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A tempestade perfeita no Chile que fez a GAP Asset ser uma das grandes vencedoras no “terrível setembro”

Fundo multimercado da GAP rendeu 5,2%, com uma das maiores contribuições vindo de posição tomada em juro chileno; sócio-fundador da gestora explicou a tese

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Que a situação no mercado azedou de uns tempos pra cá, isso não é novidade pra ninguém: a crise energética mundo afora, Evergrande na China, “tapering” e quadro fiscal no Brasil estão sempre no noticiário. Mas hoje entendemos melhor o que se passa com um de nossos vizinhos da América do Sul – e que fez a GAP Asset ganhar bastante dinheiro no terrível setembro para os mercados.

A GAP viu seu fundo multimercado, o GAP Absoluto, render 5,2% em um setembro em que o Ibovespa caiu 6,6% e o IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA) subiu 0,15%. “Foi uma boa decisão de setembro diversificar nossas posições em juros porque a maior contribuição foi em posições tomadas no Chile e no México”, explicou no Coffee & Stocks desta quarta-feira (13) o sócio-fundador e gestor da GAP, Renato Junqueira (veja a entrevista completa no player acima).

Ele zerou a posição em México mas ainda carrega a no Chile por acreditar que o país está passando por uma “tempestade perfeita”, como explica o Junqueira: “o Chile dos países que mais injetou estímulo no mundo e além disso eles deram um incentivo via saques da previdência. É um país com juro baixo, que injetou muito estímulo e tudo isso às vésperas de uma eleição em que os candidatos de esquerda caminham para ganhar e estão preparando uma assembleia constituinte, justamente para conter as tensões sociais que estavam ocorrendo. Ao mesmo tempo, ele tem um BC independente e sério”. Diante desse cenário, conclui-se que só há uma saída para o juro chileno: pra cima.

Completando a carteira, o GAP Absoluto reduziu o tamanho das posições mas ainda segue com juros americanos e dólar contra moedas de países emergentes. “Os preços andaram muito rápido, então estamos com posições de risco menores. Ainda vemos cenário desafiador para emergentes, mas a gente deu uma diminuída”, explica o gestor.

Sobre Brasil, o tom é mais pessimista: “Brasil foi um value trap”. A GAP tinha uma carteira de empresas ligadas a economia doméstica, que ganharia com a retomada, o que não deu certo em setembro. “A gente vem diminuindo as posições desde que explodiu a bomba dos precatórios (…) os discursos não são compatíveis: ao mesmo tempo que o governo fala que vai ajudar quem precisa, ele diz que não vai estourar o teto, mas a conta não fecha”.

Veja a entrevista completa no vídeo acima ou direto em nosso canal no youtube (clique aqui)