Mortes prematuras de pessoas expostas ao fumo passivo chegam a 1,6 mi em 2023

Segundo estudo publicado pela revista científica The Lancet, ao menos 2,71 bilhões de pessoas estiveram expostas ao fumo passivo em 2023 em todo o mundo, incluindo 767 milhões de crianças

Homem fuma cigarro (cottonbro studio/Pexels)
Homem fuma cigarro (cottonbro studio/Pexels)

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Ao menos 2,71 bilhões de pessoas estiveram expostas ao fumo passivo em 2023 em todo o mundo, incluindo 767 milhões de crianças, com o número de mortes prematuras atribuído a esse comportamento alcançando 1,66 milhão. Os dados são de pesquisa da revista científica The Lancet, que destacou o fumo passivo como uma das principais fontes de morbidade e mortalidade entre não fumantes.

O estudo diz que o fumo passivo continua sendo um motor substancial de perda de saúde global, particularmente por meio de doenças cardiovasculares e respiratórias pediátricas.

O país com o maior número de indivíduos expostos ao fumo passivo em 2023 foi a China (664 milhões), seguida pela Índia (444 milhões) e pela Indonésia (142 milhões).

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A revista reconhece que houve um declínio de 22,2% na prevalência global desde 1990, mas diz que esse progresso não foi suficiente para reduzir o número absoluto de indivíduos expostos, que se manteve estável globalmente devido ao crescimento populacional e que aumentou acentuadamente na África Subsaariana, no Norte da África e no Oriente Médio.

Em nível de país, as maiores reduções na prevalência ocorreram na Dinamarca (–48,8%), Noruega (–44,3%), Brasil (–43,4%), México (–40,3%) e Canadá (–40,2%. Os maiores aumentos no número absoluto de indivíduos expostos ao fumo passivo no Catar (558,9%), Afeganistão (375,5%), Emirados Árabes Unidos (343,1%) e Djibuti (320,6%).

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Segundo a revista, disparidades geográficas persistentes e o crescente número absoluto de indivíduos expostos em várias regiões ressaltam a necessidade urgente de implementação e aplicação aceleradas de medidas abrangentes de controle do tabaco, especialmente para proteger mulheres e crianças tanto em ambientes públicos quanto domésticos.

“Como 70% da população global permanece desprotegida por leis abrangentes antifumo, esses achados destacam a necessidade de implementação acelerada do Artigo 8º da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, juntamente com medidas mais amplas de controle do tabaco para reduzir o tabagismo ativo”, diz o estudo.

“No contexto da expansão da morbidade, a proteção de não fumantes tanto em ambientes públicos quanto domésticos é necessária para mitigar as iniquidades em saúde a longo prazo”, recomenda a pesquisa.

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Tabagismo

A pesquisa destaca que o uso do tabaco continua sendo um dos principais contribuintes para a carga global de doenças, sendo responsável por aproximadamente 8 milhões de mortes em 2023. E que uma parte substancial desse ônus recai sobre os não fumantes expostos ao fumo passivo (SHS, na sigla em inglês), por meio de mecanismos similares aos do tabagismo ativo.

“O SHS combina a fumaça da corrente lateral — proveniente da ponta acesa dos produtos de tabaco — com a fumaça exalada pelos fumantes. O componente da corrente lateral, que domina o ar respirado pelos não fumantes, não é filtrado e sofre combustão incompleta, carregando concentrações por unidade mais elevadas de compostos tóxicos e cancerígenos do que a fumaça da corrente principal inalada pelo fumante”, explica o texto.

Segundo a revista, por meio de estresse oxidativo, disfunção endotelial e inflamação crônica, essas exposições elevam o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias, neoplásicas e metabólicas. “As crianças são especialmente suscetíveis, devido ao desenvolvimento das vias aéreas, ao sistema imunológico imaturo e à maior ventilação minuto por massa corporal.”

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