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O “six seven” virou um dos memes mais repetidos por crianças e adolescentes, mas segue sem tradução clara para os adultos.
A expressão circula em músicas, vídeos e redes sociais, é repetida à exaustão e costuma provocar apenas risadas quando alguém mais velho pergunta o que significa — o que, talvez, seja justamente o objetivo, analisa a jornalista e fundadora da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), Renata Cafardo, em coluna no jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo ela, há indícios sobre a origem do termo, que vão de uma música do rapper Skrilla a entrevistas do jogador de basquete LaMelo Ball, mas nenhuma dessas pistas explica de fato o fenômeno. O “six seven”, aponta a jornalista, se encaixa no universo dos brain rots: conteúdos curtos, virais e sem sentido aparente, comuns entre as gerações Alpha e Z.
Renata observa que a ausência de significado não é um defeito, mas uma estratégia. Em um contexto de hiperexposição desde a infância, repetir algo que os adultos não decifram pode funcionar como um “gesto de resistência” e preservação de intimidade.
Para pais e responsáveis, aceitar esse desconhecimento faz parte do processo de crescimento dos filhos, ela destaca no texto. Entre tanta vigilância e mediação adulta, um meme incompreensível pode ser apenas um pequeno e necessário espaço de liberdade juvenil.