Férias escolares: 3 cuidados que os pais devem redobrar durante o período

Crianças tendem a flexibilizar a alimentação, diminuir os exercícios físicos e aumentar o tempo de tela durante o recesso
Mother looking at children in backseat of car
Mother looking at children in backseat of car

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As férias escolares são um momento para a criançada brincar, rir, às vezes viajar, mas aproveitar o momento sem tantas restrições. Há uma flexibilização na alimentação — eles tendem a comer batatas fritas, hambúrgueres, frangos empanados, entre outras — além da redução de atividade física e aumento do tempo de telas, como o uso de celulares e videogames.  

Especialistas, entretanto, afirmam que, mesmo neste período de férias, é importante manter uma rotina saudável.  

— É importante aproveitar que temos mais tempo ocioso e tentar estimular ainda mais a atividade física para compensar esse desequilíbrio da alimentação saudável que, consequentemente, acontece nessa fase — diz o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato.  

O especialista diz que há três pontos em que os pais devem redobrar a atenção no período de férias dos filhos. São eles:

Tempo de tela 

Liberato afirma que, mesmo com a criança ou o adolescente de férias, o tempo de tela deve ser mantido e limitado, como se ele estivesse em período escolar. Segundo ele, para menores de dois anos, a exposição deve ser zero e nenhum aparelho eletrônico deve ser introduzido ou indicado. De 2 a 5 anos, deve ser de até uma hora por dia. De 6 a 10 anos, o mais indicado é limitar o uso a duas horas por dia, seguido por no máximo três horas diárias dos 11 aos 18 anos. Deve-se evitar ainda que adolescentes passem a noite com os aparelhos. 

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— Alguns jogos educativos e conteúdos calmos podem ser uma alternativa em momentos como viagens, por períodos que obedeçam à recomendação de horas por idade. E, já a partir dos 4 ou 5 anos, o uso de jogos familiares também pode ser uma alternativa — diz o endocrinologista.  

Exercício físico 

O restante do tempo deve ser estimulado com atividades ao ar livre: brincadeiras ou até mesmo esportes que coloquem a criança para se movimentar, compensando as atividades que entraram em recesso. Entre as brincadeiras, estão: pular corda, futebol, queimada, basquete, andar de bicicleta, esconde-esconde, pega-pega ou qualquer atividade que você consiga instituir na rotina.  

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— A atividade física é fundamental para ajustar o equilíbrio entre o consumo e o gasto de calorias, além de melhorar o sono, força, saúde mental e ajudar no crescimento. Ela ajuda no metabolismo do açúcar e da gordura, no perfil lipídico e glicêmico. Tem todo um benefício cardiovascular, respiratório, da mineralização óssea, melhora da cognição, autoestima e socialização dessas crianças e adolescentes — diz Liberato. 

Como nesse período de férias, muitas atividades que as crianças fazem regularmente, como escolinhas de esporte, também entram em recesso, é importante manter a rotina e o corpo em movimento. 

Alimentação

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Tanto o exercício físico, quanto a redução do tempo de tela e a alimentação, que é o terceiro fator em que os pais devem prestar atenção nos períodos de férias, estão intimamente ligadas ao combate à obesidade, que tem crescido consideravelmente no país. 

O Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgado pela Federação Mundial de Obesidade, alerta que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos, o equivalente a 1 a cada 5, têm sobrepeso ou obesidade. O número revela um aumento em relação a 2010, quando era de 14,6%. Com isso, a estimativa é que, em 2026, pela primeira vez, o percentual de sobrepeso infantil ultrapasse o de jovens abaixo do peso no mundo. 

O total equivale a 419 milhões de crianças e adolescentes pelo planeta. A federação estima que, em 2040, o número deve subir para 507 milhões e representar 26,4%, mais de 1 a cada 4. Especificamente com obesidade, o atlas mostra que 8,7% têm o diagnóstico hoje, o que corresponde a 177 milhões de jovens, o que deve crescer para 11,9%, 228 milhões de indivíduos, em 2040. 

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No Brasil, o cenário é pior. O atlas estima que 16,6 milhões de crianças e adolescentes estão com sobrepeso e obesidade, o equivalente a quase 40% da faixa etária. A projeção é que, em 2040, o percentual chegue à metade daqueles de 5 a 19 anos. 

— Vale a pena tentar manter parte da rotina alimentar da família, fazer a maioria das refeições de forma habitual e não substituir constantemente almoço e jantar por fast food já faz uma grande diferença — afirma Liberato.  

O médico diz que sobremesas e alimentos que normalmente não fazem parte do dia a dia podem estar presentes, mas sem a sensação de que é preciso exagerar por conta das férias.  

— O mais importante das férias é ter esse momento prazeroso, em família, para gerar memórias. O equilíbrio é o ponto central. Como as crianças tendem a comer mais guloseimas e “besteiras”, vamos estimular elas a brincarem mais — diz o médico.