Stock Pickers

A “tempestade perfeita” do arroz e os efeitos na inflação brasileira

Entenda os 4 fatores que fizeram o preço do arroz ser mais comentado do que final de novela

SÃO PAULO – O assunto de economia mais comentado no noticiário “não-econômico” foi a alta do preço do arroz. No Coffee & Stocks desta semana, entendemos não apenas por que o preço disparou, mas quais as consequências que isso pode trazer nas projeções de inflação para este ano e até para a política.

A convidada foi a economista da Garde Asset, Natalie Victal. Ela definiu como “tempestade perfeita” o que aconteceu com o arroz e, embora acredite que isso seja temporário, já causou efeitos na inflação brasileira.

Assista acima a íntegra do Coffee & Stocks. Abaixo, você confere os principais tópicos da entrevista:

Arroz: por que o preço subiu?
Foi uma tempestade perfeita, explicada por quatro fatores. Primeiro, tivemos um aumento da demanda, que pode ser explicado tanto pelo benefício assistencial do governo quanto pelo fato de muita gente estar fazendo mais refeições em casa por estarem saindo menos. Não se sabe ao certo o peso de cada evento, mas o fato é: houve um descasamento de oferta e demanda.

Segundo ponto é que alguns países produtores na Ásia suspenderam as exportações de arroz no início do ano por conta dos temores com a pandemia. E por que o arroz? Porque é um mercado muito pequeno, onde os poucos produtores também são fortes consumidores.

Terceiro ponto é a forte queda do real em 2020, o que beneficia a exportação. Por fim, tivemos uma produção menor no Brasil neste ano: como o preço do arroz não estava tão atrativo para venda, o volume produzido neste ano foi menor.

É temporário – mas causará efeitos
Imaginamos que todo esse efeito seja temporário, porque não teve quebra de safra. No entanto, elevamos nossa projeção do IPCA de 2020 para 2,2%. Somos mais pessimistas do que a mediana do mercado, que está em torno de 1,8% [durante a entrevista, saiu o boletim Focus, mostrando que a mediana das projeções do IPCA para 2020 saltou de 1,78% para 1,94% de semana passada pra cá].

E a Selic?
O Banco Central foca suas ações naquilo que ele consegue afetar, e preço de alimentos é algo que ele não consegue afetar. Além disso, estamos com o núcleo de inflação muito baixo. Por isso não achamos que isso terá impacto na decisão do Copom, que deve manter a Selic em 2% nesta quarta-feira.

O programa Coffee & Stocks é transmitido ao vivo todas as segundas-feiras às 8h da manhã no Youtube do Stock Pickers.