O alimento simples que domina a dieta dos centenários de Okinawa, no Japão

Estudo revela tubérculo na rotina alimentar dos centenários de Okinawa, considerada uma das regiões mais longevas do planeta

Felipe Moreira

Cidade de Naha, em Okinawa, Japão (Foto: Wikimedia Commons)
Cidade de Naha, em Okinawa, Japão (Foto: Wikimedia Commons)

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No extremo sul do Japão existe um lugar onde o tempo parece avançar em outro ritmo e onde seus habitantes acumulam a maior longevidade do planeta. Em Okinawa, um conjunto de ilhas banhadas pelo Pacífico, as estatísticas intrigam cientistas há décadas. A comunidade abriga uma das maiores concentrações de pessoas com mais de 100 anos do mundo, muitas delas com vitalidade física e lucidez mental que desafiam o avanço da idade.

Para cada 100 mil habitantes de Okinawa, 67 ultrapassam o século de vida com folga. A taxa está muito acima das médias globais e desperta interesse pela combinação de longevidade e qualidade de vida. Grande parte desses idosos mantém autonomia, mobilidade e clareza cognitiva até os anos finais, formando um retrato raro em escala mundial.

Diversos estudos tentaram desvendar o que sustenta esse fenômeno. Entre fatores culturais, sociais e genéticos, um elemento da dieta se destaca pela simplicidade e poder nutricional: a batata-doce, especialmente a variedade roxa conhecida como beni imo. O tubérculo, originário das Américas, ganhou protagonismo na culinária local e se tornou um dos pilares energéticos e nutricionais da população okinawana.

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A nutricionista Laura Jorge, em análise publicada pela revista Men’s Health, destaca que a alimentação de Okinawa segue padrões que priorizam alimentos naturais. A presença de laticínios é mínima e óleos processados raramente fazem parte das refeições diárias. A batata-doce encaixa-se de maneira quase perfeita nesse estilo de vida. O alimento é consumido em versões doces e salgadas e fornece energia constante, fibras e vitaminas sem provocar picos de glicose que sobrecarregam o organismo.

A variedade que domina as mesas locais, o beni imo, chama atenção pela cor roxa intensa, resultado dos mesmos pigmentos antioxidantes presentes em frutas como o mirtilo. Essa coloração vibrante indica a alta concentração de nutrientes. Uma porção do tubérculo pode conter até quatro vezes a dose diária recomendada de vitaminas A e C, nutrientes essenciais para o sistema imunológico, a saúde dos olhos e o bom funcionamento celular.

Além disso, a batata-doce roxa é rica em fibras, que favorecem a saúde intestinal, e oferece carboidratos complexos de alta qualidade. Cada porção possui cerca de 22 gramas desse tipo de carboidrato, o que garante energia sustentada para as atividades do dia, além de quase 2 gramas de proteína, componente fundamental para a manutenção dos tecidos corporais.

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As folhas da planta, em formato de coração, são pouco consumidas, mas a polpa roxa do tubérculo é o verdadeiro tesouro nutricional. Ela se tornou parte indissociável da culinária local. O beni imo aparece em pratos tradicionais, sobremesas e lanches, sempre respeitando a lógica alimentar de Okinawa, baseada em moderação, variedade e equilíbrio energético.

O conjunto desses fatores ajuda a entender por que um alimento tão simples ocupa um papel tão central na dieta de uma das populações mais longevas do planeta. Em Okinawa, a batata-doce não é apenas comida. Ela é símbolo de uma relação harmoniosa entre cultura, nutrição e estilo de vida que o mundo inteiro tenta decifrar há décadas.