Junho Vermelho: campanha esclarece mitos e verdades sobre a doação de sangue

Campanha nacional busca aumentar doações no inverno e esclarecer dúvidas comuns sobre o processo seguro e rápido que pode salvar vidas

Victória Anhesini

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A doação de sangue é um ato simples, rápido e capaz de salvar vidas. No entanto, os bancos de sangue em todo o país enfrentam períodos críticos de desabastecimento, especialmente durante o inverno, quando as doações caem de forma expressiva.

Para mobilizar a população e reforçar o compromisso social com a saúde coletiva, foi criada a campanha nacional Junho Vermelho, que também celebra, no dia 14, o Dia Mundial do Doador de Sangue.

No Brasil, apenas 1,4% da população doa sangue regularmente, o que equivale a 14 pessoas a cada mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa baixa adesão está, em grande parte, relacionada à desinformação sobre o processo de doação.

O impacto dessa baixa adesão afeta diretamente o atendimento a pacientes em tratamentos oncológicos, vítimas de acidentes, pessoas com doenças hematológicas e mulheres em trabalho de parto, que muitas vezes necessitam de transfusões imediatas para sobreviver.

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“Cada bolsa de sangue pode beneficiar até quatro pessoas. A doação é essencial para garantir o suporte transfusional em diversas situações clínicas, e manter os estoques regulares é uma responsabilidade coletiva”, explica Sergio Fortier, hematologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

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Confira os principais requisitos para doar sangue:

O processo é seguro, dura cerca de 40 minutos e segue rigorosos protocolos de higiene e triagem. O sangue doado passa por testes laboratoriais antes de ser utilizado, garantindo total segurança tanto para o doador quanto para o receptor.

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“A segurança do processo de doação é total, tanto para quem doa quanto para quem recebe. Além disso, doar sangue pode ser um momento de reflexão e empatia, pois quem doa está, de fato, oferecendo uma chance de vida a alguém”, destaca Fortier.

Veja as principais respostas às dúvidas mais comuns sobre doação de sangue, respondidas pela médica hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).

Somente maiores de idade podem doar?

Não. Jovens a partir de 16 anos podem doar sangue, desde que estejam acompanhados por um responsável legal e apresentem autorização por escrito.

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O sangue doado pode fazer falta para mim?

Não. O volume retirado representa menos de 10% do total de sangue no corpo e é reposto pelo organismo em até 24 horas.

Existe risco de contaminação ao doar sangue?

Nenhum. Todos os materiais utilizados são estéreis, descartáveis e livres de substâncias que possam provocar reações imunológicas. Além disso, o doador passa por uma triagem clínica rigorosa antes da doação.

Doar sangue afina o sangue?

Mito. A doação de sangue não interfere na viscosidade ou na concentração do sangue. Tal mito surgiu da correlação com o procedimento médico de Sangria Terapêutica, que é realizado com volume e intervalos diferentes do realizado na doação de sangue.

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Preciso estar em jejum para doar?

Não. Pelo contrário, o jejum é contraindicado. Recomenda-se fazer uma alimentação leve e evitar alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas nas 24 horas que antecedem a doação.

Quem toma medicamentos pode doar sangue?

Depende. Alguns medicamentos exigem inaptidão temporária ou permanente para doação. A avaliação é feita com base na legislação vigente, especialmente na Portaria nº 158, de 4 de fevereiro de 2016, que regula os critérios de segurança para a doação de sangue.

Quem tem tatuagem ou piercing pode doar sangue?

Sim, desde que tenha passado pelo menos seis meses desde a realização da tatuagem ou do piercing na pele. Piercings em mucosas, como língua e genitais, impedem a doação enquanto estiverem no local e por até um ano após sua remoção.

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Doar sangue aumenta o apetite ou engorda?

Mito. Ao doar sangue, você não sofre alteração no apetite, e não há relação entre a doação e ganho ou perda de peso.

Se eu doar em nome de alguém, o sangue irá diretamente para essa pessoa?

Não necessariamente. O sangue doado é encaminhado ao banco de sangue e destinado conforme a compatibilidade sanguínea. No entanto, a doação em nome de alguém ajuda a manter os estoques e aumenta as chances de atendimento para esse paciente.

Quem tem anemia leve pode doar sangue?

Não. A anemia é uma condição que contraindica a doação, pois pode agravar o estado clínico do doador. Apenas pessoas que trataram e se recuperaram da anemia poderão doar, após seis meses do término do tratamento.

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Quais testes são realizados no sangue doado?

São realizados exames sorológicos para a detecção de doenças como HIV, hepatites B e C, sífilis, doença de Chagas e HTLV, além da tipagem sanguínea e outros testes importantes para garantir a segurança da transfusão.

Mulheres podem doar sangue durante o período menstrual?

Sim. A menstruação não impede a doação, mas condições como fluxo excessivo serão avaliadas pela equipe médica durante a triagem.

Gestantes e lactantes podem doar sangue?

Não. A gestação impede temporariamente a doação, que só é liberada 12 semanas após o parto ou aborto. Mulheres em período de amamentação também não podem doar, a menos que tenham passado mais de 12 semanas do parto.

Doar sangue traz benefícios ao doador?

Sim. Além da satisfação de ajudar a salvar vidas, em alguns estados, como São Paulo e o Distrito Federal, doadores regulares têm direito à isenção de taxas em concursos públicos, além de atestado para se ausentar do trabalho no dia da doação.

É permitido doar sangue todos os meses?

Não. Homens podem doar sangue até quatro vezes ao ano, com intervalo mínimo de dois meses entre as doações. Já as mulheres podem doar até três vezes por ano, com intervalo mínimo de três meses entre as doações.