faixa de 50 a 60% de dividendos todo ano”.

Interesse em gestão de fortunas

O BR Partners trabalha com investimentos, mercado de capitais e produtos de tesouraria.

“A empresa cresceu muito com um mix de receita de serviços. Essa ainda é a nossa principal receita”, diz. Na área de investimento, a companhia faz assessoria financeira a grandes empresas de fusão e aquisição, laudo de incorporação, compra e venda de ações, abertura de capital e reestruturação de dívida, E, ainda, identifica setores em crescimento e levanta fundo para empresas.

Na linha de produtos de tesouraria, auxilia empresas na busca de proteção, por exemplo, de uma dívida em dólar de exposição ao câmbio.

Na área de mercado de capitais, origina do cliente, estrutura e distribui produtos de renda fixa, como CRI (Certificado de Recebíveis imobiliários) – uma especialidade do BR Partners -, fundo imobiliário, CRAs (Certificado de Recebimento do Agronegócio) e debêntures de infraestrutura. “Fazemos com equipe própria, sem depender de terceiros”, ressalta.

Com uma carteira próxima de R$ 1 bilhão, Ricardo Lacerda explica que a companhia fica com 20 a 25% das emissões ou o máximo R$ 150 milhões em valor de emissão. “Só compramos carteiras que foram originados, estruturados e comprados por nós. Não pegamos papel no mercado para especular ou buscamos emissões de outros bancos”, ressalta.

A empresa tem interesse em entrar no segmento de gestão de fortunas. “Tem muita afinidade com o que a gente faz”, cita o fundador do BR Partners. A empresa não descarta aquisição de empresas que já atua nessa área.

O BR Partners trabalhou na capitalização da Eletrobras no papel de estruturação do processo de venda e definição do preço mínimo junto com o BNDES.

Possível deterioração do mercado preocupa

Ricardo Lacerda comenta que o mercado este ano tem preocupado. “Ainda assim, a gente tem um nível de atividade que é bom, mas o cenário macro está bem mais desafiador do que estava em 2021”, destaca.

“O risco é este cenário continuar se deteriorando e de ter uma queda mais generalizada, como a gente viu com as emissões de ações. A gente não atua nesse segmento de emissões de ações, mas esse segmento de outubro para cá ele praticamente sumiu”, diz.

“Os bancos que estão mais expostos tem mostrado isso nos resultados. Essa deterioração do mercado de ações pode contaminar o mercado de renda fixa, fusões e aquisições. Sempre tem um risco”.

Ainda para o executivo, o que mais preocupa hoje é ter uma “desaceleração mais acentuada, ou uma deterioração muito forte no cenário macroeconômico ou uma crise institucional-política mais séria”.

Assista a entrevista completa de Ricardo Lacerda, CEO e fundador do BR Partners, no programa “Entre Reis e CEOs”, apresentado por Tiago Reis, da Suno Research:

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