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Benchimol, Buffett e um desconhecido frentista de posto: o que une essas três histórias?

Quando a questão é acumulo de patrimônio ou construção de grandes empresas, usar o tempo como grande aliado é a resposta

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 07 de agosto de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Investir pensando no longo prazo é repetido com tanta exaustão que em alguns momentos parece que já virou clichê.

Você também já deve ter usado o “longo prazo” para explicar sua filosofia de investimento.

Mas você realmente já parou para pensar no poder do longo prazo?

Para a mágica dos juros compostos acontecer, você precisara se ligar numa variável incontrolável e que permeia a vida de todos: o tempo.

Além do tempo, claro, você precisa encontrar um investimento que lhe dê um retorno razoável (algo encontrado somente em empresas vencedoras).

Quando tinha 21 anos, Warren Buffett, dono de um track record invejável e um dos nomes mais citados quando o assunto é longo prazo, tinha um patrimônio de 21 mil dólares.

Warren Buffett, dono de um track record invejável e um dos nomes mais citados quando o assunto é longo prazo, aos 21 anos tinha apenas 21 mil dólares.

Aos 30, Buffett atingiu a marca de 1 milhão de dólares. Nada mal, não é? Atingiu o tal 1 milhão com 30.

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Mas todo mundo sabe que o velhinho não parou por aí. Atualmente, 1 milhão representa “apenas” 0,0009% do seu patrimônio de 101,6 bilhões de dólares.

E, desse montante total, 99,7% vieram após seu aniversário de 52 anos!

Isso mesmo, até os 52 anos Buffett só tinha 0,3% do que ele tem hoje. Isso equivale a 304,8 milhões de dólares.

Para quem começou aos 14 anos, é impressionante como o longo prazo beneficiou um dos maiores gênios da história dos mercados.

Mas, como Buffett é um outlier (“fora da curva”), você pode achar que o exemplo dele já foi repetido tantas vezes que não te comove mais.

Então você já ouviu falar de Ronald Read James? Provavelmente não.

Read nasceu na zona rural de Vermont. Foi a primeira pessoa da sua família a concluir o ensino médio, e o fato de que ele precisava pegar carona todos os dias para chegar à escola torna a coisa toda ainda mais impressionante.

Para quem conhecia Read, não havia muito mais a ser dito. Sua vida era realmente muito discreta quanto parece. Read passou 25 anos consertando carros em um posto de gasolina e 17 anos varrendo o chão de uma filial da JCPenney, uma rede de lojas de departamentos.

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Aos 38 anos, comprou uma casa de dois quartos por 12 mil dólares, e viveu nela pelo resto da vida. Ficou viúvo aos 50 e não voltou a se casar. Um amigo contou que o principal hobby de Read era cortar lenha.

Read morreu em 2014, aos 92 anos. Foi quando o humilde faxineiro da zona rural ganhou as manchetes do mundo todo.

Ao todo, 2.813.503 americanos morreram em 2014. Menos de 4 mil tinham um patrimônio líquido de mais de 8 milhões de dólares quando faleceram. E Read era um deles.

No testamento, o ex-faxineiro deixou 2 milhões de dólares para os enteados e mais de 6 milhões para o hospital e para a biblioteca da cidade.

Todos que conheciam Read ficaram perplexos. Onde ele tinha conseguido tanto dinheiro?

No fim das contas não havia nenhuma história secreta.

Nada de bilhete de loteria ou herança. Read guardou o pouco que podia e investiu em ações “blue chips”, ou seja, ações de primeira linha.

Em seguida, passou décadas esperando aquele pequeno investimento inicial render e alcançar 8 milhões de dólares. Simples assim. De faxineiro a filantropo.

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Para Morgan Houssel, autor de A Psicologia Financeira (um dos livros mais recomendados da história do Stock Pickers), o sucesso financeiro não é uma habilidade técnica. É uma habilidade pessoal, na qual o comportamento é mais importante do que o seu conhecimento.

Agora você deve estar pensando: isso só acontece nos Estados Unidos? O longo prazo só faz sua mágica na terra do Tio Sam?

Formado na faculdade que não queria e sem o início de carreira que planejava, o economista Guilherme Benchimol iniciou sua trajetória na mesa de negociação de um grande player. Quando completou 24 anos, a bolha das empresas de internet explodiu, sua área deixou de existir e ele foi demitido

Segundo ele próprio, a interrupção na carreira que parecia promissora foi como um balde de água fria. Benchimol deixou o Rio de Janeiro para aceitar uma posição numa corretora em Porto Alegre.

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Com um capital inicial de cerca de R$ 15 mil, suficientes para alugar uma sala comercial e comprar computadores usados de uma lan house, a XP foi criada em maio de 2001.

Em 2009, o primeiro private equity que investiu na XP avaliou a empresa em R$ 500 milhões de reais e muita gente achou o negócio caro.

7 anos depois, com aportes de fundos equity, a XP expandiu as operações e atraiu o Itaú, que aportou R$ 6 bilhões para comprar 49,9% do capital da corretora em 2017.

Dois anos depois, abriu capital na Nasdaq e hoje vale aproximadamente US$ 27 bilhões de dólares – mais de R$ 100 bilhões de reais.

Os valores gerados por cada um dos três investidores podem ser bem diferentes e a forma como chegaram até lá também, mas, sem dúvida, o longo prazo os une.

Como não gostamos de “cagar regra”, convidamos o dono daquela última história 7(até porque o segundo já morreu e o primeiro é um pouquinho inacessível), Guilherme Benchimol, fundador e presidente-executivo do conselho de administração da XP Inc, e Rodrigo Furtado, fundador e gestor do XP Long Term, para saber perguntar: quanto tempo esperar para um empreendimento dar certo? Quanto tempo esperar para um investimento ter retorno?

Sobre isso e por que nem todos podem ser Jeff Bezos, você saberá no episódio #108 do Stock Pickers!

Arrume um bom lugar para escutar, porque somos também adeptos do “longo prazo” e a conversa ficou com mais de uma hora.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers