O que muda no mercado de canetas emagrecedoras com quebra da patente da semaglutida

Especialistas da XP analisam como o fim da exclusividade da semaglutida pode transformar o setor farmacêutico e ampliar o acesso aos tratamentos.

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Canetas de Ozempic em linha de produção da Novo Nordisk na Dinamarca - 
26/9/2023 (Foto: REUTERS/Tom Little)
Canetas de Ozempic em linha de produção da Novo Nordisk na Dinamarca - 26/9/2023 (Foto: REUTERS/Tom Little)

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A XP Investimentos projeta que a expiração da patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, usados no tratamento do diabetes tipo 2 e para emagrecimento, prevista para o próximo ano, terá como principal efeito a redução de preços. Embora ainda não exista genéricos do medicamento no mundo (exceto na Rússia), mas o Saxenda da Novo Nordisk (NN), precursor do GLP-1, serve como referência.

Nos Estados Unidos (EUA), a versão genérica foi lançada com desconto de cerca de 30% sobre o preço de tabela (WAC, Wholesale Acquisition Cost), enquanto no Brasil os genéricos da EMS (Olire e Lirux) custam em torno de 15% menos que o produto original.

Saiba mais: Médicos criticam veto de Ozempic e Saxenda no SUS: “Apenas para quem consegue pagar”

Apesar do mercado de liraglutida ser menor que o de semaglutida ou tirzepatida (Mounjaro), analistas acreditam que os descontos iniciais dos genéricos de semaglutida sigam faixa similar de cerca de 15%, considerando custos de produção e disponibilidade limitada de canetas injetoras.

A XP Investimentos destaca também a expectativa de ampliação da oferta, com laboratórios locais como EMS, Hypera (HYPE3), CIMED e Biomm já se preparando para comercializar genéricos de semaglutida no próximo ano.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dará prioridade à análise de registros de genéricos do Ozempic produzidos no Brasil, visando mitigar instabilidade no fornecimento.

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Atualmente, há nove pedidos de medicamentos sintéticos à base de semaglutida e três biológicos, enquanto o órgão consegue analisar três de cada por semestre. O relatório lembra que a tirzepatida da Eli Lilly permanecerá patenteada até 2035 no Brasil, e a empresa avança no desenvolvimento de versão oral, Orforglipron, com submissão prevista ao FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA) ainda este ano.

Segundo a XP Investimentos, essas mudanças devem ampliar o acesso ao medicamento no Brasil, permitindo que mais pacientes adquiram genéricos de GLP-1. Além disso, farmácias devem se beneficiar de melhores margens e a indústria farmacêutica local de uma nova fonte de receita. Historicamente, genéricos apresentam margem bruta cerca de duas vezes maior que o medicamento de referência, indicando que descontos abaixo de 50% podem resultar em melhor relação lucro bruto/medicamento.